O Design de Experiência

Para começarmos com o pé direito (ou esquerdo, no meu caso, que sou canhoto), quero discutir uma questão com você: o que o design tem a ver com experiências?

E a resposta é simples: tudo.

Se buscarmos a palavra “experiência” no dicionário, encontramos a seguinte definição:

ação ou efeito de experimentar; conhecimento adquirido pela prática da observação ou exercício: ter experiência. Ensaios, tentativas para verificar ou demonstrar qualquer coisa.

Ou seja, experiência é tudo o que vemos, tocamos, sentimos, cheiramos, saboreamos, tudo o que vivemos. O simples fato de estar aqui, lendo esse texto, é uma experiência. Entender isso nos traz clareza e percepção do momento presente.

Se precisar, respire alguns segundos antes de continuar.

Ok, mas e a relação da experiência com o design?

Ok ok, já chegaremos lá, mas pra isso, é preciso entender um pouco da definição de design, e essa é um pouco mais complicada. Existem teses e mais teses buscando uma definição concreta mas, na minha caminhada como designer gráfico, acabei criando a minha própria definição, o meu próprio caminho:

Design é desenvolver uma solução certeira para uma necessidade, gerando a melhor experiência possível a todos aqueles que irão usufruir dela.

E é aí que começa toda a relação. Resolvi começar a escrever aqui justamente por causa desse significado pessoal encontrado. Muitas pessoas me perguntam qual é a minha especialidade dentro do design. Se sou mais voltado para o digital, com mídias sociais, infográficos, sites e vídeos; ou para o físico, desenvolvendo embalagens, cartazes, cartões de visita; ou para um lado mais estratégico, trabalhando com criação de identidades visuais, branding, etc. Hoje, na minha cabeça, nada disso é realmente importante.

Minhas habilidades técnicas em cada área se desenvolvem conforme as demandas que recebo e através de um estudo constante de assuntos que estimulam meu olhar, minha criatividade, minha sensibilidade artística (sim, eu considero o design uma forma de arte) e a expansão da minha consciência sobre o que existe e o que está sendo feito no campo do design. Por isso, considero que meu foco é trazer experiências incríveis a todos os envolvidos em um trabalho, e isso vai muito além de entregar um produto/serviço/projeto bem feito.

E como isso funciona?

Vamos, então, pensar no processo comum de um serviço de design. O foco começa desde o momento em que o cliente (seja ele meu chefe em um emprego fixo, um cliente direto ou um colega de trabalho) entra em contato, quando há um esforço para se conectar com ele, entender suas questões, necessidades e aflições.

O cliente é seu amigo (ou pelo menos é como você deveria tratá-lo)!

A partir daí, durante todo o processo de ideação e desenvolvimento, continuo esse processo de entrega de experiência ao tranquilizá-lo (principalmente os mais ansiosos e desesperados), mostrar que ele pode depositar sua confiança em mim e, ao mesmo tempo, gerar clareza sobre a importância e profundidade desse processo de criação (e isso vale principalmente para quem acredita que fazer design é simplesmente mexer em algum programa gráfico).

A experiência continua no momento em que trocamos feedbacks, em que as famosas “refações” acontecem e eu não esboço irritação, mas sim empatia e clareza quanto aos nossos objetivos, e, claro, segue até o momento em que entrego a demanda feita com qualidade e no prazo combinado (ou até antes), gerando satisfação e a certeza de que o cliente pode contar comigo em projetos futuros.

O que costuma acontecer no fim de um dia comum de trabalho.

Isso é só um exemplo de como funciona o design focado na experiência humana. Temos que entender o próximo, nos conectar com ele, fazer um trabalho incrível como se estivéssemos fazendo para nós mesmos e entregar o máximo de valor possível, encantando-o e trazendo resultados concretos.

Esse é o meu design. O design que tem a capacidade de encantar através da melhor experiência. E acreditem quando digo: essa é uma área que nunca será desvalorizada.