Pachecando na NBA — 2º bloco

Por Vagner Vargas

Dando continuidade à onda verde e amarela que invadiu o High Five, o Pachecando na NBA versão 2016 chega a seu segundo e último bloco. Depois de analisar o que vem por aí para Leandrinho, Raulzinho, Varejão e Nenê, chegou a hora de falar sobre os demais brasileiros que vão disputar a liga norte-americana na temporada 2016–2017.

Primeira parte

Tirando Tiago Splitter, cara já estabelecido na NBA, a segunda leva dos brazucas terá que trabalhar muito para ganhar espaço em seus respectivos clubes. Sem mais delongas, vamos ao desfecho da nossa “série”.


Splitter contra o DM

O Atlanta Hawks se despediu de seu antigo pivô titular, Al Horford, e deu boas-vindas ao novo dono do pedaço: Dwight Howard. Sonho antigo da fraquia, o pivô chega a Atlanta com a missão de ser na cidade o que foi nos tempos de Orlando Magic: a âncora defensiva e protetor do aro. Depois de temporadas conturbadas em Los Angeles e Houston, Howard tem mais uma chance para mostrar que ainda pode render e liderar sua equipe à pós-temporada.

Mais tempo em quadra, menos no DM

A chegada dele impacta diretamente na vida do brasileiro Tiago Splitter. A princípio, o brasileiro assume o papel de reserva imediato de Howard. Guardadas as devidas proporções, Tiago tem características parecidas com o titular, primando pela defesa, embora se baseie mais em movimentação, leitura e posicionamento do que na capacidade física para dar tocos e segurar a marcação no um contra um.

Mas o maior desafio para Splitter talvez seja a parte física. Voltando de uma lesão que o tirou dos Jogos Olímpicos, o pivô travará uma batalha que não tem costumado vencer: contra as lesões. Para ter sucesso, Tiago vai depender tanto do fato de estar saudável quanto de ganhar minutos para desempenhar seu papel. Talento e qualidade para atuar na maior liga do mundo ele já mostrou que tem, falta poder demonstrar isso com mais consistência. Atlanta pode ser um bom lugar para chegar lá.


No meio da reconstrução

Primeiro brasileiro a vestir a camisa do Los Angeles Lakers, Marcelinho Huertas teve uma temporada de estreia difícil na estrelada Hollywood. Ao mesmo tempo em que ensaiava uma reconstrução, os Lakers se despediam de Kobe Bryant. Foi uma situação completamente atípica que teve impacto em todos os jogadores do elenco. Não seria diferente com Huertas.

Com a aposentadoria de Kobe, os Lakers agora focam de vez na reconstrução. O time aposta nos jovens Jordan Clarkson, D’Angelo Russell, Julius Randle e no recém-adquirido Brandon Ingram. No meio disso está o veterano e experiente brasileiro. Para piorar, Huertas terá a concorrência de José Calderon na reserva de Russell, outro jogador rodado e velho de guerra.

Huertas será um dos vovôs dos Lakers na próxima temporada

A briga por minutos será intensa não apenas pela concorrência, mas pelo fato de os Lakers provavelmente estarem inclinados a deixar suas jovens promessas aprenderem o máximo possível dentro de quadra. Assim, Huertas e o próprio Calderón devem ser vistos mais com papel de desenvolvedores do que peças importantes em busca de vitórias.

Mais uma vez a temporada promete ser difícil para Huertas em L.A., com poucos minutos e muitas derrotas.


Oportunidade em Chicago

Cristiano Felício, ou simplesmente Felino, foi a agradável surpresa do Brasil na temporada passada na NBA. Depois de ir brigar por um contrato na pré-temporada e conseguir, o brasileiro terminou a campanha dos Bulls ganhando valioso tempo de quadra e, mais importante do que isso, mostrando serviço para sua franquia.

Felino. Da. Massa.

Com a saída de Pau Gasol e a chegada de Robin Lopez para a titularidade na posição 5, é lá que Felício pode ganhar mais oportunidades. Na posição 4, os Bulls contam com Taj Gibson, Nikola Mirotic e Bob Portis, o que já sobrecarrega os minutos. Mas sem Gasol e Noah, outro que saiu do time, a vaga na rotação de pivô fica aberta para quem se mostrar pronto para ela.

Felício terá mais um desafio grande na carreira, já que terá que se adaptar a função e bater de frente com jogadores maiores e mais pesados, mas levando em conta tudo que ele passou para cavar seu lugar no elenco dos Bulls, a perspectiva é boa para o brasileiro. Além disso, ele terá a chance de acompanhar de perto o desenvolvimento do novo trio formado em Chicago, composto por Wade, Rondo e Butler, além de aprender diariamente com um campeão como o ala-armador ex-Miami Heat.

Mais uma oportunidade de ouro para Felino, que deve usar unhas e dentes para aproveitar mais uma vez.


Faltam dois anos

Quando foi selecionado no Draft pelo Toronto Raptors, Bruno Caboclo estava a dois anos de estar a dois anos de estar pronto. A frase ficou famosa e caminhou ao lado do brasileiro desde então. Lá se foram dois anos e a sensação é de que realmente Caboclo ainda está a dois anos de estar pronto para contribuir.

Caboclo: ainda faltam dois anos?

Entre indas e vindas para a Liga de Desenvolvimento (D-League), o ala ainda não conseguiu traduzir a envergadura e o tamanho que chegaram a compará-lo a Kevin Durant em efetividade dentro de quadra. O brasileiro segue inconsistente dentro do jogo e ainda parece jogar em uma velocidade diferente da dos demais.

Para 2016–2017, a tendência é que Caboclo siga a mesma toada. É bom ressaltar, no entanto, que o brasileiro tem apenas 21 anos e tem uma carreira inteira pela frente. Os dois anos que passou em Toronto até agora certamente foram de muita valia, mas está chegando a hora de Caboclo dar o salto que tanto se espera dele.

No mesmo Toronto Raptors, Lucas Bebê mostrou mais evolução que o compatriota e deve ter mais espaço na rotação atrás de Jonas Valaciunas. O pivô deu sinais positivos no jogo de pick and roll e nos rebotes e parece ter mais confiança da organização, embora ainda precisa de mais consistência para passar a ser parte da rotação de vez.

Bebê em busca de espaço na rotação de pivôs

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