Na pegada de Draymond Green

Warriors abrem 2 x 0 sobre os Cavs na final com mais uma grande atuação de seu ala-pivô

Por Vagner Vargas

Cara de mal. Braços flexionados mostrando os músculos. Alguns gritos. Cinco bolas de 3. Muita raça e vontade. Um monstro na defesa. Depois de 2 jogos, o MVP das finais.

Falo de Draymond Green.

Foram 28 pontos (5 bolas de 3 em 8 chutadas), 7 rebotes, 5 assistências e 1 roubada de bola. Mas não há número que explique a importância do ala-pivô na situação em que seu time se encontra agora.

O Golden State Warriors atropelou, dizimou, massacrou — pode escolher o verbo mais adequado — o pobre Cleveland Cavaliers no jogo 2 da final da NBA: 110 x 77.

Como isso ocorreu? Em alguns pontos, a explicação é semelhante à do jogo anterior, mas os Warriors mostraram força em outras áreas, o que é preocupante demais para os Cavaliers.

Mais uma vez os Splash Brothers não foram aqueles monstros que estamos acostumados a ver, embora tenham melhorado consideravelmente suas contribuições. Juntos, Steph Curry e Klay Thompson fizeram 8 tiros de longa distância em 16 chutes. Ótimos 50% de aproveitamento. Foram 18 pontos do MVP e 17 de Klay. Isso em minutos reduzidos, é bom ressaltar: 24 para Curry e 31 para Thompson.

Então o banco dos Warriors não rendeu a mesma coisa, certo? Errado. Foram 40 pontos da turma que começa o jogo sentadinha ao lado de Steve Kerr. Shaun Livingston baixou a bola e terminou o jogo com apenas 7, enquanto Leandrinho, outra vez muitíssimo bem em quadra, contribuiu com 10. Iguodala fez os mesmos 7 de Livingston, mas o impacto que ele teve mais uma vez foi imenso. Basta dizer que os Warriors tiveram um saldo positivo de 28 pontos enquanto ele esteve em quadra. O maior número de todo o time.

Então está explicada a surra, né? Se o banco manteve o bom desempenho e as estrelas jogaram bem… Mais ou menos. É preciso olhar com cuidado outros detalhes e também o que está acontecendo do outro lado, nos Cavs.

No primeiro jogo, os Warriors cuidaram muitíssimo bem da bola e cometeram poucos turnovers. Dessa vez foi diferente. A equipe desperdiçou a bola 20 vezes, um número bastante alto. Por outro lado, o pessoal de Oakland venceu a batalha dos rebotes, que havia perdido no jogo 1: 46 x 34.

Mas o principal mesmo foi a defesa. Os Warriors limitaram os Cavaliers a um aproveitamento pífio de 35,4% nos arremessos de quadra. Desta vez, nem o Big 3 formado por LeBron, Irving e Love conseguiu se destacar. Foram apenas 5 bolas de 3 em 23 tentadas. Nem os lances livres ajudaram: 16 em 24.

LeBron fez 19 pontos acertando apenas 7 chutes em 17. Mais uma vez um aproveitamento baixo. Love e Irving foram piores ainda. O ala-pivô jogou apenas 20 minutos e fez 5 pontos antes de sair após tomar uma pancada na cabeça. Já o armador, cestinha do primeiro jogo com 26 pontos, somou apenas 10.

Os Cavs fizeram um bom primeiro quarto, forçando erros e acelerando mais os contra-ataques. Chegaram a abrir uma pequena vantagem de 6 pontos, mas os Warriors sempre responderam rápido, voltando a encostar no placar sem demora. A surra veio especialmente no terceiro quarto, o qual os Warriors venceram por 30 x 18. Fatal para uma partida de final, na casa do adversário.

Tyronn Lue disse após o jogo que se surpreendeu com a velocidade dos Warriors. Ele foi o único. O técnico dos Cavs — novato — parece meio perdido. A versatilidade ofensiva e defensiva dos atuais campeões tem se mostrado um verdadeiro inferno para Lue.

Seu time não consegue repetir os bons desempenhos contra os adversários anteriores — e inferiores. Os Cavs não conseguem rodar a bola com rapidez e fluidez. Consequentemente, não conseguem achar os bons tiros de 3 que foram a marca registrada até então. Mérito total para os comandados de Steve Kerr. Os Warriors estão dando uma aula defensiva nessa final, cortesia da vasta capacidade de adaptação do elenco reunido em Oakland.

Mais uma vez os Cavs se viram forçados a arremessar incomodados, graças à velocidade de recuperação dos Warriors quando a bola ia de dentro do garrafão para fora e à sincronia que o time atingiu ao trocar loucamente de marcadores ao longo das jogadas.

Com 2 x 0 no placar, os Warriors vão para os dois próximos jogos, em Cleveland, sem pressão alguma. O oposto do que foi a série contra o Thunder, em que o time se viu encurralado e com a faca no pescoço nos jogos 5 e 6. Como Curry e Cia. vão reagir a essa situação é algo que estou ansioso para ver.

Já os Cavs precisam tentar algo a mais. Tyronn Lue tem que buscar soluções ofensivas e defensivas que permitam com que seu time não fique tão em desvantagem dentro de quadra. O problema é que os Warriors são que nem o famoso cobertor curto. Se você puxa de um lado, deixa o outro vulnerável. Lue vai ter muito trabalho pela frente.

De qualquer forma, a equipe tem dois jogos em casa, diante de sua torcida, para buscar reviver na série. A final está longe do fim ainda, é bom dizer. São duas partidas em Cleveland, onde o time fatalmente jogará com outra energia e tem sim capacidade para se reerguer. Os playoffs desse ano já nos mostraram que uma surra não significa nada além de uma vitória. Vimos times voltando, dando trabalho e até o troco no fim.

Hoje, os Cavs parecem frágeis e destinados a perder mais uma vez. Mas nada que dois jogos em Cleveland não possam mudar. Aguardemos.


Aproveite que chegou até o fim para curtir o post aqui no Medium e recomendá-lo à comunidade. É só clicar no ❤. E se não for pedir demais, curte a gente lá no Facebook também. =)

Like what you read? Give Vagner Vargas a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.