Fé no sistema

Cria do San Antonio Spurs, o técnico Mike Budenholzer comanda o Atlanta Hawks a outra campanha sólida mesmo após ter perdido jogadores importantes

Popovich, o mestre, e Budenholzer, o aprendiz: parceria rendeu quatro títulos

Por Samir Mendes

Mike Budenholzer já havia provado ser um bom aluno na temporada 2014–15`, quando liderou o Atlanta Hawks a uma campanha de 60 vitórias e 22 derrotas — a melhor do Leste — , antes de ser eliminado nas Finais de Conferência por LeBron e os Cavs. Porém, é na temporada atual que o ex-assistente técnico de Gregg Popovich vem mostrando, de fato, tudo o que aprendeu nos 18 anos em que trabalhou no San Antonio Spurs.

Com Popovich e Cia., Budenholzer esteve presente em quatro dos cinco títulos vencidos pela franquia do Texas (1999, 2003, 2005 e 2007). Ele trabalhou ao lado de nomes importantes, como David Robinson, Steve Kerr, Stephen Jackson, Bruce Bowen, Robert Horry, Tony Parker, Manú Ginobili, Michael Finley e dezenas de outros que contribuíram para o sucesso da equipe em três diferentes décadas. Lá, ele não só aprendeu como também colaborou com a criação de um sistema que privilegia a eficiência e o passe, independentemente das peças que chegam e que saem.

O sucesso e a necessidade do uso de tal conceito vem sendo demonstrado em Atlanta, que perdeu dois de seus principais jogadores no último offsesason. O armador Jeff Teague e o ala/pivô Al Horford, junto de Paul Millsap, eram a espinha dorsal da equipe, jogadores que não são superestrelas, mas contribuíam para o sucesso dos Hawks justamente por não terem a necessidade de estarem sempre com a bola nas mãos e marcar 25 pontos por noite.

Esse sorriso não tem enganado ninguém, Dwight!

A desconfiança em cima do desempenho de Atlanta na atual temporada aumentou quando Teague e Horford foram substituídos, respectivamente, por Dennis Schroder e Dwight Howard. O primeiro, apesar de ter sucesso saindo do banco, era uma incógnita em relação a como ia se sair como titular e líder da equipe em quadra; já o segundo, além de ter sofrido com lesões nas últimas temporadas, vinha sendo questionado em relação ao seu caráter e dedicação ao jogo.

Até aqui, no entanto, as apostas têm dado muito certo. Os Hawks têm um recorde de 9 vitórias e 3 derrotas e têm dado toda a pinta de que desafiarão os Raptors como segunda força do Leste. Alguns números ajudam a explicar o porquê do sucesso da equipe neste começo de temporada:

Jeff Teague na temporada passada: 
15.7ppg, 5.9apg, 43.9FG%

Dennis Schroder na temporada atual:
16.1ppg, 6.2apg, 45.1FG%

Al Horford na temporada passada:
15.2ppg, 7.3rpg, 50.5FG%

Dwight Howard na temporada atual:
14.4ppg, 12.9rpg, 60.6FG%

Além de um Dwight Howard revigorado por estar jogando “em casa” e um Dennis Schroder mais do que compensando pelas saídas de Horford e Teague, Atlanta tem contado com contribuições do sempre sólido Paul Millsap e de jogadores menos badalados como Kent Bazemore, Tim Hardaway Jr. e da revelação Mike Muscala, que tem marcado 10ppg.

Todas essas contribuições têm feito os Hawks terem um desempenho parecido com o da temporada em que venceram 60 jogos (Até o momento, Atlanta é o segundo melhor time em roubadas de bola, assistências e FG%, o nono melhor ataque e a sétima melhor defesa). Caso se mantenham saudáveis, Budenholzer e Cia. já demonstraram que têm bala para brigar na parte de cima da tabela. A questão que fica é o quão revelante os bons números serão na hora de brigar com os DeRozans e LeBrons da vida nos playoffs.


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