A voz do povo não é a voz de Deus

“Não esteja com a multidão para prejudicar. E não testemunhe em processos inclinando-se com a multidão para perverter [a justiça].” (Ex 23:2)

Talvez nunca, em toda a história humana, foi tão fácil distinguir o certo do errado. A opinião popular chegou ao impressionante estágio de proferir sentenças antes mesmo de conhecer as provas! Basta um meme ou uma manchete de blog para sabermos não apenas o que ocorreu, mas também dissertarmos sobre causas e culpados. Entretanto, embora seja ‘divertido’ julgar assim, talvez essa seja o maior pecado de nossa geração.

Essa lei de Êxodo reage ao nono mandamento (Ex 20:16), sobre falsos testemunhos. Ela trata de contendas judiciais do povo (heb. rîb). Nessas contendas, pessoas relatavam suas versões dos fatos, testemunhos (heb. taʿăneh), para fazer a verdade aparecer. Assim, vida e morte estavam ligadas à veracidade desses testemunhos. As consequências eram tão sérias que Deus era invocado quando não haviam testemunhas (Dt 27:15s)!

Entretanto, como em toda sociedade, haviam pessoas que, por motivos escusos, falsificavam suas “verdades”. Tanto os líderes (Is 1:23; Mq 2:1; 1Rs 21) quanto o povo tinham parcela de culpa nisso (Ex 23:3, 6; Am 5:12; Mq 3:11). Isso fazia com que pobres, viúvas, estrangeiros e órfãos, pessoas sem suporte legal, invocassem a Deus como última saída (Sl 43:1)! Por isso, a Bíblia traz penas sérias para falsas testemunhas (Dt 19:16–21).

Hoje, a “multidão” tem ditado nossos testemunhos. Sob a forma de grupos de Facebook, partidos e denominações, ela nos pressiona a proferir sentenças em cada assunto. Na ‘sociedade da informação’, aquele que não opina se marginaliza. Entretanto, opinar na incerteza é uma forma de fazer mal, de prejudicar (heb. rʿʿ) ao outro. É seguir com a multidão, um pecado cujas consequências são impensáveis. Que nossas bocas sempre falem para a verdade surgir e aprendam a se calar diante das incertezas.

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