3 livros com personagens LGBTQs interessantes para ler hoje

Uma listinha simples para você que quer ler mais sobre o assunto

Você já parou para analisar sua estante ou sua lista de leituras? Você lê mulheres? Você lê autores LGBTQs ou que abordem o tema? Quantos livros você tem que saem da lógica do escritor homem cis heterossexual e branco? Quantos livros você tem que saem da lógica dos personagens homens cis heterossexuais e brancos?

Em geral a resposta a essas perguntas não é nada animadora. E é óbvio que mulheres, LGBTQs, negros e negras, transexuais — todos eles escrevem e até publicam. Mas, como vivemos numa sociedade patriarcal, racista e LGBTQfóbica, o produto que ganha mais destaque (e, portanto, vende mais) em geral não sai daquele padrão ali de cima — e dificilmente paramos para pensar sobre isso.

Antes mesmo de chegar ao número de autores LGBTQs da estante, podemos pensar em quantos livros com personagens LGBTQs nós já lemos. E dentre eles, quantos eram representados superficialmente? Quantos não tiveram a sexualidade explicitamente colocada na narrativa, apenas sugestivamente, para que você lesse até o final na esperança de surgir algo ali? Poucos, com certeza. Mesmo que você tenha uma lista significativa, compare com a lista de personagens fascinantes heterossexuais e cisgêneros que você já leu — proporcionalmente, essa última sempre ganha.

Eu, que tenho tentado ler cada vez mais autores de minorias, resolvi ajudar um pouco e montei uma listinha bem simples com 3 livros que trazem personagens LGBTQs interessantes.


MORE HAPPY THAN NOT

Adam Silvera

O livro de estreia de Adam Silvera conta a história de Aaron, um garoto de 16 anos que se recupera da morte recente do pai, ao mesmo tempo em que aprofunda seu relacionamento com a namorada e se aproxima de seu novo amigo, Thomas. Quando ele começa a se dar conta de que talvez o que exista entre os dois seja mais do que amizade, o desespero de descobrir em si algo que todos os seus amigos de infância condenam faz com que ele considere inclusive procurar uma empresa que garante apagar as memórias indesejadas — assim, talvez, ele consiga voltar a gostar somente de garotas. Embora traga uma mensagem importante e positiva de auto-aceitação, More happy than not é um livro pesado, triste e difícil de ler, não só pelos temas que aborda (suicídio, homofobia, depressão), mas também pela forma como escolhe fazer isso, de forma realista e crua.


CARRY ON

Rainbow Rowell

Em uma abordagem completamente oposta à de More happy than not, Carry on é um livro colorido, de entretenimento, divertido. Trata-se de um spin off de outro livro da autora, Fangirl, e conta a história de um bruxo adolescente que estuda em uma escola de magia e é O Escolhido para derrotar um inimigo poderoso. Mas não, não é Harry Potter. O protagonista, Simon, tem uma relação complicada com seu colega de dormitório e antagonista, Baz, que atualmente está desaparecido. O livro não é pretensioso nem tenta ser grandioso, mas é interessante ler uma história que traz personagens LGBTQs que não está fadada desde o início ao final trágico, à morte ou algo assim.


TODOS NÓS ADORÁVAMOS CAUBÓIS

Carol Bensimon

As histórias de Cora e Julia, que não se falam há alguns anos, voltam a se tocar quando as duas retomam contato e decidem se reencontrar no sul do Brasil. Enquanto viajam juntas de carro, a relação das duas, seus conflitos antigos e as coisas que as separaram vão voltando à tona. O livro, narrado do ponto de vista de Cora, tenta decifrar a figura enigmática de Julia, enquanto ela tenta restaurar o vínculo entre as duas, embora sempre esbarre na indefinição e na dúvida: enquanto Cora se define como bissexual, Julia tem dificuldade em se rotular e se reconhecer enquanto lésbica ou bissexual.


Junho é o #PrideMonth e ao longo das próximas semanas serão postados textos sobre as interseções entre a comunidade LGBT e a cultura pop.


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