Precisamos conversar sobre a terrível experiência de usuário do Spotify

Venho falando muito sobre o Spotify (e vou falar um pouquinho mais nessa edição).

Eu acho a experiência da plataforma terrível. O app é completamente diferente do programa que é totalmente diferente da versão do serviço no navegador. Isso me incomoda. A experiência do usuário no Spotify é toda fragmentada, ela praticamente não faz sentido.

Aqui levanto alguns pontos que me incomodam:
No app para smartphone não existe uma opção pra ver apenas as músicas que eu classifiquei pra ouvir offline.

As mudanças de configurações do seu perfil são feitas em um site diferente do em que a plataforma funciona.

Não existe a possibilidade de personalização. Nem mudar a fotinho da thumbnail é permitido — ela muda conforme a sua foto do perfil do Facebook muda e caso você crie um perfil sem usar o Facebook ele fica sem foto. Não existe a possibilidade de colocar uma.

Os álbuns ficam misturados com coletâneas e trilhas de filmes.

A busca não funciona com perfis não populares. É praticamente impossível adicionar alguém que recém criou sua conta.

A parte das músicas que você ouviu fica organizada de uma forma estranha. Ela mostra, hierarquicamente, as últimas novidades ouvidas e não um histórico fiel do que você deu play. Por exemplo, se eu ouvi o disco da Julia Holter pela primeira vez há um mês e voltar a ouví-lo hoje, o disco aparecerá nas minhas músicas no período em que foi escutado pela primeira vez. Ele não aparecerá como o último escutado.

A playlist Descobertas da Semana manda coisas muito genéricas e não indicações realmente boas.

Basicamente é isso.

Questão da semana:
Você tem alguma reclamação sobre a experiência de usuário do Spotify ou de outro serviço de streaming? Qual? Manda pra mim! Ah, se alguma das minhas reclamações for infundada me avisem ahhaha.

Coisas bacanas para ler (& ouvir)

O arquivo secreto do Bob Dylan

A NPR ouviu TODAS as bandas que vão tocar no SXSW e fez uma lista com as 100 mais bacanas pra facilitar a nossa vida.

Uma ferramenta que indexa podcasts transcritos pra facilitar a busca por trechos e quotes.

Um podcast falando sobre aqueles pequenos sinais sonoros que nos fazem lembrar de músicas que amamos (e odiamos).

Um podcast contando sobre a arte da ‘bone music’. Que foi uma forma que os russos inventaram para contrabandear e replicar músicas que eram censuradas pela União Soviética.

Uma entrevista com o cara que criou o auto-tune.

Para ouvir

Car Seat Headrest

Will Toledo começou escrevendo músicas no banco traseiro do carro dos pais quando era beeeem jovem. Seguindo a linha DIY, o rapaz, de apenas 23 aninhos de idade, já lançou 14 discos. Ele começou a gravar em 2010.

Meio sem querer, Will foi criando um universo próprio de referências e auto-referências à sua obra. Ele gravou e regravou suas próprias músicas, mudava letras, melodias, melhorava uma coisinha aqui e outra ali. Durante toda sua carreira de garagem, que acabou ano passado quando o rapazinho assinou com a Matador, pode-se notar um aumento da confiança do músico nos próprios talentos.

O último disco, e melhor até aqui, lançado sob o nome de Car Seat Headrest se chama Teens of Style, esteve em várias listas de melhores de 2015, mas é com o primeiro single de Teens of Denial — chamado Vincent, que Toledo mostra todo o seu promissor talento.

Ele parece sempre surpreender e levar a música além, como se sua próprio obra o entediasse e o fizesse se perguntar: “Como posso ir além?”

É uma linda cançãozinha que foge dos indies farofas filhotes de Arctic Monkeys que vem pululando por todos os lados da música.

Ouça a obra do menino Will AQUI.

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