Pachecando na NBA 2016 — 1º bloco

Leandrinho, Raulzinho, Anderson Varejão e Nenê nas primeiras previsões da brasileirada no basquete norte-americano

Por Vagner Vargas

Toquem o cavaquinho, vistam o verde e o amarelo e pendurem as bandeiras na janela da sala: chegou a hora da versão 2016 do Pachecando na NBA. No ano passado a gente fez uma série de posts sobre o que esperar da brasileirada que está atuando no basquete norte-americano. Um ano depois, estamos de volta. Baixe o Pacheco que há dentro de você e vamos analisar o poder do verde e amarelo na terra do Tio Sam.

Ao contrário de 2015, em que dedicamos posts específicos para cada um dos brazucas, esse ano vamos praticar nosso poder de síntese e colocar tudo em pacotes. O primeiro deles é esse aqui, onde vamos falar de Leandrinho e seu reencontro com o Phoenix Suns, da situação de Raulzinho em Utah, da vida de Anderson Varejão nos Warriors e da concorrência de Nenê no Houston Rockets.


Onde tudo começou

A primeira parada do Pachecando 2016 é em Phoenix, no Arizona. Pela terceira vez na carreira é lá que estará Leandrinho Barbosa. Muito tempo se passou desde que ele chegou em Phoenix pela primeira vez, saindo do Brasil, para explorar a NBA. Hoje, Leandrinho agrega de uma forma completamente diferente ao elenco dos Suns. Sai o menino humilde do Brasil e entra um veterano e experiente jogador.

Leandrinho versão adulta: óculos no rosto e camisa 19 nas mãos

Aos 33 anos — o segundo mais velho do elenco, atrás apenas de Tyson Chandler — , Leandrinho terá um papel talvez mais importante fora do que dentro de quadra. Identificado com os Suns, o brasileiro terá que exercer uma certa liderança dentro de um elenco jovem, em que ele será visto como exemplo. E não só tecnicamente, mas em termos de conduta e responsabilidade.

O técnico dos Suns, o ex-armador Earl Watson, já avisou que Eric Bledsoe e o ótimo Devin Booker serão os titulares nas posições um e dois. Com isso, Brandon Knight surge como primeira opção vindo do banco. A tendência é de que Leandrinho ocupe os minutos deixados por Booker na posição dois e sirva como mentor tanto para o titular quanto para Archie Goodwin, outro ala-armador do elenco. O brasileiro pode vir a ser utilizado também como armador principal, mas em um time com Bledsoe e Knight, somente em casos extremos de necessidade absoluta.


A dura vida de Raul

Manda avisar aí que a concorrência em Utah tá f!@%¨&

A temporada de novato de Raulzinho no Utah Jazz foi bem acima das expectativas. Com a lesão do australiano Dante Exum e a queda brusca de rendimento de Trey Burke, o espaço na posição um caiu no colo do brasileiro, que fez um papel decente nos minutos que teve. Alternou momentos muito bons com deslizes normais para um novato, claro, mas o mais importante de tudo: evoluiu física, técnica e taticamente.

O que ele ganhou com tudo isso para 2016–2017? Uma concorrência brutal, quase desleal. Na última temporada, o Jazz apelou para Shelvin Mack na metade final do calendário, um armador com características diferentes, mais agressivo e finalizador. Agora, o time foi mais além. Trouxe George Hill para ocupar a titularidade absoluta da posição. Some a isso o retorno de Exum e a continuidade de Mack e as oportunidades para Raulzinho ficam escassas.

O Jazz tem um leque de armadores e a seu dispor e fica difícil saber o que será feito com todos eles, mas há a possibilidade de que Raulzinho acabe deixando Utah para trás ou quem sabe seja deslocado para atuar por um tempo na D-League. Ou, quem sabe, assim como foi um ano atrás, os planetas se alinhem novamente e ele ganhe novas oportunidades mesmo indo contra todas as probabilidades.


Em busca do anel perdido

Anderson Varejão continua em Golden State e seguirá sua saga em busca do anel de campeão com os Warriors. A tendência é de que o brasileiro não veja tanto a quadra ao longo da temporada, pelo menos em termos de minutos, mas Steve Kerr sabe o que tem nas mãos: um pivô experiente, que faz o jogo sujo com gosto e eficiência, mas já está na descendente da carreira.

Varejão para o Curry: “Me ajuda a te ajudar, cara”

O cabeleira tem um papel reconhecidamente importante no vestiário, como um cara que agrega, não causa confusão e é bom de grupo. Algo que a gente subestima às vezes, mas que na NBA, em um ambiente competitivo e altamente profissional, é bastante valorizado.

Os companheiros de posição podem ajudar também. Zaza Pachulia é um Varejão da Geórgia, que faz o trabalho sujo como o brasileiro e vive disso dentro da liga. Na carreira, ambos têm números parecidos e desempenham papel semelhante, mas hoje Zaza leva vantagem. Além deles temos ainda JaVale McGee, um ser simplesmente imprevisível, capaz de tudo dentro de quadra, desde um feroz bloqueio na defesa até a maior patacoada já registrada no ataque.

A rotação de pivôs dos Warriors prometeria muito se fosse um time convencional, mas acho que Steve Kerr vai usar e abusar de um time menos ortodoxo, por assim dizer, com Draymond Green fazendo as vezes de “cincão” enquanto Varejão, Pachulia e McGee assistem do banco.


Houston e seus problemas

Muitos vão dizer que James Harden jogando como armador é a grande novidade do Houston Rockets para a temporada, mas não é bem assim. Na verdade, a briga pela titularidade na posição cinco é o assunto do momento no Texas. Afinal, quem é Clint Capela se comparado a Mayber Rodney Hilário?

Depois de boas apresentações com a seleção brasileira nos Jogos Rio 2016, Nenê chegou aos Rockets a princípio como homem de rotação para a posição cinco. Um cara experiente e rodado na liga, que conhece o jogo e não vai comprometer enquanto estiver em quadra.

Nenê reclama com razão: “Não tinha nenhuma foto minha com a camisa dos Rockets?” Não tinha =(

Mas por que não ir mais longe? Com a solitária concorrência de Capela na posição, Nenê tem todas as armas para se estabelecer como titular do garrafão em Houston. Tem um jogo ofensivo muito mais extenso que seu rival, além de ser um jogador muito mais participativo e ativo no ataque, capaz não só de fazer bloqueios e rolar para a cesta, mas também de abrir o jogo na média distância e principalmente passar a bola.

O “duelo” entre Capela e Nenê ainda está no começo, mas algo me diz que a saúde do brasileiro e sua capacidade de se manter saudável serão muito mais determinantes no resultado do que o talento do suíço. Vamos ficar de olho…


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