Tensão Sexual

Quando eu era adolescente havia uma garota (que eu achava meio pegajosa) chamada Jaqueline que (não sei porquê) se apaixonou perdidamente por mim. Para não dizer irritantemente. Sua paixão era tão intensa que chegava a me dar medo. Era uma coisa meio compulsiva. De qualquer forma apesar das probabilidades tivemos lá nosso trelêlê.

Eu devia ter uns dezoito anos e ela queria, porque queria, que eu a namorasse. Transávamos, mas algo nela me irritava muito e não me deixava dar o próximo passo. Talvez fosse algo como o cheiro ou a pele… ou quem sabe a sua intensidade acendesse em mim luzes amarelas. Ninguém pode amar ninguém assim, eu pensava. Isso só pode ser doença, intuía. Não me atinava o quê, exatamente, me incomodava nela, mas lembro-me desses pensamentos recorrentes de repulsa e até mesmo nojo. Porém, naquela época de adolescência, os meus hormônios falavam mais alto do que minha mente e eu acabei por meter-lhe a pica, de qualquer forma. Até aí tudo bem. Era o que ambos desejávamos, certo? Mas, daí por diante, como num filme de suspense, ela me perseguiu pela vida inteira. Não só estávamos sempre emocionalmente ligados a este jogo perverso, mas sexualmente ela estava sempre por perto. Disponível. Atenta. Pronta para dar o bote, de novo. Jaqueline era a minha stalker preferida e quando eu não tinha nada a fazer, volta e meia, eu metia-lhe a pica.

Também foi com ela que comecei a desenvolver certas doenças exibicionistas, perversidades sexuais baixas e escatológicas. Talvez como uma forma de castigá-la por ser (ou se dizer) tão apaixonada por mim.

Lembro-me que naquela época ainda estava chegando ao Brasil o conceito dos caixas eletrônicos. Eu a comi em um desses cultos ao capitalismo selvagem. Ou melhor, em vários. Naquele tempo os caixas eletrônicos não possuíam câmeras e funcionavam realmente por 24h. Depois lembro que a comi também em becos escuros e ruas desertas, subjulgando-a e humilhando-a sexualmente e com dejetos do corpo. Eu estava me iniciando nas artes do exibicionismo e escatologia e logo com alguém que eu não desejava realmente estar (ou talvez por isso).

A doença estava se instalando. Como se fosse um vírus de computador. Ela me fez crer que para você realizar suas fantasias é melhor que seja com alguém que você não esteja tão envolvido, sob pena do pecado vir revestido de ciúmes, remorsos, ou coisa que o valha.

Com Jaqueline era apenas jogo, doença.

E ela amava aquelas fortes emoções que eu proporcionava com um sadismo genuíno por subestimá-la.

Mas, por mais que eu a maltratasse Jaqueline sempre voltava.

Como um cachorrinho maltratado e teimoso, ela sempre voltava para ser novamente humilhada.

Era um vício.

Durante um bom tempo depois que transamos pela primeira vez Jaqueline ficou me enviando bombons com flores todos os dias. Eu me sentia uma virgem violada. Foi a primeira vez em minha vida que eu recebi flores de uma mulher. E logo de Jaqueline. Não havia sentido naquilo. Os bombons eu comia, as flores, invariavelmente iam para a lixeira. Sem piedade. Minha mãe sentia dó daquela pobre menina apaixonada pelo seu filho insensível e que tentava conquistá-lo à todo custo, se ressentindo pelo seu amor não correspondido. Eu não tinha dó de Jaqueline. Muito pelo contrário. Eu tinha era medo. Minha intuição me dizia que havia macumba naquelas flores, seu lugar era mesmo no lixo. “Dá uma chance pra ela, meu filho. Ela parece que gosta muito de você”, dizia minha mãe toda vez que atendia o rapaz da entrega. Eu apenas dava de ombros como uma menina juvenil que despertava paixões inesperadas. Eu nem me dava mais ao trabalho de responder às investidas. Jurava internamente que aquela maluca jamais conheceria minha mãe (não queria pressão dos dois lados) e pensava numa forma mais perversa de castigá-la por mais esse gracejo.

