Até a igreja virar ruína?

“Seus cabeças julgam por suborno, seus sacerdotes instruem por vantagem e seus profetas predizem por prata”. (Miquéias 3:11a)

O que torna uma igreja bem-sucedida? Muitas pessoas nos responderiam que é o crescimento numérico e, talvez, a desejada “sustentabilidade”, ou seja, a capacidade da igreja se manter com suas próprias pernas. Entretanto, essa definição vem acompanhada de um sério problema: o custo para tal sucesso pode ser alto demais. Muitas igrejas, em sua ânsia pelo sucesso, se desvirtuam e acabam deixando de ser igreja.

Miquéias fala de um problema parecido em Judá, no começo do século VII a.C. Após a queda de Samaria e do Reino do Norte (cf. 2Rs 17), Judá vivia um período de prosperidade. A cidade de Jerusalém e o interior de Judá haviam aumentado quase dez vezes de tamanho ao receberem os refugiados de Israel. Com isso, um grande projeto de construção começou com o rei Ezequias (2Rs 20:20; 2Cr 32.27:31). O sucesso havia chegado!

Entretanto, esse crescimento se dava em injustiça: a cidade estava sendo construída com sangue e desonestidade (Mq 3.10)! As principais esferas de poder estavam contaminadas. Os líderes/cabeças, ao invés de agirem por justiça para ajudar os menos afortunados (Dt 16:9), agiam por suborno (Is 1:23; 5:23). Os sacerdotes, ao invés de ensinarem o caminho para Deus (Os 4:6; Dt 17:10), agiam por vantagens/suborno (cf. Sl 15.5). Os profetas, arautos da verdade, falavam em troca de prata (2Rs 5:15; Ne 6:12)!

O que chamamos de “sucesso” em nossas igrejas? Alcançar multidões e sustentabilidade, como qualquer negócio? A igreja foi feita para para proclamar justiça, ensinar o caminho até Deus e para ajudar todas as pessoas fragilizadas. Jerusalém caiu quando abandonou sua missão (Mq 3:12) e nós, o que precisa acontecer para mudarmos nossos caminhos?

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