O negócio do futuro é o futuro

Onde as gigantes da tecnologia batalham, você também poderia e deveria estar batalhando lá!

Um estudo sobre Negócios de Tecnologia, BigData, Inteligência Artificial, Machine Learning, Deep Learning e previsão do futuro analisando a relação entre as startups mineira Rock Content, Sympla e Méliuz e as gigantes Google, Uber e Amazon.

Peter Thiel — fundador do PayPal e investidor do Facebook — fala em seu ótimo livro De 0 a 1 — O que aprender sobre empreendedorismo com o Vale do Silício que o objetivo das grandes organizações é o monopólio. Ele inclusive retrata o monopólio de uma forma bem positiva, muito diferente do modo pejorativo que estamos habituados a ver.

A empresa monopolizadora é a única sobrevivente em seu mercado, e para sobreviver você precisar estar preparado para o futuro.

Você já parou para pensar se seu negócio sobreviverá ao futuro? Será que você está jogando o jogo das pequenas, fadadas à morte, ou o das gigantes da tecnologia que perpetuarão?

Para preparar seu negócio para sobreviver no futuro, acredito que as duas formas possíveis mais garantidas são:

  1. Ser o criador deste futuro, assim você estará a frente de seus concorrentes.
  2. Prever o futuro, assim você já sabe o que vai acontecer e pode agir com antecedência para ocupar seu lugar no mercado.

"Criar o futuro" parece mais simples, e de fato hoje é. A questão é que você não pode garantir que o futuro que você está criando de fato existirá. Por isso startups e demais empresas de tecnologia lidam tanto com o risco da incerteza.

Já "prever o futuro" parece uma daquelas coisas quase impossíveis que só acontecem em filmes de ficção cientifica ou no Programa do Gugu com a Mãe Diná. Mas será que é tão difícil assim prever o futuro? Vou te mostrar que não, prever o futuro pode ser mais fácil do que você imagina.

Duvida? Vou fazer uma previsão sua, mesmo sem saber quem é você.

Auummm… prevejo que amanhã, entre 11h e 15h você sentirá fome, tanta fome que fará com que você pare de fazer o que estiver fazendo e encontrará algo para comer.

Depois deixa um comentário dizendo se acertei. ;)

Viu como não é tão difícil? Apenas utilizando conhecimento popular é possível prever algo com uma certa margem de erro. Agora imagina o que pode ser feito quando se tem um volume imenso de dados para serem analisados. É assim que a propaganda do iFood aparece para você em momentos algumas vezes certos próximo de sua fome. Isso é o BigData, parte do jogo das gigantes da tecnologia.

O jogo das gigantes da tecnologia

As chances de sobrevivência do seu negócio no futuro tendem a aumentar se você estiver dentro do jogo das gigantes como Google, Facebook, Amazon e outras.

Mas não é necessário bater de frente com uma delas pra entrar no campo dos gigantes, basta entender como jogar o mesmo jogo. Neste artigo te mostro como é possível jogar este jogo sem precisar brigar e ter uma chance de perpetuar seu negócio pelo futuro de alguma forma.

Mas é mesmo possível entrar neste jogo?

Comparação Facebook vs Google — veja mais detalhem em Wolfram Alpha

O Facebook é um grande exemplo disso, quando foi fundado em 2004, seu atual arquirrival Google já valia bilhões de dólares, mesmo com apenas 6 anos de existência. Entrando no jogo das gigantes sem medo, hoje o Facebook já é a quinta empresa mais valiosa do mundo, logo atrás do próprio Google.

Organização é a palavra mágica do jogo. Todas as gigantes batalham no mercado de organização de ativos intangíveis, que até certo momento a maioria do mundo não via valor — Ironicamente, ou não, "organização" é como são chamadas as grandes empresas, talvez pensando assim tudo faça ainda mais sentido.

Mas por que organização?

Pela inteligência que dados organizados pode gerar. Um grande volume da dados desorganizados pode não ter valor algum. Mas este mesmo volume organizado da maneira correta, isso sim tem um valor inestimado.

Representação gráfica de uma rede neural formando um cérebro

Inteligência Artificial, Machine Learning e Deep Learning

Qualquer tipo de inteligência, seja natural ou artificial só se forma através de aprendizado.

Para isso foi desenvolvido o conceito de Machine Learning, onde você programa uma máquina para aprender algo específico e gerar uma inteligência artificial limitada.