O fato é que nunca perdi contato com Jaqueline. De uma forma ou de outra ela sempre arrumava um jeito de ficar por perto, como já disse. Mesmo, agora (mais de trinta anos depois) ela ainda está ali, disponível, me pedindo para namorar com ela. A mesma Jaqueline. E o pior é que agora a louca quer um filho meu.

A sorte dela é que eu estou numa fase de repensar a minha vida amorosa. Minha curiosidade em relação à Jaqueline é saber o que o fato de eu a ter rejeitado tanto (por tanto tempo) fez com sua sensibilidade. Este era o meu álibi para deixá-la ficar por perto, por mais algum tempo. Mas, eu sabia que a nossa relação era mesmo sado-masoquista.

Fazia tempo que não nos encontrávamos pessoalmente, mas ela estava por ali, sempre próxima, na moita, ao alcance de uma mensagem eletrônica, via rede social.

Mas, mesmo pelo computador ela me irritava.

Eu não aguentava ver sua gargalhada reproduzida na tela — aqueles odiosos “kkkkkkkkkkkkkkk”— eram realmente iguais à gargalhada de Jaqueline. Toda vez que ela gargalhava na tela era como se fosse um atestado de sua loucura, para mim. Ela ainda me parecia uma adolescente mimada. Mesmo hoje e pelo computador.

Mas, o mundo havia mudado, a tecnologia havia avançado e nós também avançamos na doença. Hoje em dia fazíamos um jogo diferente. O jogo inverso. Ela fingia que nada mais sentia. Eu testava o meu poder de sedução, minha influência, sobre ela. No fundo eu desejava que emocionalmente Jaqueline houvesse parado no tempo. Eu desejava que ela ainda me amasse (ou fingisse amar), mas ela resolveu seguir a vida e me procurar em outros corpos por alguns anos. Nós dois sabíamos que ela nunca iria me encontrar senão em mim mesmo. E quando ela desistiu de me procurar nos outros, voltou à carga com toda a força. E as vezes eu esquecia do seu poder de me repelir, e a provocava.

O fato é que eu não a queria. Não para nada além de jogar um leite da forma mais baixa e suja que um sexo pudesse ter. Talvez eu, ainda, desejasse castigá-la por não ser mais (supostamente) apaixonada por mim. Cada vez mais eu me apropriava de um papel de provocador, de promotor, de carcereiro, de pai castrador, de um amor impossível ou de uma verdade sobre Jaqueline que nem eu sabia qual era.

De vez em quando eu a comia, (obviamente, a carne é fraca) mas, agora, ela sempre fazia muito jogo até se decidir por me dar a merda daquela boceta fedida. Era muito cansativo. Ademais Jaqueline nunca foi mesmo boa de cama. Ela sempre foi meio preguiçosa, a safada. Do tipo “não tá com tesão?, então me coma”. Agora, quando eu queria ela não queria. Quando eu não queria ela implorava. A doença ainda estava viva. E latejava por entre as minhas pernas. Então eu a provocava muito. Em mim, a neurose só aumentava, enquanto nossa relação se retroalimentava da doença. Eu tripudiava no que ela sentia por mim há anos atrás. Ela valorizava seu passe e se vingava por ter virado a mulher mais bonita, gostosa que seu dinheiro de herdeira pudesse comprar.

Talvez Jaqueline tivesse virado um simples capricho, para mim. Talvez bem no fundo eu (realmente) a quisesse por perto. Quem vai saber?

De vez em quando eu era surpreendido por mensagens eletrônicas, e aproveitava para identificar nas letras que surgiam na tela o que me atraía e o que me irritava tanto em Jaqueline — como ela consegue ser chata até mesmo por chat? E esse “kkkkkkk” irritante dela? Ah, ela será muito castigada por isso, pode deixar comigo… vou pensar em uma forma bastante humilhante, eu pensava.

A merda toda é que o meu distanciamento emocional acabava por me dar um tesão fodido por aquela vadia. E como ela fazia tudo o que eu pedia, descíamos a olhos vistos aos subterrâneos da imoralidade, a amoralidade.

