Os personagens de
um título

Do craque ao coadjuvante: os campeões da NBA enumerados de 1 a 8


por Vagner Vargas

Vocês já sabem: o Golden State Warriors é o campeão da temporada 2014–2015 da NBA. Um título que coroou uma temporada não menos que fantástica de diversos pontos de vista. Um time que, como colocou muito bem meu amigo Fábio Balassiano, do Bala na Cesta, quebrou paradigmas para chegar lá.

Um time que não era o mais alto, o mais forte nem o mais intimidador fisicamente. Mas um time extremamente talentoso, ciente de sua capacidade impressionante de colocar a bola na cesta e que se doou ao máximo para se tornar uma força defensiva na NBA.

Mais do que isso, uma equipe altamente maleável, capaz de se adaptar aos mais diversos estilos de adversários que atravessaram seu caminho. Tudo graças ao técnico Steve Kerr, que teve uma leitura de jogo perfeita quando perdia a série por 2–1, e soube extrair o máximo da versatilidade de seu elenco.

Abaixo segue uma lista com um pequeno resumo dos personagens que marcaram essa conquista.

1. O craque

Stephen Curry não foi eleito o melhor jogador da temporada regular a toa. O habilidoso e mortal armador dos Warriors não se intimidou com o favoritismo de sua equipe nos playoffs e manteve o altíssimo nível de atuações quando mais se exigiu dele.

Em seis jogos contra os Cavaliers, Curry foi o cestinha do time, com média de 26 pontos por jogo. O aproveitamento absurdo nos 3 pontos que ele teve durante toda a temporada caiu para 38,5%. Algo natural para um jogo muito mais pegado como nas finais. Ainda assim, Curry pulverizou o recorde de bolas de 3 convertidas nos playoffs. Foram inacreditáveis 98 tiros certeiros. O antigo recorde? Reggie Miller, com 58.

É muito difícil ganhar um título da NBA sem uma estrela no elenco. Stephen Curry assumiu esse papel com maestria e o honrou até o último segundo. Além de tudo isso, o camisa 30 magricelo dos Warriors incorporou também a responsabilidade de ser o jogador mais divertido de se assistir atualmente. Merecido.

2. O “sniper”

Essa alcunha poderia muito bem ser dada ao genial Stephen Curry também, mas vou me ater a um papel a cada personagem do título. Não fossem os números ridículos (como diria Everaldo Marques) do camisa 30, Klay Thompson poderia facilmente ser considerado o melhor arremessador de longa distância da NBA atualmente (com um empate técnico com Kyle Korver, diga-se).

Klay contribuiu em média com 15,8 pontos por partida nas finais, abaixo de sua média de 21,7 na temporada regular, e com um aproveitamento bem mais baixo também — 30%. Mas a capacidade do ala em matá-las com eficiência foi fundamental para a fluidez que o ataque dos Warriors conquistou ao longo da série.

Foi um inferno para todos que marcaram Klay durante a série caçá-lo fugindo atrás dos bloqueios dos Warriors que visavam livrá-lo para seus chutes precisos. Apesar de batalhar com problemas de faltas ao longo da série, Klay também teve papel importantíssimo na defesa e nos rebotes. Um coadjuvante de luxo, beirando o estrelismo

3. O faz-tudo

Pense em qualquer função que um jogador de basquete precisa exercer dentro de quadra. Agora coloque Draymond Green lá e veja-o executá-la não só com facilidade, mas com eficiência e vontade absurdas.

Mesmo ficando abaixo de sua capacidade e do que vimos fazendo ao longo de toda a temporada, Green saiu das finais com médias de 13 pontos, 8,3 rebotes e 5 assistências. Aos 24 anos, o armador-ala-pivô-líder do Golden State Warriors é um verdadeiro camaleão do basquete.

Com uma defesa de primeira linha, inteligência, visão de jogo, um arremesso aceitável de longa distância, bons passes, força física pra jogar embaixo da cesta e marcar os jogadores de garrafão adversários, Draymond Green compensou as atuações abaixo da média nas finais com coração. Uma boa parte do título dos Warriors saiu direto do peito do camisa 23.

4. O low profile

Caçula do time com apenas 22 anos, Harrison Barnes é aquele cara que às vezes a gente até esquece que está em quadra. Mas aí ele faz uma bola de 3 fundamental aqui, rouba uma bola ali, dá outro toco lá e voltamos a notar o quanto ele é importante em quadra.

