O papel da energia para um Brasil economicamente sustentável

Larissa Santos
Jul 17, 2020 · 6 min read
Photo by Andreas Gücklhorn on Unsplash

Vocês já ouviram falar em economia sustentável? Muitas vezes chamada de sustentabilidade econômica, a economia sustentável é um termo que representa o uso responsável de recursos pelas empresas, que passam a visar não apenas o lucro, mas também os possíveis danos de suas ações ao meio ambiente.

Entendemos que nosso estilo de vida impacta o meio ambiente que, por sua vez, sempre nos dá respostas a essas interferências que fazemos nele. São essas reações que evidenciam o quanto a sociedade precisa mudar sua dinâmica de funcionamento. Além disso, a vivência de uma pandemia também expõe o quanto o ser humano é capaz de se adaptar. Hábitos como home office e produção local aumentaram no mundo todo de forma emergencial por conta da atual conjuntura do Covid-19 e podem ser mudanças positivas a permanecer em um cenário pós crise.

Uso de energias renováveis, diminuir a destruição de habitats naturais para agricultura, mineração ou habitação, limpeza e preservação dos ecossistemas marinhos, produção e consumo conscientes são exemplos de ações que devem ser prioritárias ao mundo para alcançarmos a economia sustentável.

Mas vamos falar de energia?

Uma crise climática pode nos trazer um mundo com uma maior probabilidade de pandemias, catástrofes climáticas, inundações, secas, entre outros eventos que impactam diretamente no nosso sistema econômico, alimentar e de segurança. Atualmente, não temos conhecimentos capazes de resolver o aquecimento global, mas conseguimos limitá-lo. O compromisso mundial de descarbonização e a constituição de uma matriz energética mais limpa, muito estimulada pelo Acordo de Paris, deve ser fortalecido para alcançarmos uma energia sustentável instalada em todo o mundo.

E o que é essa energia sustentável?

A energia sustentável faz uso de fontes de energia renováveis, que são aquelas obtidas de um recurso inesgotável, mas não somente isso. Para ser uma energia realmente sustentável é preciso também que ela atenda às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras. E mais, ela precisa ser limpa, ou seja, não provocar liberação de dióxido de carbono, o gás causador do efeito estufa.

Apesar de muitos pré-requisitos, ainda assim temos uma vasta variedade de energias elegíveis para a elaboração de uma nova matriz energética mais limpa para o nosso planeta. Vamos conhecer algumas delas…

Energia Solar Fotovoltaica

Essa energia é totalmente limpa e vem da captação da luz do sol por meio de painéis solares. Apesar de um custo mais elevado de implantação, possui alta durabilidade, o que torna vantajoso o investimento. Entretanto exige uma análise geográfica do local onde será feita a instalação, visto que a radiação solar não atinge o planeta de forma uniforme, tornando alguns locais mais eficazes que outros para obter energia desse modo. A região nordeste do Brasil ocupa um lugar de destaque quando se fala em energia solar por ter a maior incidência de radiação solar no país, que tem uma média diária que varia de 4,5 a 6 kWh.

Energia Eólica

A energia eólica é obtida a partir do vento, convertendo-se a energia cinética proveniente da movimentação das massas de ar que passam pelas turbinas eólicas (ou cataventos) em eletricidade. O Brasil é considerado um país com um dos melhores ventos e, segundo dados de 2017 da GWEC, ocupa o 8º lugar no ranking mundial de capacidade instalada de usinas eólicas, com cerca de 12,8 gigawatts.

Energia Hidráulica

Apesar da polêmica classificação da energia hidráulica como renovável devido a água ser um recurso findável, ela ainda pode ser assim classificada considerando a enorme quantidade de água no planeta. Ela é obtida através do fluxo de água, aproveitando as quedas d’água e, para sua obtenção, é necessário a construção de uma hidrelétrica, que desvia o curso de um rio e cria um reservatório, que funciona como uma espécie de bateria para gerar energia conforme a necessidade.

