Ofício de Escritor (1): Cortar, Cortar Muito

Juan Rulfo (1917 — 1986), México

Sempre às terças, o conselho de um escritor renomado a respeito do ofício da escrita. Para ler, aprender, aplicar e compartilhar.

Para o escritor mexicano Juan Rulfo — um escritor de mistérios e silêncios — , em literatura até se pode mentir, o que não se pode jamais é falsificar. Um outro conselho importante de Rulfo (que este ano completaria 100 anos) para os jovens escritores permanece atual:

“No começo, você deve escrever levado pelo vento, até sentir que está voando. A partir daí, o ritmo e a atmosfera se desenham sozinhos. É só seguir o voo. Quando você achar que chegou aonde queria chegar é que começa o verdadeiro trabalho: cortar, cortar muito.”

A obsessão de Rulfo pelo corte, pela exaustiva lapidação, estendeu-se ao longo do tempo. Lembra-me a mesma obsessão de Graciliano Ramos. Não por acaso, Rulfo publicou apenas um único romance, um dos maiores clássicos da literatura hispano-americana, o “Pedro Páramo” (1955), elogiado por Jorge Luís Borges, Gabriel García Márquez, Carlos Fuentes, Octavio Paz, Günter Grass e Susan Sontag.

JUAN NEPOMUCENO CARLOS PÉREZ RULFO VIZCAÍNO nasceu em 16 de maio de 1917 e morreu — solitário, frágil e atormentado — no dia 7 de janeiro de 1986, na Cidade do México, onde vivia desde 1935. Passou seus últimos meses trancado em um apartamento, onde viveu os últimos anos de sua vida intensa. Foi enterrado com honras nacionais