O fim de um ciclo na minha vida

Rio Liffey — Dublin, Irlanda

Daqui uma semana finaliza mais um ciclo na minha vida, que é o fim do nosso intercâmbio na Irlanda (meu namorado e eu). E isso faz passar um filme na minha cabeça do que vivi nos últimos dois anos, 9 meses entre as primeiras ideias de mudar de vida até embarcar no avião, mais 1 ano e 3 meses morando na Irlanda.

Nessa mesma época em 2015, estava começando a sonhar com essa nova vida que gostaria de ter e eu sabia que precisava mudar muitas coisas para conseguir o que queria. Ainda achava tudo muito distante e praticamente impossível, mas algo dentro de mim me movia a ir atrás desse “impossível”.

Eu só queria ser livre para ser eu. Era pedir demais? Não seria se não fossem as próprias limitações que nós mesmos nos colocamos. Eu queria ser empreendedora e morar noutro país. Mas o que a gente muitas vezes não espera é que toda a grande mudança externa exige uma grande mudança interna. E mudar dói.

Por isso, o ano de 2016 foi muito difícil para mim. Enquanto a minha realidade externa ia mudando por minhas próprias decisões, eu me via despreparada para lidar com tanta coisa. Era a primeira vez na minha vida que me via sem garantias nenhuma (não que elas existam de fato, nunca sabemos o amanhã, mas a gente se ilude, pelo menos). Vivemos muitas mudanças de uma só vez: novo país, novo emprego, novo status de relacionamento (afinal, de namorados passamos para “namoridos”), novos tipos de trabalhos, nova forma de encarar o trabalho, nova língua, nova cultura… E todos os medos aparecendo juntos. Medos dignos daqueles que só os descobrem ao sair de suas zonas de conforto.

Nós temos a ilusão que só quando perdermos o medo conseguiremos fazer determinadas coisas. Contudo, é exatamente o oposto: só perdemos o medo quando vamos lá e fazemos o que tememos.

“Não tenha medo” escrito em uma parede numa rua de Dublin

Assim como os medos apareceram, os sinais e a força para seguir em frente também. Pois bem, passado todo esse tempo, posso dizer que enfrentei cada um. Agora, graças a isso, eu sinto que me tornei a pessoa que deveria me tornar para viver a vida que lá atrás eu sonhei. Não que não tenha coisas para mudar, não que não tenha outros medos para enfrentar, mas esses medos que já passei, não me assustam mais.

Aí vocês podem me perguntar: valeu a pena todo esse sofrimento que os medos me causaram? Sem dúvidas, valeu muito, porque o que ganhei em troca tem um valor imensurável: minha liberdade. Só agora eu consegui o que tanto queria lá atrás: ser livre para ser eu.

Nunca conseguiria escrever em um único texto tudo que vivi e aprendi nesses dois anos. Mas sei que tudo isso ainda será inspiração para muitas histórias que ainda irei contar por aqui.

Por agora, só sinto gratidão! Que seja um lindo final de ciclo, e que seja um lindo começo de um novo. ❤❤

Heleni

Obs: Nos próximos dias, me dedicarei plenamente ao fechamento desse ciclo e ao início do outro, portanto estarei um pouco mais ausente. Mas sigo aqui, conte comigo ;)