Evoluindo este conceito com base no funcionamento dos neurônios de nosso cérebro, foi desenvolvido o que chamamos de Deep Learning, uma técnica de reunir diversos algoritmos de Machine Learning em um formato de rede neural, onde todos se comunicam e conseguindo fazer análises mais profundas para gerar predições.

Não vou entrar entrar em detalhes sobre estes conceitos, para saber mais sobre a diferença entre Inteligência Artificial, Machine Learning e Deep Learning, leia este artigo da Nvidia traduzido pelo Data Science Brigade.

Mas como elas organizam tudo isso?

Conectando os pontos, simples assim, mas não tão simples como parece. Organizar informações nada mais é do que conectar pontos já registrados no passado e que ainda não foram conectados.

Ao conectar um grande volume de dados, algo é aprendido, e este aprendizado pode ser utilizado para dizer o que é possível fazer em seguida. São apenas possibilidades, mas que com quanto mais pontos conectados, mais precisas se tornam estas possibilidades.

"Você não pode conectar os pontos olhando para frente; você apenas pode conecta-los olhando para trás. Então você precisa confiar que os pontos de alguma maneira se conectarão no futuro." — Steve Jobs

Vejamos o papel no mercado de algumas das gigantes de tecnologia. Todas estas empresas, de alguma forma, fazem com que nós mesmos produzamos seu principal ativo: o conhecimento. Enquanto pensamos que somos meros consumidores, na verdades consumimos e trabalhamos produzindo para elas se tornarem cada vez mais inteligentes. E isso pode ser bom!

O Google

O Google não é simplesmente um site de buscas. Ele tenta organizar toda a informação do mundo.

Há 20 anos atrás na minha infância, quando precisava saber sobre algo, eu precisava ir até a uma biblioteca e procurar em vários livros até encontrar uma resposta. Hoje basta "dar um Google".

Ele organizou todo o conteúdo da internet, mas não em sessões que você precisa ficar vasculhando. Seu objetivo é encontrar o melhor resultado para cada usuário, nos entregando valor e fazendo que o utilizamos como nossa principal fonte de pesquisa. Assim cada busca realizada lá, você está dando insumos para ele aprender um pouco mais sobre você, sobre seus gostos e seus hábitos.

Cada busca é um ponto na sua vida que o Google está conectando, assim cada vez mais ele saberá sobre você e conseguirá te entregar melhores resultados. Inclusive sobre coisas que você ainda nem sabe que irá buscar. De acordo com seus hábitos ele sabe o que te oferecer em anúncios e algumas vezes acerta em cheio e quando você percebe, já está comprando algo.

E não fica apenas em buscas. A possibilidade de carros autônomos hoje existe graças as informações organizadas pelo Google Maps e dados do trânsito colhido pelo Waze — adquirido pelo Google em 2013. Cada vez que você segue uma rota no aplicativo, ele aprende mais sobre aquele caminho. Assim consegue prever cada vez com mais assertividade o melhor caminho e o tráfego em cada horário, do mesmo modo como foi possível prever quando você sentiria fome.

O Facebook

O Facebook não é apenas uma rede social. Ele tenta organizar todas as informações pessoais do mundo.

Se você acha que seu RG e CPF são informações pessoais importantes e tem medo que estes dados "vazem" na internet, você está muito enganado. Eles por si só são apenas números que não dizem nada sobre você.

As informações pessoais que realmente possuem um grande valor são aquelas que dizem tudo que você faz no seu dia a dia, e quando organizadas corretamente conseguem dizer de fato quem você é.

Como diz a música do Barão Vermelho: "Que você come? Que você bebe? O que você fuma? Que você compra? Que você veste? O que você usa? Com quem você anda? Com quem você vive? O que você fala no celular? Com quem você fica? Com quem você se envolve? Cuidado!". Já parou para pensar que você conta tudo isso para o Facebook, Instagram e WhatsApp?

Cada ação sua nestas redes sociais é um ponto sobre sua pessoa, que é conectado a vários outros pontos deixados por você e todos os outros usuários, assim é possível ser traçado seu perfil comportamental.

O Facebook já te sugeriu amizade com alguém que você nunca viu na vida, e um certo dia você vê esta pessoa em algum local? Isso pode ser dado tanto quanto um erro ou acerto de previsão, pois na verdade é apenas um chute, já que a inteligência dele ainda está sendo treinada por você. Pode ser um erro ele dizer "talvez você conheça fulano", pois você não conhece. Mas pelo fato de vocês terem a tendência de cruzar caminhos devido a locais que frequentam ou mesmo gostos em comum, ele pode estar prevendo que em algum momento vocês se conhecerão.