Barnes não teve números espetaculares, com 8,8 pontos e 5,8 rebotes de média, mas em um time com Curry e Thompson, o menino de 22 anos foi um dos únicos dois atletas dos Warriors a matar as bolas de longa distância com um aproveitamento superior a 40% na decisão (42,1%).

A versatilidade de Harrison Barnes na defesa também foi importantíssima para o técnico Steve Kerr. Graças à capacidade dele e de Draymond Green de defender jogadores maiores e mais fortes (Tristan Thompson e até Timofey Mozgov), o treinador pôde executar o small ball que se mostrou tão efetivo a partir do jogo 4.

5. O “tio” Barbosa

Aos 32 anos, Leandrinho foi o mais velho e experiente jogador do campeão Golden State Warriors. O título veio para fechar com chave de ouro o retorno do brasileiro à NBA. Após um período conturbado, em que seu futuro na liga ficou indeciso, Leandrinho mostrou que ainda tem seu valor no melhor basquete do mundo.

Os 31 pontos anotados ao longo dos seis jogos da final, em uma média de pouco mais de 10 minutos em quadra, podem não parecer muito, mas o brasileiro fez sua presença sentida no elenco de Steve Kerr. Aos 32 anos, Leandrinho demonstrou uma evolução defensiva grande em um estágio da carreira no qual tal crescimento não é comum. Assimilou bem seu papel na equipe e concretizou um sonho: pisou na quadra e participou da conquista de um título da NBA. O segundo atleta do país a chegar lá. Um feito e tanto.

6. O MVP

Quem diria que, em 2015, Andre Iguodala seria o MVP das finais da NBA? E jogando e marcando LeBron James? Pois é, ele chegou lá. Iggy não começou um jogo sequer como titular na temporada regular, mas foi ele a peça-chave que causou a reviravolta na série.

Com 31 anos de idade, o ala fez o possível e o impossível para atrapalhar o imparável LeBron James. Foi de longe quem melhor marcou o rei de Cleveland na série. Virou titular no jogo 4, em uma aposta de Kerr numa equipe mais baixa, porém mais rápida e agressiva na marcação.

O resultado dessa aposta foram três vitórias. Três jogos com atuações memoráveis de Iguodala não só na defesa, mas também no ataque. Só não foi perfeito por ter encarnado Shaquille O’Neal e Dwight Howard na hora de cobrar lances livres, mas quem é perfeito? Iggy deixou as finais com médias de 16,3 pontos, 5,8 rebotes, 4 assistências e o merecidíssimo troféu de MVP.

7. O comandante

Já elogiei bastante Steve Kerr ao longo deste texto, mas seria impossível terminar sem citá-lo novamente. Em sua primeira temporada como treinador não só chegou ao título como foi decisivo para tal. Ele não fez uma cesta sequer, mas leu bem demais o que acontecia em quadra quando sua equipe parecida dominada pelos Cavaliers.

Ele nunca tinha vivido tal situação como técnico, mas teve a coragem de sacrificar seu jogador mais alto e principal reboteiro em uma série que os Cavs controlavam graças ao ritmo de jogo cadenciado e a força nos rebotes. Kerr apostou alto (ou baixo?) ao trocar Andrew Bogut por Andre Iguodala na equipe titular e manteve a confiança em sua estratégia mesmo quando ela parecia não funcionar.

O resultado não demorou a vir e hoje ele é campeão da NBA mais uma vez. Depois de conquistar o título da liga cinco vezes como jogador (jogando ao lado de Jordan nos Bulls e Duncan nos Spurs), ele começou a perseguição pelos anéis em um novo papel. E que começo arrasador.

8. Menções honrosas

Nem só de craques e estrelas vive um time campeão. E talvez sem caras com Shaun Livingston, Andrew Bogut, Festus Ezeli, Marreese Speights e David Lee o caminho tivesse sido ainda mais duro. Cada um exerceu um papel que pode não parecer tão relevante em forma de estatística, mas todos os jogadores citados tiveram momentos e sequências que foram sim fundamentais para a recuperação ou a manutenção de uma vantagem em um dos seis jogos da final. São tão campeões quanto Curry, Thompson, Iguodala e Cia.


Curta a página do High Five no Facebook e siga a gente no Twitter também. Se gostou do texto, dê uma força clicando em “Recommend” =)

Like what you read? Give Vagner Vargas a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.