A insônia de Gregg Popovich

De old-school crítico das bolas de 3 a admirador do Golden State Warriors, técnico dos Spurs perde o sono tentando decifrar seu maior obstáculo

Gregg Popovich e sua relação de ódio com as bolas de três (principalmente as do Golden State Warriors)

por Vagner Vargas

Gregg Popovich chega em casa do AT&T Center após mais uma vitória do San Antonio Spurs na NBA. Tira o sapato, abre uma garrafa de vinho, prepara um sanduíche e senta no sofá para assistir ao VT do jogo. Sim, aquele que ele acabou de ganhar, provavelmente por uma margem enorme de pontos, alcançada por meio de um jogo coletivo de dar inveja a seus rivais.

Sem os intervalos comerciais e as dezenas de paradas técnicas, o ato de assistir à partida dura 1h, 1h30 no máximo. Popovich termina o tape, vai para o quarto, veste seu pijama, dá um beijo na esposa Erin — há tempos já dormindo — e deita na cama. Hora de dormir e descansar para um novo dia de trabalho.

Mas o sono não vem. O senhor de 67 anos rola de um lado para o outro na cama e não consegue dormir. Insônia? Dor nas costas? Adrenalina da partida? Poderia até ser, mas o que realmente deixa Popovich acordado tem nome: Golden State Warriors.

Curry, Dray e Klay: pesadelos para Gregg Popovich

Claro que tudo escrito nesta página até agora é fictício, um exercício de imaginação. Mas alguém duvida de que possa ser verdade? Gregg Popovich comanda um time praticamente perfeito naquilo que faz. Uma equipe que perdeu míseras oito vezes em 53 jogos. Mas uma equipe que, para chegar a mais um título — o sexto de sua gloriosa carreira —, precisa vencer o Golden State Warriors. Como?


Voltamos a 10 de dezembro de 2015. Naquela ocasião, Gregg Popovich deu uma declaração de certa forma polêmica sobre as bolas de três pontos, uma das principais armas dos Warriors.

“Warriors, I’m not entertained”
“Eu ainda as odeio”, disse aos repórteres. “Nunca vou adotá-las. Não acho que seja basquetebol. Acho que é algo como uma coisa de circo. Por que não temos uma bola de 5 pontos? De 7 pontos? Onde esse tipo de coisa vai parar?”

Naquela mesma noite e entrevista, no entanto, ele reconheceu a importância deste aspecto do jogo.

“Mas isso sou apenas eu sendo old-school. Até um certo nível, é melhor você adotar as bolas de três ou você vai perder. Toda vez que nós ganhamos um título as bolas de três foram uma parte importante. É algo muito poderoso e é melhor você ser capaz de fazê-las. E ninguém faz melhor do que o Golden State Warriors. Não posso ser teimoso só por que eu pessoalmente não gosto e acho que elas estragam o jogo… Mas ainda odeio as bolas de três”

Corta para o presente. Sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016. Primeiro dia de eventos do All-Star Weekend. Popovich está lá mais uma vez. Vai comandar a equipe do Oeste no Jogo das Estrelas. E sabe quem continua tirando o sono dele? Adivinhou: o Golden State Warriors.

“Eu passei mais tempo pensando sobre o Golden State Warriors do que qualquer outro time em toda a minha carreira”, assumiu Pop. “Eles são um time muito divertido. Eu compraria um ingresso para vê-los jogar. Quando eu os vejo movendo a bola, fico com muita inveja. Quando os vejo arremessando sem marcação mais do que todo mundo na liga, é inspirador. É um grande basquetebol. Na verdade estou gostando muito deles. Você tenta decifrá-los, mas de certa forma eles são indecifráveis com aquela mistura particular de talentos que eles têm. Não é só uma questão de que Steph (Curry) consegue matar bolas, Klay consegue matar bolas ou Draymond Green é versátil. Todos que estão em quadra são capazes de passar, receber e arremessar. E todos eles entendem isso”

Ao que parece, Popovich vai continuar perdendo muitas noites de sono tentando “decifrar o indecifrável”.

O que eu penso sobre tudo isso? Só espero que Pop e os Warriors agendem um encontro de sete datas daqui a alguns meses.


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