Pela liberdade de Kevin Durant, parte II

Ala dá ainda mais força ao poderoso Golden State Warriors, mas isso não significa que o título da próxima temporada esteja definido

Por Vagner Vargas

Kevin Durant quer o título e parece estar disposto a tudo para chegar lá

“Covarde”. Eis a palavra que define Kevin Durant ao deixar para trás o Oklahoma City Thunder e unir forças com Stephen Curry, Klay Thompson e Draymond Green no Golden State Warriors. Pelo menos é o que pensam muitos torcedores, fãs e até alguns jornalistas e especialistas do mundo basquetebolístico. Mas será que isso é justo?

Em julho de 2016, ainda bem distante do início da temporada 2016–2017, o desfecho da liga já está definido na cabeça de muita gente. Afinal, quem seria capaz de tirar o título da “panela” formada em Oakland? Só tem um porém: o caminho até lá envolve 82 jogos, diversas séries de playoffs e inúmeras invariáveis que simplesmente não podemos prever agora.

O forte ficou mais forte, não há como negar. A adição de Kevin Durant, indiscutivelmente um dos três melhores jogadores da NBA em atividade, torna o monstro Golden State Warriors ainda mais assustador. Mas ao mesmo tempo transforma um elenco encaixado de forma radical e imprevisível. É fácil dizer que a entrada de Durant no quinteto titular será benéfica para os Warriors, mas como o resto das mudanças do elenco vai impactar o desempenho do time ainda é algo a ser discutido, até por que a equipe ainda não está 100% definida.

Como está sendo amplamente previsto, o forte pode chegar ainda mais perto do imbatível, mas é simplesmente impossível (até injusto) bater o martelo e tratar a chegada de Durant como a formação de um esquadrão que não pode ser vencido sob hipótese alguma.

Quer uma prova disso? Golden State Warriors. A equipe que venceu 73 partidas em uma temporada e quebrou o recorde do histórico Chicago Bulls foi batida. Antes de perder para o Cleveland Cavaliers na final, o time sofreu horrores pra passar pelo próprio Thunder na final do Oeste. Kevin Durant foi um dos responsáveis por mostrar ao mundo que os Warriors não eram imbatíveis.

Dito tudo isso, Kevin Durant não é covarde, nem vai estragar seu legado ou seja lá o que se tem dito sobre ele nos últimos dias. Durant é um dos melhores naquilo que faz e quer sentir o gosto de ser campeão. Ponto final. Se para isso ele acha que deve jogar ao lado de Curry, Green e Thompson, que assim seja. A NBA é um negócio, tem suas regras, e nada impede o movimento e a opção do ala. Não seria a birra de torcedores ou a opinião de quem não entra em quadra que o faria mudar de ideia.

O primeiro passo é se acostumar: Kevin Durant joga no Golden State Warriors.
Vou jogar nos Warriors, sim. Algum problema?

A decisão de mudar de franquia, como ele mesmo disse, não foi fácil. Daqui para a frente a tendência é piorar. A pressão em cima de Durant e dos Warriors será enorme. Ele chega a uma equipe que teve a melhor campanha da história e alcançou a final da liga. Por causa dele, o time sofreu mudanças drásticas e terá que, no mínimo, render da mesma forma — se não melhor. Como isso vai afetar Durant e sua nova equipe? Eis uma daquelas invariáveis que teremos que esperar para conferir.

A ambição por um anel de campeão é algo que move montanhas na NBA. Faz jogadores abrirem mão de dinheiro, estabilidade, tempo de quadra, protagonismo e do próprio ego. Kevin Durant vai ter que lidar com um pouco de cada toda vez que vestir o uniforme dos Warriors. Mas se no fim das contas ele sair de quadra com o anel no dedo, não tenho dúvidas de que não haverá um milímetro de arrependimento.

O legado de Kevin Durant é escrito, dirigido e estrelado pelo próprio. No Golden State Warriors, KD enxerga a chance de sair do incômodo grupo de grandes jogadores que deixaram a NBA sem um título. Não vamos ser hipócritas e negar que ao ouvir nomes como Karl Malone, John Stockton e Charles Barkley, todos fenomenais em suas carreiras, não nos lembramos daquele asterisco que indica a falta de um título. Durant não quer se juntar ao clube. E quem pode culpá-lo?


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