Apesar da água ser abundante no Brasil e nos trazer enorme vantagem nesse modo de geração de energia, a criação de uma usina hidrelétrica modifica o meio ambiente, altera o ciclo biológico dos rios e dos solos, além da vida das famílias que moram próximas às áreas de instalação. Sendo assim, essa desvantagem deve ser levada em consideração quando se pensa na expansão dessa energia na matriz energética brasileira.

Energia de Biomassa

Definimos biomassa, do ponto de vista energético, como sendo os derivados recentes de organismos vivos que são utilizados como combustíveis ou para a produção desses mesmos combustíveis. Nesse caso, não são considerados biomassa os tradicionais combustíveis fósseis (como petróleo e gás natural), tendo em vista que estes são resultados de várias transformações que levam milhares de anos.

A biomassa é empregada diretamente como combustível ou através da produção de energia a partir de processos de pirólise, gaseificação, combustão ou co-combustão de material orgânico que se encontra presente num ecossistema. Apesar desses processos liberarem gases, estes não contribuem para o efeito estufa, o que permite classificarmos essa fonte de energia como limpa. Uma outra vantagem do uso da biomassa vem de seu preço baixo, porém, a extração desse material pode ocasionar desflorestamento e destruição de habitats naturais.

Atualmente, o recurso de maior potencial para geração desse tipo de energia no Brasil é o bagaço de cana-de-açúcar, graças a disponibilização de enorme quantidade dessa matéria orgânica advinda da alta produtividade alcançada pela lavoura canavieira brasileira, especialmente nas regiões Sul e Sudeste.

Energia Geotérmica

A energia geotérmica é derivada do calor do interior do planeta, que pode ser retirado das erupção dos vulcões, gêiseres e fontes termais de água doce. Tendo em vista as muitas dificuldades para sua implantação e seu rendimento baixo, é uma forma de produzir energia pouco aplicada mundialmente. No Brasil, não temos nenhuma usina geotérmica.

Energia Maremotriz e Ondomotriz

Essa energia advém do movimento das marés ou das ondas. Para que essas fontes sejam aproveitadas é necessário a construção de usinas localizadas no litoral, o que inviabiliza o aproveitamento daquele espaço para pesca ou banho. A energia maremotriz é conseguida por meio de usinas similares a hidrelétricas, com estruturação de barragens e reservatórios. Já a ondomotriz, por enormes flutuadores que, ao acompanharem as ondas do mar, acionam as bombas hidráulicas, que farão o transporte da água e ar que serão comprimidos e armazenados para gerar energia.

No Brasil, temos um projeto de usina no Porto de Pecém, no Ceará, com previsão para conclusão em 2020 para produção de energia por meio das ondas.

E como é composta a matriz energética brasileira?

Atualmente, aproximadamente 45% da energia utilizada no Brasil é oriunda de fontes renováveis, o que nos coloca como bom contribuidor para uma matriz energética mundial mais limpa, que possui aproximadamente 14% de geração energética por meio de energia renovável.

No entanto, não é motivo para nos acomodarmos, visto que o estímulo ao investimento em energias renováveis é o que as tornam mais acessíveis e o que possibilitará a troca das energias fósseis pelas mais limpas. Os gráficos abaixo, com dados de 2018, nos dão o panorama de como a matriz energética brasileira está distribuída.

Nós, da GreenAnt, somos favoráveis ao incentivo por mudanças na matriz energética brasileira mediante um maior emprego de fontes renováveis de energia. Mas, frisamos que não só a troca gradativa por fontes de energia mais limpas é importante, como saber usar e administrar essas fontes é também passo importante para que o país alcance um cenário energético sustentável. Nos inserimos nesse contexto como empresa que se propõe a trazer soluções que auxiliem no monitoramento e gestão da energia das empresas brasileiras por acreditar que, dessa forma, construímos um país mais sustentável economicamente.

GreenAnt

News and insights on Energy and Data

GreenAnt

News and insights on Energy and Data

Larissa Santos

Written by

GreenAnt

News and insights on Energy and Data