E quando funciona mas não serve?

Como práticas de UX (ou a falta delas) podem influenciar na sua carreira de desenvolvedor(a).

O cenário

Você é um(a) desenvolvedor(a) dedicado(a) ao sucesso do produto em que você trabalha. Passa horas escrevendo um código maravilhoso para aquela funcionalidade que o cliente pediu e, apesar de complexa, você conseguiu fazê-la funcionar perfeitamente.

A nova funcionalidade foi para produção.

Algumas semanas depois, você resolve dar uma checada no Google Analytics para saber se a novidade se tornou popular entres os usuários e… quase ninguém usou.

Observando esse cenário é preciso convir que o fato mais incomum não é uma feature em produção que nunca (ou poucas vezes) foi usada, mas sim, ela ter sido configurada no Google Analytics. rs.

O problema

Você passou horas para desenvolver aquela funcionalidade que o designer desenhou, que o cliente pagou, te deu a maior dor de cabeça para resolver aquele bug, e, apesar de ser uma funcionalidade pensada para ser usufruida por todos os usuários, aquilo quase não foi interagido.

Você pode estar pensando: E eu com isso? Minha parte eu fiz.

Se você se preocupa com o sucesso do produto… ou melhor, se você se preocupa com o sucesso de sua sua carreira, você deveria considerar agir ativamente quando isso acontecer.

O que UX tem a ver com sua carreira de dev?

Muitas pessoas que trabalham com software foram atraídas pela área pela possibilidade de utilizar os conhecimentos aplicados em prol de um bem maior, quem sabe mudar o mundo.

Isso é meio exagerado para você? Ok. Se você melhorar a vida das pessoas que interagem com o produto de seu trabalho, já está bom…

Ou nada disso! Você quer evoluir em sua carreira… Ou apenas quer ganhar mais dinheiro!

Independente de suas motivações duas coisas são certas:

  • Idealmente os objetivos da empresa ou produto que você trabalha devem convergir com os seus.
  • Se o produto ou funcionalidade não está alcançando o potencial que poderia alcançar, seu trabalho também não está.

Tá, mas o que eu, dev, posso fazer ?

O primeiro ponto que é necessário ser desmistificado é que só o designer é responsável pela UX do produto e o motivo é muito simples: UX está em qualquer comportamento, estrutura ou característica que impacta na forma que usuário final interage com produto.

Sendo assim, existem algumas posturas e atitudes que desenvolvedores podem ter afim com o objetivo de tornar o sucesso do produto mais próximo, dentre elas:

Antes de tomar qualquer decisão pense

  • Quais as caracteristicas dos usuários desse produto
  • Quais serão os contextos de uso do produto
  • Como o código precisa ser para se adequar a estes contextos

Durante o desenvolvimento

  • Faça pequenas entregas para que o time teste o resultado de seu trabalho
  • Participe das decisões de criação das soluções ajudando a…

Mensurar

  • Performance
  • Complexidade de implementação
  • Escolha de ferramentas
  • Viabilidade tecnológica
Seu papel é essencial para conseguir uma solução inovadora

Ajude o time a tomar as melhores decisões

  • Ajude seu time a obter informações sobre o usuário do sistema sugerindo e configurando ferramentas de coleta de dados sobre quem e como as pessoas estão usando a plataforma.
  • Divida informações e perspectivas que só você como dev tem acesso.
  • Participe ativamente dos testes.

Testes e mais testes

Existem muitas possíveis razões de uma funcionalidade ou um produto não ser usado.

Algumas das mais comuns são: quando os usuários:

  • Não tem interesse, pois o produto ou funcionalidade não supre uma necessidade ou desejo real.
  • Não sabem da existencia da funcionalidade.
Sua feature não pode ser um easter egg
  • Tem interesse mas não compreendem a interface.
Você observando a destresa de sua prima de 13 anos usando o Snapchat…

Para os dois últimos casos citados os testes de usabilidade se mostram extremamente eficazes para minimizar esses problemas. Eu vou falar um pouco sobre ele.

Como funciona um teste de usabilidade?

Gif do Froont

Teste de usabilidade é uma técnica de avaliação de… errr… usabilidade um funcionalidade ou um fluxo, podendo ser realizado em diversos momentos do desenvolvimento, podendo ser em protótipos de baixa, média e alta fidelidade. Nesta técnica é muito mais importante a observação do uso do que a informação verbalizada pelo usuário.

Para um teste de usabilidade num modelo bem simples temos uma receitinha:

  • Protótipo ou versão em staging da funcionalidade ou fluxo.
  • Alguns (5 já são suficientes) usuários usuários reais ou potenciais usuários do produto/serviço. É essencial que essas pessoas realmente se enquadre no perfil de uso.
  • Uma pessoa do time para analisar o uso.
  • Uma pergunta principal a respeito da usabilidade a ser respondida no fim do teste, por exemplo “As pessoas conseguem entender todos os campos do fluxo de login?”.
  • Um roteiro composto por (no mínimo) um cenário, uma tarefa para o tester, perguntas sobre o como ele usa ou usaria aquele produto ou similares.

Seguem alguns exemplos do que NÃO pode ser feito num teste de usabilidade

  • Escolher pessoas que estão muito longe do perfil de usuário (como seu coleguinha do lado)
  • Interferir no uso do testador.
  • Sugerir, de alguma, forma que o testador está errado quando não entende a interface.

O que você ganha quando seu time faz?

Para começar, você e seu time poderão conhecer mais seus usuários ajudando a tomar decisões pensando neles e em seus contextos de uso.

Será possível refinar a usabilidade antes de implementar a solução com o rigor de quando se envia algo para produção, utilizando seu tempo e esforço de desenvolvimento para uma versão mais assertiva.

Se o produto ou funcionalidade não está alcançando o potencial que poderia alcançar, seu trabalho também não está.

Uma outra vantagem ao utilizar essa técnica é que o produto que você trabalha terá maiores chances de ser aceito pelo público alvo, aumentando chances de sucesso como negócio. E se seus objetivos estiverem alinhados com os do produto, isso será extremamente útil para sua carreira.

Bônus: Testes de usabilidade ajudarão você e seu time acostumarem com a ideia de MUDAR e EVOLUIR as soluções de design e desenvolvimento, aprendendo importância de pequenas entregas reforçando a mentalidade lean: Errar rápido para aprender e evoluir mais rápido ainda…

…mais isso é assunto para outra postagem. :D

Quer saber um pouco mais sobre como criamos produtos digitais incríveis e mudamos a vida das pessoas? Acesse o nosso site!