Entrevistas — Ás vezes o problema é mais simples do que pensamos

A partir de um roteiro rápido de entrevista, cheguei em algumas conclusões interessantes e senti meu coração palpitar algumas vezes com as novas descobertas.

Por enquanto obtive respostas de uma especialista e uma usuária em potencial da coisa que irei criar. Mas mandei aqueles áudios espertos por zap para algumas pessoas e acredito que até o final do dia eu tenha mais umas 3–5 respostas.

Fiz um pequeno resumo do que achei relevante nesses duas conversas que tive até o momento. Vou preservar o nome das usuárias entrevistadas por uma questão de privacidade.

Patricia, 23 anos — Estudante de medicina que pretende seguir a área ginecologia e obstetrícia

A especialista contou que não se fala especificamente sobre saúde e sexualidade para mulheres lésbicas e bis no curso de medicina da sua faculdade. Que as aulas de sexualidade são voltadas para planejamento familiar, em que nenhum momento os professores citaram ou falaram sobre sexualidade de lésbicas, bissexuais ou transsexuais.

Descobri que o meio de proteção mais efetivo para relações entre mulheres é a camisinha feminina, pois ela protege todas as regiões da vagina. E que existem os mesmos perigos das relações sexuais heteros.

Fiquei me perguntando o por quê de não entregam preservativos femininos durante o carnaval, ou se eles estão disponíveis em postos de saúde, assim como os masculinos. Alguns lugares dizem que sim, outros dizem que não. Terei que investigar melhor.

Já que os perigos são os mesmos, a informação a se passar para os pacientes não é complexa e nem desconhecida, qual o problema então? Chegamos a conclusão que os pontos principais para que as informações não se espalhem são o preconceito e o tabu de falar sobre sexualidade feminina. #machistasnãopassarão

Usuária 1 — Estudante, bissexual

O que mais me chamou atenção dessa entrevista foi a identificação do tabu que é usar a camisinha feminina. A entrevistada contou que não se sente a vontade com os métodos de prevenção que existem hoje, e que acredita que eles são deixados de lado por grande parte das mulheres porque não existe uma cultura de falar sobre eles, logo não são discutidos e nem tem a chance de serem normalizados. Nesse momento ela trouxe o exemplo do coletor menstrual, que era um grande tabu e hoje já é algo visto com maior normalidade.

Falou também que é necessário levar essa discussão para mídia e que esse assunto deveria ser abordado durante o colegial, por exemplo. E que o que ela mais sente falta são informações sobre prevenção.

Essas colocações me trouxeram lembranças maravilhosas. Lembrei da aula em que tive que aprender a colocar uma camisinha em uma banana. Pena que nunca aprendi a colocar a camisinha feminina em nenhuma fruta… e até hoje não sei.

Para acessar o roteiro usado para as entrevistas clique aqui.


Aos poucos to começando a entender que a informação existe e que o ponto central é que ela não é passada a diante. Algumas vezes por preconceito, outras machismo, tabu e até falta de conhecimento. Cada vez mais percebo a importância disso que estou construindo.

Dizem por aí que ser lésbica é uma revolução e um ato de resistência contra o patriarcado, bom… acho que é mesmo.

Essa jornada tá sendo foda. Agradeço aos envolvidos e aos malucos que tem me ajudado!