Jaqueline era algo como um roupão velho. Confortável de usar e quentinho. Mas, nem por isso eu deveria sair com ele à rua.


Jaqueline diz:

tudo bem?

tive um sonho contigo muito bizarro, imagina eu tendo um filho seu e casada com vc?

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

a gente n combina, só eu mesmo para sonhar essa loucura…

“O homem é rico em proporção ao número de coisas que pode dispensar.” diz:

??

como assim?

freud diria q eh o seu desejo reprimido…

está com saudades?.

hehehe…

Jaqueline diz:

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

fala sériooooooooooooooooooooo.

kkkkkk

“O homem é rico em proporção ao número de coisas que pode dispensar.” diz:

vc não pode se casar sem a nossa despedida de solteira…

Jaqueline diz:

fala sério…

vc n muda

“O homem é rico em proporção ao número de coisas que pode dispensar.” diz:

sério…

não tem curiosidade de saber como será que está o amor da sua vida mais maduro?

este ano faço 40…

e estou lindo, modéstia parte…

hehehehe…

Jaqueline diz:

não tenho, sério…

vc para mim foi uma fase boa da minha adolescência

Agora estou em outra fase e assim segue a vida…

“O homem é rico em proporção ao número de coisas que pode dispensar.” diz:

eh?

mais séria…?

adorei…

isso…

adoro mulher séria…

Rodrigueanamente falando, claro…

hehehe

Jaqueline diz:

Séria sempre fui, apenas agora amadureci e criei parâmetros primordiais para deixar alguém fazer parte de um minuto sequer da minha vida

“O homem é rico em proporção ao número de coisas que pode dispensar.” diz:

nossa…

vc deve ser boa como advogada…

dura…

implacável…

na busca da verdade…

por trás da verdade…

adorei…

mas infelizmente vc eh mulher…

tem memória de pele…

rs

marcamos o chopp…

e veremos como nos comportamos…

hehehehe

Jaqueline diz:

fala sério figura, se endireita…

vc não mudaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

Pois é sou mulher, suficientemente mulher para saber definir o melhor para mim e mais adequado. Pois afinal me amoooo acima de tudo…

“O homem é rico em proporção ao número de coisas que pode dispensar.” diz:

tsss…

Jaqueline diz:

um chopp, tranquilo…

“O homem é rico em proporção ao número de coisas que pode dispensar.” diz:

jah vi q não está tão segura assim…

nem sempre fazemos opções conscientes…

sei disso, como publicitário…

Jaqueline diz:

lá vem vc com demagogia

“O homem é rico em proporção ao número de coisas que pode dispensar.” diz:

e nem sempre a pulsão de vida supera a pulsão da morte…

hehehe

adoro esgrimar com sua inteligência…

sentir sua acidez novamente me faz bem…

tenho mais paciência hj do que antigamente…

eu acho…

hehehe

Jaqueline diz:

nossa q profundo até concordo, mais nossa massa encefálica existe para ser usada não é?

“O homem é rico em proporção ao número de coisas que pode dispensar.” diz:

não…

segundo meus estudos…

tudo existe para o prazer…

e nem sempre o prazer é lógico…

xeque-mate?

tenho acompanhado seu namoro pelo orkut…

Jaqueline diz:

não concordo…

o prazer é de cada um, o seu prazer necessariamente não é o do próximo…xeque-mate?

“O homem é rico em proporção ao número de coisas que pode dispensar.” diz:

e acho q apesar de formarem um casal lindo…

vc ainda não encontrou o q procura…

sabe?

brilho nos olhos…

não vejo em vc este brilho…

xeque?

Jaqueline diz:

não concordo

pq fala isso??

brilho nos olhos, kkkkkkkkkkk só vc mesmo

“O homem é rico em proporção ao número de coisas que pode dispensar.” diz:

ostentação demais da felicidade do casal…

isso é suspeito…

falta verdade em vocês, como casal…

xeque? outra vez?

Jaqueline diz:

mas me sinto muito feliz…

xeque mate só se for em vc.

