Não basta ser ruim

É preciso zoar

Por Samir Mendes

Perder faz parte do jogo. Aliás, de um ponto de vista lógico e estatístico, pelo fato de que competir em esportes profissionais só permite consagrar apenas um campeão, pode-se dizer que perder é muito mais comum e recorrente que vencer. Na NBA, há diversas maneiras de perder. Algumas, como lesões em momentos cruciais da temporada e dos playoffs, pertencem ao acaso e estão fora do controle das equipes e dos jogadores. Outras, como trocas questionáveis e contratos com jogadores supervalorizados e não mais em seus auges, poderiam ser evitadas com a presença de profissionais competentes e de planejamento.

Todas as franquias da NBA já sofreram, em algum momento, com o primeiro tipo de eventualidade. A maioria já tomou decisões ruins em relação a trocas e contratos. Porém, o New York Knicks é uma das únicas que parece se esforçar para estabelecer uma cultura de incompetência sistemática.

A temporada atual é um resumo interessante dos 70 anos de existência (e inaptidão administrativa) da franquia de Nova York. Após mais uma temporada — a terceira seguida — fora dos playoffs, o presidente e gerente-geral Phil Jackson, contratado para fazer destes Knicks uma equipe vencedora (de forma responsável), contratou um armador titular que perdeu mais jogos nas últimas duas temporadas do que Tim Duncan em todos os seus 18 anos na liga, e deu a um pivô de 31 anos e que brigou com lesões nos últimos dois campeonatos um contrato de US$ 72 milhões (por quatro anos).

Adicionando uma dose de crueldade à história, a equipe até que respondeu bem aos reforços. Com Derrick Rose saudável e jogando bem, os Knicks alcançaram uma campanha de 14 vitórias e 10 derrotas, chegando a ocupar a terceira posição da Conferência Leste. A lua de mel, no entanto, acabou rápido.

Nos últimos 10 jogos, os Knicks acumularam nove derrotas, contam com um retrospecto total de 17 vitórias e 22 derrotas e se encontram na 11a posição da conferência (resultados contabilizados até a divulgação deste post).

Os problemas da equipe, no entanto, como demonstrados pelos acontecimentos desta semana, vão além de uma defesa vacilante. No jogo contra o New Orleans Pelicans, na segunda-feira, Kyle O`Quinn foi expulso após empurrar Anthony Davis, que marcou 40 pontos em três períodos. Carmelo Anthony, dando sinais de envelhecimento e frustração, fez companhia ao colega de time após reclamar da arbitragem (Carmelo lidera a liga no quesito expulsões na atual temporada). Ah, sim, Derrick Rose, que vinha se desentendendo com o técnico Jeff Hornacek após ser substituído no quarto período em dois jogos consecutivos, simplesmente resolveu não aparecer para a partida e não avisar ninguém da equipe (o armador alegou depois que precisou ir para Chicago para ficar com a família e que não atendeu às ligações do time porque precisava de “espaço”).

Todos esses são sinais de uma equipe em que a falta de profissionalismo e de um rumo têm sido o modus operandi. É simbólico então que a derrota no jogo seguinte tenha sido um buzzer beater para o Philadelphia 76ers, outra franquia que vem sendo questionada quanto aos seus métodos.

Apesar das temporadas consecutivas no fundo da tabela, os Sixers adquiriram talento e, em meio às críticas, se mantiveram fiéis ao “Processo”, dando sinais de que todas aquelas derrotas irão, enfim, ser justificadas. Enquanto isso, os Knicks continuam à deriva, vivendo da fama e do glamour de Nova York. E nada mais.


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