Caiu para cima

Trocado pelos Cavaliers e dispensado pelos Blazers, Varejão vai parar nos Warriors com dinheiro no bolso e o sonho do título mais vivo do que nunca

por Vagner Vargas

Anderson Varejão viveu dias intensos desde que foi trocado pelo Cleveland Cavaliers. Primeiro justamente porque ele foi trocado pelos Cavs. Uma franquia que o brasileiro defendeu por 12 temporadas e onde tinha uma grande identificação com a torcida. Os jogadores sempre falam que a NBA é um negócio (o que é verdade, diga-se), mas eu diria que é impossível para o jogador não sentir os efeitos de decisões tão repentinas e totalmente mercadológicas.

Depois disso, o pivô ainda teve que lidar com o fato de que foi dispensado pelo Portland Trail Blazers, franquia que o adquiriu no negócio com os Cavs e com o Orlando Magic, outro envolvido na troca. Isso significava pelo menos mais 48h de indefinição. Afinal, Varejão teria que esperar passar o período de waivers, em que as franquias poderiam se prontificar a absorver seu gordo salário.

Obviamente isso não ocorreu. Varejão tem 33 anos e já não está mais no auge de sua vida profissional. Por isso, os mais de US$ 9 milhões que ele tem para receber nesta e na próxima temporada não seduziram ninguém.

Para se ter uma ideia do que isso significa, o salário de Varejão é o mais alto dos Blazers. Disparado. Depois dele, quem mais ganha dinheiro na equipe é Ed Davis, com US$ 6,9 milhões. Damian Lillard, o craque do time, está em sua última temporada com um contrato de apenas US$ 4,2 milhões. Chris Kaman e Gerald Henderson também ganham mais do que o armador, por exemplo.

Dito isso, é bom ressaltar que o Portland é o time com a folha salarial mais baixa da NBA. Ou seja, eles podem se dar ao luxo de absorver Varejão sem prejudicar o futuro. Os Blazers acionaram a Stretch Provision, cláusula que permite parcelar o salário de um jogador. Sendo assim, Varejão vai ter um impacto de apenas US$ 1,8 milhões no teto salarial da franquia pelas próximas cinco temporadas.

Mas e Varejão? Durante as 48h nos waivers, vieram os boatos. San Antonio Spurs, Oklahoma City Thunder, Golden State Warriors… Aos 33 anos, o veterano brasileiro foi disputado e gerou interesse dos principais candidatos ao título da NBA, de acordo com o que se reportou na imprensa norte-americana.

Ou seja, o brasileiro continuará recebendo seu gordo salário e ainda pôde escolher não só a equipe em que teria mais espaço, mas também a que poderia lhe render o tão sonhado anel de campeão da liga. Escolheu os Warriors.

Varejão se junta a Curry, Thompson, Green, seu compatriota Leandrinho e ao técnico Steve Kerr. A partir de agora, ele faz parte do sonho do bicampeonato dos Warriors. E quem sabe pode entrar para a história como um dos que ajudou os Warriors a quebrar o histórico recorde de 72 vitórias do Chicago Bulls.

Dentro de quadra, o pivô brasileiro ainda tem basquete a oferecer. Além de representar uma boa presença defensiva no garrafão, Varejão oferece aos Warriors mais um jogador que abraça o jogo coletivo e, mais do que isso, é inteligente dentro de quadra. A vasta cabeleira voando pode até enganar e dar um ar estabanado a Varejão, mas ele é um cara que sabe trabalhar no pick and roll e tem passe e visão de jogo para se adequar ao veloz ataque em Golden State.

Resumindo: Varejão caiu para cima. Certamente não é fácil para ele deixar Cleveland para trás, mas em Oakland ele tem muito mais chances de se tornar o terceiro brasileiro a adornar o dedo com o anel de campeão da NBA. O que parecia ruim pode ter se tornado uma benção.

Claro que ele terá que estar no topo de seu jogo para conquistar algum espaço em quadra. Mesmo com a lesão de Festus Ezeli, o brasileiro vai precisar se desdobrar para se encaixar. Um final frustrante não é impossível, mas como Varejão teve o poder de escolha, sem dúvidas ele acredita que os Warriors representam a melhor oportunidade para ele em todos os sentidos, incluindo tempo de jogo. Caso isso se confirme, Rubén Magnano agradece. Com a lesão de Tiago Splitter, o pivô cabeludo ganhou ainda mais importância pensando nos Jogos Olímpicos Rio 2016.