“O homem é rico em proporção ao número de coisas que pode dispensar.” diz:

como disse adoro jogar com vc…

sempre me liguei em vc pelo intelecto…

afinidades menos óbvias…

gosto de te ter por perto…

Jaqueline diz:

mesmo que não seja o certo não me acorde do sonho, pois estou vivendo no paraíso..

“O homem é rico em proporção ao número de coisas que pode dispensar.” diz:

até para implicar com você de vez em qdo…

Jaqueline diz:

bebeu hoje?

fumou sua erva?

“O homem é rico em proporção ao número de coisas que pode dispensar.” diz:

só vc pode dizer…

se eh o certo…

eh disso q falo…

do click…

sentiu o cheiro daí?

xeque?

Jaqueline diz:

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Ele é o certo, se me conhecesse bem saberia ver

“O homem é rico em proporção ao número de coisas que pode dispensar.” diz:

preciso conhecer ele…

pra dizer alguma coisa…

acho q ele não tem pegada…

hehehe…

vc eh uma mulher forte…

precisa ser situada…

de vez em qdo…

vc precisa de um homem de pulso…

Jaqueline diz:

Ah isso ele tem e muita pegada, senão eu ainda estaria solteira.

Hoje sou muito exigente e conforme vem os anos a tendência é ficarmos mais exigentes ainda, não acha?

“O homem é rico em proporção ao número de coisas que pode dispensar.” diz:

com qtos anos vc está?

Jaqueline diz:

35

“O homem é rico em proporção ao número de coisas que pode dispensar.” diz:

Honoré de Balzac…

bem vindo à bordo…

hehehe…

Jaqueline diz:

kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

“O homem é rico em proporção ao número de coisas que pode dispensar.” diz:

eh hora de casar mesmo…

Jaqueline diz:

inteira, melhor do q com 20

“O homem é rico em proporção ao número de coisas que pode dispensar.” diz:

hummmm…

isso jah não sei…

teria q fazer uma avaliação criteriosa…

mas acho q não terei mais uma oportunidade…

embora eu sinta daqui que seus hormônios desejam procriar…

hehehe

Jaqueline diz:

Que nada… terá sim, o que é do homem o bicho n come

Eu quero é ser feliz solteira ou casada, estado civil só serve para o papel. Se amo caso, como hoje…

Se vai durar? creio q tudo dá certo ao tempo que tem que durar.

Portanto hoje acho q tudo na minha vida deu certo, tudo dento do seu tempo de duração.

“O homem é rico em proporção ao número de coisas que pode dispensar.” diz:

filosoficamente aceito…

mas, me soou como um discurso pronto…

tb não vejo verdade…

vejo comodismo…

Jaqueline diz:

tudo bem, Jorge…

já senti o que você deseja…

quer me comer, não é?

só isso?

pois eu realmente preciso ser castigada, e ninguém melhor do que você para me negar os caprichos de uma menininha minada me castigando e me tarando na medida certa…

agora, vai ter que comer meu cu também que ele está com saudades…

“O homem é rico em proporção ao número de coisas que pode dispensar.” diz:

isso veremos, se você for uma menina boazinha pode ser que eu pense nesse assunto com carinho…

agora vem, logo que minha pica já está latejando…

Jaqueline diz:

fala que quer comer sua putinha, fala…

“O homem é rico em proporção ao número de coisas que pode dispensar.” diz:

eu não vou falar porra nenhuma e você vem assim mesmo, sua vaquinha…

em quinze minutos aqui, senão vai apanhar muito, sua vagabunda…

Jaqueline diz:

ai, promete?

promete que vai castigar muito sua vagabundinha, promete?

“O homem é rico em proporção ao número de coisas que pode dispensar.” diz:

vem logo, vadia… prometo que eu vou mijar em você todinha… regar seu cabelo até tirar toda a escova…

aj, e traz uma amiguinha com você…

você tá me devendo isso…

Jaqueline diz:

não sei se você está merecendo, não…

por outro lado, como eu estou necessitando relaxar um pouco, então vou ver se a Bruna está disponível para se exibir chupando uma xoxota para um velho babão punheteiro e voyeur…

“O homem é rico em proporção ao número de coisas que pode dispensar.” diz:

se vira, dá teu jeito… e vem logo!