Páscoa — 3ª palavra da cruz

“E junto à cruz estavam a mãe de Jesus, e a irmã dela, e Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena. Vendo Jesus sua mãe e junto a ela o discípulo amado, disse: Mulher, eis aí teu filho. Depois, disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. Dessa hora em diante, o discípulo a tomou para casa”. (João 19.25–27)

Enquanto os quatro soldados que crucificaram Jesus repartiam suas vestes e sorteavam sua túnica, havia quatro mulheres aos pés da cruz, juntamente com João, o discípulo amado. Nem todos abandonaram o Senhor; estes, ficaram perto o suficiente para presenciarem seu sofrimento e ouvirem o que ele ainda diria. Contudo, nada podiam fazer para salvá-lo de uma situação tão humilhante, violenta e angustiante.

Imagine o que foi para Maria presenciar não o velório de Jesus, mas a tortura pela qual passava. Foi angustiante! Como profetizou Simeão, uma espada traspassou a alma de Maria (Lc 2.35). Em todo o tempo Jesus estava perfeitamente consciente. Ele sabia o que estava fazendo! Ele viu o sofrimento de Maria, sua mãe, e de João, que estava com ela, e se dirigiu amorosamente a eles.

É impressionante que até no momento de maior angústia e sofrimento, Jesus tenha pensado nos seus. Provavelmente José já tinha morrido e, ainda que Jesus tivesse outros irmãos (Jo 7.5; At 1.14), como filho mais velho ele tinha a responsabilidade de cuidar de Maria. Por isso, ele se preocupou em como ela ficaria após sua morte, responsabilizando João de protegê-la e sustentá-la, hospedando-a em sua casa. Ele honrou pai e mãe até a morte (Ex 20.12), até mesmo pregado em uma cruz! Mas isso ainda não é o mais importante…

Ao se dirigir à Maria, Jesus a chama afetuosamente e respeitosamente de mulher, não de mãe. Isso deveria lembrá-la de quem ele era. Mais do que ser seu filho sofrendo na cruz pelo que não fez, ele era o Filho de Deus recebendo a ira de Deus pelos pecados da humanidade, inclusive pelos pecados de Maria, que sabia que precisava de um Salvador (Lc 1.47). A morte de Jesus foi, de fato, triste e violenta. Mas é somente através dela é que podemos ser salvos do triste e violento destino eterno, preparado para os que não têm Jesus como Senhor e Salvador. Palavra de consolo e esperança? Somente aos pés da cruz!