38 semanas: Um hiato sabático
Reflexões sobre a preparação para o grande momento da vida
Há 38 semanas eu não publicava nada no Medium. Reli meu último texto e ele me pareceu tão fora do contexto atual da minha vida — tão distante de quem sou, do que penso — que a reflexão foi inevitável: O quanto mudei neste período? Será que evoluí ?
38 Semanas representam menos que um ano, mas representam muita coisa. Em 29 de novembro de 2016, quando publiquei pela última vez estava em um período de planos — viagem de férias agendadas para Bonito no Mato Grosso do Sul — e de fechamento de ciclos profissionais com a entrega de um projeto que ocupou todo o ano.

Neste mesmo período dois novos ciclos foram iniciados. O primeiro em busca de evolução pessoal e espiritual. Havia tempos que eu e a Ana (esposa, amiga, companheira e cúmplice) conversávamos sobre a necessidade latente de evoluirmos em algo não mundano. Afinal estamos bem profissionalmente, ambos somos graduados e pós graduados em nossas áreas.
Eu já estava iniciando na prática de meditação e mindfulness e aproveitamos o final do ano para nos isolarmos da tecnologia e da soberba, desperdício e confusão das festas da virada em uma pousada no interior do estado.
O segundo ciclo, o mais importante: Ampliar nossa família.
Fevereiro, ao voltarmos de Bonito, já sabíamos: Estávamos grávidos, e agora tudo mudava. Por decisão pessoal, abri mão de várias coisas para poder curtir estes 9 meses, e me foquei em outras que me permitiam evoluir como pessoa e estar próximo da Ana neste período.
Pedalei pouco em 2017. Na verdade, não participei de nenhum Brevet neste período. Subitamente o desejo de me superar, de chegar no fim da prova, de postar a foto da medalha esfriou. Na verdade todas as picuinhas e polemicazinhas relacionadas ao ciclismo no sul do país me desinteressaram.

Havia coisa mais importante para nós dedicarmos: Juntar os amigos e família para anunciar a novidade. Nos reaproximar de cada pessoa importante e deixar claro que queremos muito elas próximas de nós. Curtir o momento com as famílias. Estudar, fazer exames, se preparar, meditar, evoluir.
Fizemos um curso de 8 semanas de mindfulness atenção plena e aprendemos a sentar como uma montanha e ser serenos em relação a críticas e humildes em relação a elogios e a manter a ansiedade sob controle.

Fizemos curso de parto humanizado e de paternidade responsável, afinal não não basta ser pai, tem que participar (O loco meu).
Fiz retiro de introdução ao Budismo e de meditação Shamata. Meditei muito sobre meus sentimentos e sobre o pai que quero me tornar. Comecei a dar os primeiros passos no caminho Budista.
Dediquei-me a uma paixão latente por fotografia.

Passei a cuidar ainda mais da alimentação. A praticar exercícios físicos regularmente. A exercitar a mente através da meditação — quase — diariamente.

E sobretudo fiz uma limpeza em meu coração. Deixei magoas e ressentimentos antigos de lado. Parei de julgar tanto o próximo e a mim mesmo — não preciso carregar o peso do julgar a tudo e a todos — e isto me libertou de uma carga emocional gigantesca.
Falta cerca de um mês para a Cecília chegar. Estas 38 semanas foram de preparação, estudo, aprendizado e mudança, para ser um pai presente, e para ser um apoiador intenso no processo de maternidade da Ana.

Quando ela nascer, irá encontrar um pai um pouco mais evoluído, seguro e amadurecido. Porque este processo não termina nunca.
Acredito que os próximos textos serão mais sobre a experiência de ser pai sob o ponto de vista. E claro, para quem sentiu falta dos textos, desculpa. Foi por um bom motivo.
Vem Cecília nos iluminar.

Chamada a ação
Gostou do texto? Então ajude estas palavras a irem adiante !
- Quem gostou bate palma (ali embaixo): é importante para o texto ser divulgado !
- Compartilhe-o nas redes sociais.
- Deixe seu comentário.
Sobre o autor
Gilson Wingist tem mais livros que lugar para guarda-los, mas não se importa muito com isto.

