Um círculo de leitura feminista. Taí, parece uma boa ideia.

Uma ideia sobre livros, muitos livros e um monte de mulher querendo ler mais sobre feminismo.

Há alguns dias, estava eu navegando pela Amazon Brasil (meu site preferido na internet, sim), quando vi o livro Os homens explicam tudo pra mim, de Rebecca Solnit (Ed. Cultrix, 2017). Parecia um livro ótimo, ao lado de outros livros da mesma autora e, claro, todos pareciam ótimos.

Olhei minha estante e pensei que jamais conseguiria ter todos os livros que quero, por uma questão de espaço, e também por limitações financeiras. A leitura colaborativa já é uma realidade pra mim há alguns anos, por causa do grupo Livro Viajante, do Skoob. Nele, alguém disponibiliza um livro, mas você não precisa “dar” nada em troca. Pode se inscrever no tópico, receber o livro, ler e mandar para o próximo da fila, até que o bendito volte para o dono. Ótima ideia? Sim, amo.

Marcador de página feito para as participantes do círculo. No verso há uma lista dos livros disponíveis para cada uma marcar o que já leu. (Arte: Larissa Andrioli)

Eu poderia disponibilizar minha pequena biblioteca, então, claro, mas eu também queria que outras mulheres emprestassem seus livros e que esses livros girassem entre um grupo, de alguma forma. Surgiu, então, a ideia de criar um grupo em que cada membro pudesse emprestar um livro, que seria lido por todas, e, em troca, todas leriam os livros disponibilizados pelo grupo. Seria uma forma de ter acesso a outros livros sem, no entanto, precisar comprá-los, além de formar um grupo que poderia discutir sobre aqueles livros.

O nome foi só uma ideia de momento e ficou “Círculo de leitura feminista”, que de cara já expõe o tipo de “clube” e o gênero das leituras. Pensei, de verdade, que não teria nenhum interesse e me espantei quando surgiram as pessoas realmente interessadas. Criei um grupo, elegemos os livros disponibilizados e voilà. Estamos no nosso primeiro ciclo e, por enquanto, tudo está funcionando muito bem. Temos de Roxane Gay (Má feminista) a Anne Brontë (Agnes Grey), de Papel de Parede Amarelo, um clássico da literatura feminista, até a Jout Jout. Está sendo bem incrível.

Claro que a venda de livros é muito importante, mas esse contato entre leitoras, na minha opinião, é fundamental para garantir menos a circulação da obra do que sua estabilidade no mercado, falar sobre essas obras em grupos é importante para que isso aconteça (haja vista o sucesso de grupos como Leia Mulheres por todo o país). Não estou falando que não devemos comprar livros (pff! Nunca!), mas a informação e o acesso podem superar essa barreira, pelo menos momentaneamente.

Minha ideia de escrever sobre isso (já que nosso clubinho está completo) foi justamente para dizer que as leituras colaborativas, embora pareçam ter saído de moda, ainda podem gerar bons frutos. E que sempre é bom criar algum tipo de coisa assim que te faça ler com prazos, para que você possa ler mais e melhor. Além disso, pode ser uma oportunidade de conhecer pessoas que você dificilmente conheceria por aí, pelo fato de integrarem grupos sociais diferentes e, assim, conhecer novos discursos. Não é maravilhoso? Eu acho.


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Hekate

Duas amigas que se juntaram pra falar sobre o que move suas…

Pamella Oliveira ♀

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Vinte e poucos anos de personificação do mais absoluto caos.

Hekate

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Duas amigas que se juntaram pra falar sobre o que move suas vidas: literatura, cultura e feminismo.

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