Venom — At War With Satan (1984)

Now Playing! (Especial Metal Classics)
Venom — At War With Satan (1984)
Black Metal
Inglaterra
Após gravar dois plays seminais, o Venom partiu para sua empreitada mais ambiciosa. Welcome To Hell (1981) e Black Metal (1982), mostraram ao mundo tudo o que de mais sórdido reserva o Metal e que o trio de Newcastle poderia oferecer em demasia. Mas equivocou-se quem pensou que as glórias obtidas com os lançamentos que subverteram a lógica do New Wave Of British Heavy Metal eram suficientes. O que para alguns soou como megalomania, para Conrad “Cronos” Lant foi a realização de um projeto da juventude. A música At War With Satan, que viria a ser a faixa que tomaria todo o lado A do LP lançado em 1984, é uma pequena parte do conto “ The Book Of Armageddon”, escrito pelo adolescente Conrad e que narrava uma guerra apocalíptica entre céu e inferno, sendo ganha por Satanás. O formato por trás de uma faixa de quase vinte minutos veio de um clássico pouco provável em termos de inspiração aos criadores do Black Metal. 2112 do Rush atiçou a imaginação de Cronos e até se cogitou a continuação da saga, ideia abandonada por vários motivos. A intenção era lançar um disco com um encarte de cem páginas que traria a íntegra do conto escrito pelo vocalista e baixista que, em conjunto com a capa que imitava um livro de couro, traria um impacto visual lindo, e extremamente dispendioso, o custo elevado tornou a iniciativa proibitiva. Por pouco esse clássico não teve uma arte que ilustraria outro clássico do estilo. “Satan I”, do suíço H.R. Giger, acabou sendo capa do maravilhoso To Mega Therion (1985) do Celtic Frost. Era clara a intenção do trio em atingir o estrelato. Pouco antes do lançamento, a banda retornou de uma bem sucedida turnê pela Europa, a “Seven Dates Of Hell Tour”, tendo o Metallica como banda de abertura. Mas o conteúdo das letras e a apresentação herética do play despertaram a atenção dos conservadores e censores dos dois lados do Atlântico. Se de um lado essa polêmica sempre andou de mãos dadas com o Metal, a restrição da venda do disco nas grandes redes limitou o acesso de vários fãs em potencial ao trampo inovador da banda, que provava ser capaz de ir além da agressão pura, brindando a todos com um trabalho complexo e até certo ponto incompreendido, mais pela mídia do que pelos fãs. Não eram raros os períodicos que questionavam suas virtudes musicais. Mas o play semiconceitual trouxe em seu lado B um Venom que todos conheciam e que muitos adoravam odiar. As faixas curtas, poderosas e satânicas mostravam um trio mais maduro e consciente do seu poder de destruição, tanto que a sequência com Rip Ride, Genocide, Cry Wolf e Stand Up (And Be Counted) é soberba e mostra com fidelidade o estágio de evolução da banda. Já em Women, Leather And Hell temos o Venom típico dos EPs e singles: grandioso, impactante e maldoso. Aaaaaaaarrghh é o momento de descontração da banda, anarquicamente provocadora e retrato das raízes Punk do trio.