Por que não devemos começar uma adoção ágil definindo um processo?

Passados 17 da criação do Manifesto Ágil, certamente estamos vivendo o apogeu da agilidade em todo o mundo. Lembro como se fosse hoje quando meu professor de programação web Luciano Santos Borges comentou sobre XP na sala de aula da faculdade em 2006. Confesso que, naquele momento, não acreditava que aquelas ideias sobreviveriam no mercado de fábrica de software que eu conhecia.

No ápice do seu uso, a agilidade vem quebrando os preconceitos e passa a ser utilizada nos mais diversos tipos e tamanhos de empresas. Da startup que começa a se materializar enquanto você lê este post até o mais antigo banco do Brasil, culminando na recente construção de um Guia de Práticas em conjunto com o PMI.

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Quando uma empresa tradicional decide iniciar o uso de métodos ágeis, normalmente ela está passando por algum momento complicado, seja na dificuldade de competir no seu mercado, que pode estar sendo reformulado por uma startup, ou por não está acumulando bons resultados. Dentro deste cenário, normalmente ela cria um projeto interno para executar a sua transformação ágil que na prática, será conduzido da mesma forma como todos os projetos anteriores, apostando na definição da solução de todos os problemas no início e com envolvimento apenas de algumas pessoas de um setor ou dos gestores.

O problema desta abordagem não é a característica projetizada, mas o foco excessivo que se dá às práticas e ao processo, ferindo assim, um dos valores mais importantes do Manifesto Ágil.

Indivíduos e interações mais que processos e ferramentas

Desta forma, o produto resultante não é a melhoria da empresa, que pode ser causada pelo aumento da eficiência ou da eficácia dos projetos, e sim a criação de um novo processo de desenvolvimento de software, que na prática não consegue representar a forma como a empresa trabalha e sim o desejo de como ela poderia funcionar. Conforme podemos analisar abaixo, melhoria do processo aparece em penúltima posição na lista de medidas de sucesso da pesquisa anual da VersionOne.

the 11 annual state of agile report — VersionOne

Embora essa abordagem pareça inadequada, ela é indispensável para o amadurecimento da empresa, que após fracassar, vai ter a oportunidade de vivenciar de forma genuína o processo de melhoria que ocorre quando se aprende com os erros.

Entretanto, ao se focar apenas na criação de um processo, corremos o risco de repetir o erro que muitas empresas cometeram no passado, quando investiam em processos de desenvolvimento, como o CMMI ou o MPS-BR, que através de um certificado obtido em uma auditoria rasa, geravam uma falsa ilusão de existência de um ambiente eficiente e que poderia fomentar a melhoria contínua. Infelizmente, na prática, poucas evoluções eram geradas no fluxo de valor, na qualidade do produto ou na satisfação dos clientes e funcionários.

Não podemos esquecer que agilidade é sobre como usamos os métodos, os frameworks e as práticas para entregar mais valor para o cliente e que neste contexto, o nosso processo sempre estará evoluindo através do aprendizado obtido durante os ciclos de desenvolvimento.

Se você vive ou viveu um processo de adoção ágil deixe aqui o seu comentário.

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