Marido, pai, filho, irmão e jogador. O verdadeiro Steph Curry


por Vagner Vargas

Todos nós conhecemos Stephen Curry como jogador de basquete. Armador do Golden State Warriors. Mais recentemente, MVP da NBA. E é assim que nós costumamos vê-los. Como profissionais de um esporte, ganhando milhões de dólares para colocar a bola na cesta. Às vezes é até fácil esquecer que, fora daquelas 2h30 em que estão em quadra, são pessoas normais.

Em sua página do Twitter, naquelas poucas linhas em que devemos falar sobre nós, Steph Curry diz que é, primeiramente, alguém que acredita, um “Believer”, nas palavras dele. Depois, é marido, com direito a divulgação do perfil da esposa, @ayeshacurry. Em seguida, ele é pai da Riley, filho e irmão, nessa ordem. Só depois disso tudo ele nos informa: armador do Golden State Warriors.

O marido, pai, irmão, filho e jogador cometeu um erro aos olhos de alguns (poucos, eu prefiro acreditar). Saiu de quadra após uma vitória na final da Conferência Oeste, tirou o uniforme e com ele a roupa de jogador. Vestiu uma camiseta qualquer, uma calça e saiu do vestiário. Trajado assim e acompanhado da filha Riley Curry, foi conversar com os repórteres que o aguardavam depois da partida. Aguardavam o armador dos Warriors, não o pai. Mal sabem eles que são a mesma pessoa.

Curry, o MVP da temporada, levou a pequena Riley, de 2 anos de idade, para curtir aquele momento junto com ele. Curtir uma vitória do pai. Sentada no colo dele, Riley deu um show de carisma e acabou virando notícia. Reclamou do barulho, brigou para sentar do lado que queria, passeou pela mesa, deu tchauzinho pros repórteres e deu até sermão no papai MVP.

Fofa a menina, não? Uma figura. O próprio Steph reconheceu no fim das contas: “e ela só tem 2 anos. É uma loucura”.

Mas pasmem, houve colegas da imprensa de lá que não gostaram da presença da pequena Riley na sala de entrevistas. Dizem eles que a menina atrapalhou o andamento da coletiva, tumultuou um ambiente sério e por aí vai.

Sinceramente, a única coisa que Riley Curry fez foi humanizar e tornar mais atrativo um momento altamente protocolar — mas necessário, reconheço. A herdeira dos Curry movimentou o ambiente como uma criança de 2 anos deve fazer. Virou notícia, embora muitos não tenham notado a pauta ali, brincando no colo do pai bem na frente deles. O único “crime” da pequena foi arrancar risadas de todos ali presentes, inclusive do próprio Steph.

Além de discordar de que a simples presença da filha no colo do pai atrapalhe qualquer coisa, eu parei pra pensar no lado humano da coisa. A temporada da NBA começa oficialmente no fim de outubro/começo de novembro. Nós estamos em maio e o campeão só será conhecido em junho. No fim das contas, são cerca de 8 meses intensos, de muita viagem, muitas noites em hotéis, treinos, jogos, compromissos profissionais e tudo mais que envolve a rotina de um jogador da NBA. Sem contar coisas como a pré-temporada e compromissos com a seleção. Somando tudo isso o resultado é: muito tempo fora de casa, longe da família.

A família Curry no Instagram

É sério que há alguém que queira privar um pai de passar preciosos minutos com sua filha porque meia dúzia de gatos pingados acha que isso vai atrapalhar uma entrevista coletiva? Não é possível enxergar o cara que está ali respondendo os questionamentos como uma pessoa normal, que tem dias bons, ruins, que tem uma família? Que é marido, pai, filho e irmão de alguém, como o próprio Steph se apresenta?

O Golden State Warriors venceu o jogo 2 e abriu 2 x 0 na série. Desta vez, talvez para não colocar mais lenha na fogueira (ou não), Steph Curry apareceu sozinho na sala de entrevistas, sem a companhia da adorável Riley. As perguntas foram as mesmas, as respostas idem.

Uns concordam, outros discordam, mas o que me deixou mais satisfeito na repercussão dessa história toda foi o recado sutil que a própria NBA passou. Um tapa com luva de pelica nos chatos reclamões.

Esse vídeo foi postado em 21 de maio, quando ainda se discutia a presença da menina na coletiva. Para mim, a liga deixou claro o recado, mas nunca é demais reforçar: mais Riley Curry para combater a chatice, NBA, por favor.


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