Precisamos falar da Gestão de Imagem de atletas: até quando será considerada custo e não investimento?

Leonardo Machado
Go! Marketing Esportivo
3 min readSep 29, 2016

Gustavo Rodrigues, de apenas 15 anos, é mais um caso de como as redes sociais podem ser perigosas para a carreira de um atleta e a profissionalização da área é necessária. Um simples tweet de 140 caracteres pode mudar o rumo de uma carreira. Uma chance que milhares de brasileiros sonham e poucos têm a oportunidade, como é jogar futebol em um dos maiores clubes do país, foi desperdiçada nesta semana.

Guga, como é conhecido, foi mais uma “vítima” de suas próprias palavras nas redes sociais. Volante que estava no elenco sub-17 do Botafogo, declarou, no Twitter, torcida ao arquirrival Flamengo e estar “chutando o balde” após lhe recomendarem maior foco nos treinamentos.

As mensagens foram rapidamente compartilhadas por diversos torcedores alvinegros e chegou até a diretoria do clube, que prontamente divulgou uma nota anunciando a demissão do atleta.

Mesmo após o ocorrido, o jovem continuou mostrando muita imaturidade em sua conta e postou, com certo desprezo, que foi ele quem pediu demissão.

Alguns dias depois, por meio de uma nota oficial que, convenhamos, não conseguiu convencer ninguém, e claramente não foi elaborada pelo atleta, um pedido de desculpas foi formalizado. Em um mundo cada vez mais dinâmico, a demora no pronunciamento do atleta pode ter influenciado até mesmo em seu afastamento. Guga chegou a dar entrevista ao Esporte Interativo antes de se dizer “arrependido”. Será que, com um profissional dando suporte na hora exata, além do post poder ter sido evitado, as declarações não teriam sido minimizadas?

Prova de que a superficial nota não teve um dedo mínimo do atleta foi um reply dado pelo garoto a um torcedor logo depois.

Qualquer clube pensará duas vezes antes de querer contratar um atleta com um histórico parecido. Hoje, cada vez mais vemos que a gestão de imagem, principalmente ligada às redes sociais, é um fator que pesa na hora da contratação. Além disso, patrocinadores avaliam como é o comportamento dos atletas fora de campo na hora de fechar algum acordo.

Infelizmente, muitos atletas e gestores de carreira não vêm dando a devida importância para o Gerenciamento de Imagem. Algumas das famosas “assessorias de imprensa”, que por muitas vezes apenas cuidam da relação “Jogador x Veículos de Comunicação” — modelo que considero extremamente ultrapassado — também não focam nas redes sociais.

Essa falta de interesse é, realmente, inimaginável em pleno 2016. Multiplicam-se casos de atletas despreparados que sofrem desde multas até demissões ou desligamentos de seus clubes e/ou patrocinadores. Em contrapartida, quem se prepara e dedica parte de seu investimento no Gerenciamento de Imagem, colhe os frutos.

Até quando veremos o Gerenciamento de Imagem como custo e não investimento?

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