Cantando no Mar do Fim

“Então Miriam, a profetiza irmã de Arão, tomou o tamborim em sua mão. E saíram todas as mulheres atrás dela, com tamborins e danças. E Miriam cantou para elas: ‘Cantai ao Senhor! Pois agiu altivamente altivo: cavalo e cavaleiro atirou ao mar!’. E Moisés fez Israel seguir além do Mar Sûf …” (Ex 15:20–22a)

De tempos em tempos, nos anunciam que o mundo acabará. Foi assim em 2000, 2012 e, agora, 2017. Até agora, não houve fim. Mas mesmo que ‘profecias’ e ‘previsões científicas’ falhem, é verdade que o mundo acaba para alguns na doença, sofrimento, morte etc. Cada um de nós experimenta diversos momentos terminais, que nos paralisam e modificam. E a pergunta que se segue desses momentos é: o que fazer depois?

A história de Israel narra muitos momentos terminais. É a história, como a de muitas famílias de hoje, que seguem para uma terra distante para buscar oportunidades (Ex 1:1–7), mas que lá se torna escrava do preconceito e medo (Ex 1:8–14). É a história de um povo cujo sofrimento lhes faz esquecer até seu Deus, e cujo suor e sangue se tornaram oração (Ex 2:23–25). Mas é, também, a história de um povo que conseguiu liberdade (Ex 12)!

Então, às portas da liberdade, encontraram o Mar Vermelho. Mas, para entender seu papel, é bom relembrar que embora “Vermelho” seja seu nome nas traduções grega e latina (gr. erythras; lat. Rubro), no hebraico seu nome é Sûf. Esse termo pode remeter a plantas aquáticas, como junco e papiro (Ex 2:3, 5; Is 19:6), mas também pode ser traduzido como “fim” (Ec 3:11; 7:2; Am 3:15). E, ainda algumas vezes, pode lembrar os dois sentidos unidos (Jn 2:6; Ex 15:4–5). Talvez, seja propício chamá-lo de “Mar do Fim”.

E se o “Mar do Fim” instiga a desistir (Ex 14:10s), ele também nos leva a novos começos. O fim de uma jornada sempre é o início de uma nova. Portanto, mesmo que você passe por momentos finais dolorosos, confie em Deus, pois com Ele é possível cantar, dançar e andar, mesmo após o fim.