Por que fazer testes com o usuário?

E como fazer um teste de usabilidade de forma remota

Exercitar a empatia sempre foi uma habilidade fundamental para qualquer designer. Afinal, estamos pensando soluções para os outros e não para nós mesmos. Sim, isso parece óbvio em um primeiro momento. Mas pare para pensar quantas vezes você caiu na tentação de tomar uma decisão de design baseado em como você usaria o produto? Por incrível que pareça, isso acontece mais do que deveria.

Aí cabe a pergunta: como saberemos, se nossas soluções fazem sentido, se não chamarmos as pessoas que de fato usarão o produto para validá-las?

E se pensarmos de forma enxuta (Lean), considerando o aprendizado como algo essencial ao final de cada ciclo, os testes se tornam fundamentais para entender, o mais rápido possível, se o produto está indo na direção certa ou não.

Existem diversos métodos quantitativos e qualitativos para obter feedbacks dos usuários. Antes de optar por um ou outro, tenha em mente o que você pretende atingir. Nesse post, abordaremos um método que se encaixa muito bem em processos de desenvolvimento baseados na Metodologia Ágil: o teste de usabilidade remoto.

Como funciona na prática

Em um contexto de entregas constantes e incrementais distribuídas em ciclos curtos de desenvolvimento, o teste de usabilidade remoto é um método eficiente para a validação de funcionalidades e fluxos de navegação.

Para realizar um teste de usabilidade remoto, recomendamos os seguintes passos:

1. Definir o objetivo do estudo

Tão importante quanto definir o que será feito ao longo da semana, é definir o que será testado. Se estamos construindo uma nova funcionalidade, ela deverá atender um objetivo do usuário e, portanto, poderá ser transformada em uma tarefa a ser executada por este mesmo usuário.

2. Recrutar testadores

Uma vez definido o público-alvo do produto, é hora de buscar pessoas que se enquadrem no perfil desejado. Idealmente, todos os testes deverão ser agendados para o último dia do ciclo de desenvolvimento, quando as funcionalidades planejadas já estiverem prontas para serem testadas.

Para testes qualitativos, Jakob Nielsen recomenda que 5 pessoas são mais que suficientes para apontar os principais problemas de usabilidade.

Uma das vantagens do teste remoto é que não há a limitação geográfica. Isso amplia muito as possibilidades de recrutamento e agiliza o processo. Outro ponto importante é que, o fato da pessoa estar realizando o teste em um ambiente familiar aumenta as chances dela agir como se estivesse em uma situação real de uso.

Dependendo da plataforma em que o produto será testado, você precisará de uma configuração mínima. Para desktop é necessário uma ferramenta de teleconferência que combine compartilhamento de tela e gravação do vídeo. A combinação de duas ferramentas que executem essas tarefas também é uma alternativa. Para smartphone recomenda-se o uso de uma ferramenta integrada ao próprio app ou protótipo, como o lookback, por exemplo.

3. Criar o roteiro de testes

O roteiro pode ser dividido em três partes:

  • Perguntas contextuais;
  • Teste do produto/protótipo;
  • Perguntas sobre a experiência.

As perguntas contextuais tem por objetivo “quebrar o gelo” e obter informações sobre o testador, seu contexto e suas necessidades. Pense em perguntas do tipo: “como você se desloca para o trabalho?”, “quanto tempo leva para se deslocar?”, “você considera esse tempo razoável?”. Fique atento às respostas pois através delas você poderá identificar necessidades ainda não mapeadas.

Para o teste com o produto/protótipo, é necessário definir os cenários e as tarefas do usuário, que normalmente estão associadas às funcionalidades desenvolvidas ao longo da iteração. Estabelecer o cenário ajudará a engajar o testador na execução das tarefas.

Por fim, as perguntas sobre a experiência darão a oportunidade do testador expressar suas impressões sobre o produto/protótipo. Algumas sugestões de perguntas pós-teste: “quais foram os pontos positivos e negativos da experiência?”, “Você recomendaria o produto a um amigo?”, “Como descreveria o produto a um amigo?”, “que adjetivos usaria para definir o produto?”.

Se possível, rode um teste piloto para validar o roteiro e fazer os ajustes necessários.

4. Executar os testes

No dia do teste, esteja com tudo preparado para que você não tenha surpresas ou imprevistos. Para manter o testador confortável, recomenda-se que no máximo duas pessoas participem da teleconferência, sendo que uma delas deverá conduzir o estudo enquanto a outra irá apenas observar.

Você começará pelas perguntas contextuais. O tom dessa conversa deverá nortear toda a sessão, portanto, tente criar um clima agradável e informal para que o usuário sinta-se confortável e o mais próximo possível de uma situação real de uso do produto.

Depois de feitas as perguntas contextuais, você poderá dar início ao teste do produto. Mas antes de começar, é importante passar algumas orientações aos testadores:

  • Deixe claro que o que está sendo testado é o produto e não o usuário;
  • Peça ao testador que descreva o que está pensando enquanto navega. É importante que ele relate suas intenções, dificuldades, surpresas, frustrações, satisfação, etc;
  • Solicite ao testador que seja o mais transparente e crítico possível em relação à solução apresentada. Deixe claro que o quanto mais honesto ele for em seu feedback, mais valiosa será a informação para o projeto.

Lembre-se de não interferir na execução das tarefas, somente quando o usuário ficar completamente travado e pedir ajuda. Se por acaso o testador perguntar “o que devo fazer?” ou “onde devo clicar”, responda com outra pergunta, como por exemplo: “o que você acha que deve fazer?” ou “onde você acha que deve clicar?”.

Assim que o testador finalizar as tarefas propostas, você pode seguir com as perguntas sobre a experiência em geral.

5. Resumir o aprendizado

Se tudo der certo, é provável que esse tenha sido um dia intenso e cheio de revelações sobre o produto, certo? Agora é hora analisar o material e extrair os insights que servirão de base para as próximas iterações. Não esqueça de registrar todas as informações para compartilhar com o time posteriormente.

Conclusão

Vivemos um cenário onde as mudanças são, cada vez mais, rápidas e constantes, onde faz mais sentido investir em experimentação e aprendizado do que em planejamentos complexos e custosos. Nesse contexto, testes com usuários nos ajudam a reduzir as incertezas, economizar recursos e garantir que o produto que estamos fazendo de fato terá um impacto positivo na vida das pessoas.

Ao abraçarmos os testes com usuários, estaremos convidando-os a co-produzirem a solução conosco. Conheceremos suas dores, seus anseios e sua forma de enxergar as coisas. Em outras palavras, estaremos exercitando a empatia.

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