Katharine Viner, editora-chefe de “News & Media” no britânico The Guardian.

Jornalismo em risco

O futuro do jornalismo estaria ameaçado pelos algoritmos e pelas mídias sociais?

(*) Consulte os links relacionados à matéria aqui.

Precisamos refletir com atenção sobre o que diz a editora-chefe de News & Media no jornal The Guardian, Katharine Viner: “Empresas de mídia sociais se tornaram esmagadoramente poderosas”.

Pressupostos coerentes sobre os quais ninguém tem dúvida. Afinal, a tecnologia digital e as plataformas sociais mudaram o jornalismo e estão redirecionando os gastos com publicidade no setor.

Um recente relatório da Reuters revelou dados importantes sobre hábitos no consumo de notícias. O Facebook é a maior fonte primária de “consumo” de notícias para seus mais de 1 bilhão de usuários diários. A mídia social, definitivamente, é uma plataforma jornalística.

As mídias sociais são incrivelmente poderosas. Pautam o que lemos e influenciam o faturamento dos veículos jornalísticos. Em parte, isso se deve pelo fato (preocupante) das notícias, hoje, serem valorizadas mais por seu efeito viral do que por seu grau de veracidade.

Há uma verdadeira batalha em curso pelo domínio do território do “feed” de notícias. Recentemente, o Facebook ajustou seu algoritmo para favorecer o conteúdo compartilhado por amigos e familiares, em detrimento daquele compartilhado por editores profissionais.

O jornalismo profissional trava essa luta inglória contra sua própria submissão a algoritmos misteriosos, dinâmicos e em constante mutação. Os jornais estão completamente perdidos, em parte por terem eles mesmos adotado, acriticamente, a linguagem e os pontos de vista de Silicon Valley.

O Facebook não se vê, primariamente, como uma empresa de notícias. Mas, é. Pare, pense e compreenda a consequência: pessoas são levadas a um isolamento de pontos de vista e fatos opostos, porque se expõem apenas às opiniões de seus afins. Isso ajuda (em grande parte) a perpetuar mitos e boatos falsos, além de exacerbar polarizações, como temos visto no Brasil e no mundo.

O jornalismo precisa inovar e essa inovação torna obrigatórios uma nova postura e novos modelos de negócios. As pessoas que consomem notícias não são necessariamente avessas a pagarem pela notícia que consomem. Isso é um mito.

A pessoas querem ter acesso a fontes confiáveis e notícias de qualidade. Uma necessidade cada vez maior em um mundo onde se propagam — com velocidade assustadora — notícias falsas. Isso tem nos levado a aplicação de um processo de checagem duplicada da notícia. O que nem sempre evita que os próprios jornalistas cometam erros.

A realidade é que, na era digital, rumores e mentiras são lidos e aceitos tanto quanto os fatos. A credibilidade do veículo é um filtro que adquire, cada vez mais, importância e por isso deve ser bem cuidada. Trata-se de uma vantagem competitiva que não pode se desprezar.

________

(*) Curta minha “página de escritor” no Facebook em C.S.Soares.