Teorias das conspirações recentes sugerem que o Facebook e Google estão nos ouvindo e podem oferecer anúncios baseados em coisas que dissemos em algum momento do nosso dia a dia — ouça um trecho ao lado sobre a história da cumbuca para entender melhor.

Isso pode ser uma verdade, mas como estamos falando em BigData, uma outra hipótese pode ser a conexão de pontos entre os interesses da esposa do rapaz do podcast e seus próprios interesses. Fazendo este tipo de cruzamento, é possível prever o que dois indivíduos ou mais possuem de interesse em comum e lançar uma oferta a eles.

Além disso, pode ser possível a previsão de mudança de perfil de consumo. Imagina a quantidade de dados sobre cada indivíduo que o Facebook possui acumulado nestes 14 anos de existência e mais de 2 bilhões de usuários.

É possível traçar hábitos que indicam mudança de rotina e até de perfil social da pessoa com base no passado de outros. Assim, como cada tipo de produto exige um tempo entre o conhecimento e a aquisição, é possível começar a oferecer um produto antecipadamente, preparando e condicionando o usuário até o momento que ele estiver apto a comprar. Assim como antecipadamente ele te sugere amizade com alguém que você conhecerá no futuro.

OFF: Gosto desta última hipótese pois o Facebook fica me apresentando anúncios de mansões milionárias. Torço para que ele já tenha previsto com um alto grau de certeza de que terei dinheiro para isso no futuro :p.

A Amazon

A Amazon não é somente uma loja virtual. Ela tenta organizar todas as compras realizadas no mundo.

Quem em sã consciência colocaria seus concorrentes dentro da sua loja e ajudaria seus clientes a comprarem neles? Jeff Bezos, CEO da Amazon e atualmente homem mais rico do mundo.

A Amazon foi uma das precursoras do uso do modelo de marketplace em e-commerces. Praticamente isso é fazer seus clientes comprarem de seus concorrentes dentro da sua própria loja, mas com o benefício de você levar uma comissão e o mais importante, saber exatamente tudo o que seus clientes compram mesmo quando não compram diretamente de você.

Com esse grande volume de dados é possível traçar o perfil e hábitos de consumo dos clientes conectando os pontos deixados em sua base de dados. Se não fosse pelo marketplace, muitas pessoas continuariam comprando no concorrente, talvez por preço ou por comodidade, mas a Amazon não teria estes dados tão importantes.

A cada busca, clique ou compra, você está ensinando à Amazon um pouco mais sobre seus hábitos de consumo. Assim ela poderá indicar para você os produtos corretos na hora certa. E um de seus objetivos de curto prazo é entregar automaticamente na porta de sua casa produtos de necessidade básica quando os seus estiverem acabando, como leite por exemplo. Mas isso sem você precisar fazer um pedido, apenas prevendo quando você precisará de mais leite.

A Uber

A Uber não é só um aplicativo para você chamar um motorista. Ele tenta organizar todas as locomoções do mundo.

Sabe aquela notificação automática da Uber "Sua reunião começará em 30 minutos, o trajeto até lá levará cerca de 18 minutos, se prepare para sair" — ou algo do tipo — faz parte desta organização de locomoção.

Ao dar permissão de acesso à sua agenda e a cada corrida que você pega, você está ensinando à Uber sobre seus hábitos de locomoção. Assim com análises de BigData ela consegue prever o fluxo de veículos nas grandes cidades e ir se preparando para colocar na rua carros autônomos cada vez mais seguros. Ou você ainda acha que o negócio da Uber é te conectar a um motorista?

Mas a Uber não parou apenas na locomoção de carros. Com o Uber Eats, ela consegue entender também seus hábitos de "locomoção de comida". Afinal, delivery mesmo não transportando uma pessoa além do entregador, representa uma boa parte do tráfego de uma cidade, seja de carro, moto ou bicicleta. No vídeo você pode ver um exemplo de experimento da Ford de um carro autônomo para delivery em parceria com a Domino's.

Mas e ai, como minha empresa entra neste jogo?

Como vimos, as gigantes da tecnologia entregam valor para o usuário de uma forma, que por sua vez gera ativos intangíveis em forma dados para análise que serão transformados em conhecimento e inteligência artificial limitada.

A regra é bem simples:

  1. Gere valor para o usuário
  2. Assim o usuário não se importará em compartilhar espontaneamente suas informações com sua empresa
  3. Em algum momento aprenda a organizar estas informações, ou una-se a quem consegue fazer isso
  4. Use este conhecimento para o bem, seguindo o lema do Google "Não seja mau."

Um grande exemplo disso é o aplicativo Waze. Ele foi criado em 2008 em Israel, um país pequeno e com problemas muito maiores que os nossos enfrentados no Brasil. Ele gerou valor oferecendo direcionamento no trânsito para os usuários, que por sua vez o fornecia espontaneamente dados sobre o tráfego. Em 2013 foi comprada pelo Google por US$1,3bi.

As mineirinhas prodígio

Trazendo ainda mais próximo da nossa realidade, posso citar pelo menos 3 startups mineiras que podem estar trilhando o mesmo caminho.

Preciso antes deixar bem claro aqui que as informações abaixam se tratam apenas de suposições minhas e possivelmente não refletem diretamente a realidade das mesmas. É apenas um olhar meu sobre o modelo de negócio de cada uma delas.

A Méliuz

A Méliuz não é um site de cashback e descontos. Ela tenta organizar as os hábitos de compras das pessoas.

A Méliuz iniciou oferecendo dinheiro de volta nas compras em lojas online e hoje atua também em estabelecimentos offline, como a rede de supermercados VerdeMar em BH.

Toda vez que faço compras em qualquer uma das unidades do supermercado, a atendente do caixa me pergunta se possuo Méliuz. Ao digitar o número do meu celular, 0,5% da minha compra será revertida em dinheiro na minha conta do aplicativo, que posso resgatar após acumular pelo menos R$20,00 somando todas as compras em qualquer loja parceira.

Toda vez que digito o número do meu celular, estou ensinando à Méliuz meu hábito de compra. Cruzando com os dados do software de caixa, é possível saber cada um dos ítens que comprei e qual a frequência de compra de cada item ou cada loja que frequento. Imagina o quanto isso pode ser valioso para a Amazon.

A Sympla

A Sympla não é um marketplace de ingressos. Ela tenta organizar onde as pessoas frequentarão.

A Sympla é um marketplace onde você pode adquirir ingressos para eventos em todo o Brasil. Muitas vezes é utilizada inclusive para eventos internos de empresas, já que não cobra para agendamento de eventos gratuitos.

Ao comprar um ingresso em seu site ou aplicativo, ela sabe exatamente onde você estará em um determinado momento no futuro. Além de poder fazer uma análise do seu perfil de consumo de entretenimento, o que é muito valioso para produtores de evento. Imagina o quanto vale para a Uber saber onde você estará no futuro?

A Rock Content

A Rock Content não apenas é uma produtora de conteúdos. Ela tenta organizar o conteúdo que as pessoas irão ler ao buscar no Google.

Se você tem o hábito de ler na internet, é bem provável que algumas vezes na semana você veja conteúdos produzidos pela Rock Content mesmo sem saber. Ela é uma startup de marketing de conteúdo que auxilia em posicionamento de marca no Google e na atração de clientes via inbound marketing.

Teoricamente seus conteúdos são escritos para personas determinadas pelas empresas que a contratam, e trabalham dentro dele as palavras chaves ideiais para atrair público qualificado para estas empresas.

Como ela produz conteúdos exclusivos e muito bem direcionados à personas pré-definidas, basicamente seu trabalho é produzir o conteúdo que você terá interesse de ler. Se o grande valor do Google para o usuário é entregar conteúdo direcionado para ele, imagina o quanto vale o trabalho da Rock Content para o Google.


Eu poderia citar aqui também minha visão sobre o possível modelo de negócios final da Tesla, SpaceX, Hotmart, Sambatech e Nucont, além de diversas outras brasileiras, mas deixarei para uma próxima oportunidade.

O importante aqui é que você tenha compreendido que o negócio do futuro é o futuro, seja construindo ele, ou melhor ainda, prevendo este futuro.

Não é algo simples, mas é altamente viável como podemos ver pelos exemplos de startups mineiras. Tudo o que se precisa fazer é começar, como algum dia vários loucos começaram estas organizações. Talvez não seja possível ser o grande dono de um monopólio, mas jogando seu jogo, você tem a chance de poder se juntar a ele.

Olhar para o passado pode te fazer ver o futuro.
Continue conectando os pontos.

Deixe seu comentário sobre sua percepção do modelo de negócios de outras startups também .