Qual será o futuro da música?

Ao tenta escrever uma matéria sobre o futuro da música pro Lizt fiquei meio perdido. É difícil imaginar pra onde à música vai. Pense agora: como vamos ouvir música daqui 20 anos? O que à música vai ser em 20 anos?

Se analisarmos o passado vemos que há 20 anos vivíamos uma espécie de revolução na música, revolução que se tornou uma constante da época citada até aqui. Nesse período tínhamos o grunge, a música eletrônica — a forte cena de Manchester. Há 20 anos já mudamos do vinil/fita, pro CD, pro CD gravado com MP3 baixados ilegalmente, pro streaming e de volta para o vinil e fitas. Agora surgem fones de ouvido que não tocam suas orelhas e possíveis futuros em que a música será consumida através de um chip implantado no ouvinte. É complicado.

Porém, estudando um pouco o assunto e após não receber respostas de escritores de ficção, especialistas em comportamento digital e músicos, penso que uma das possibilidades do futuro da música é o altíssimo nível de personalização. Não playlists criadas para o ouvinte, mas músicas criadas para o mesmo.

No SXSW desse ano o artista conhecido como RAC propôs, em um ambiente patrocinado do evento, uma relação diferente com música. Ele criou músicas de diferentes tipos e uma instalação em que os participantes ganhavam a oportunidade de alterar a música dele, personalizar a música do artista como bem entendessem, ou, em uma outra visão, adaptar a música ao gosto do ouvinte.

Ao mesmo tempo temos Kanye West. O músico lançou seu último disco, The Life of Pablo, direto no streaming, sem muitas cerimônias apesar de toda antecipação da imprensa e fãs — e também da comédia que a coisa toda virou depois de várias trocas de nomes e divulgação de nomes das músicas e artistas que estariam fazendo participações no disco.

Mas o fato importante aqui é o que aconteceu após o lançamento do álbum do rapper. Ele já atualizou The Life of Pablo duas vezes. Sim, o disco recebeu atualizações, como se fosse um software, um aplicativo que você baixa no seu smartphone.

Relacionando o tratamento da música como software e a possibilidade de um alto nível de personalização na música, me surgiram várias questões. As mais importantes são:

Se eu, ou um algoritmo, altero uma música para que ela fique mais a meu gosto, ela é uma criação minha ou do artista?

Será que no futuro a sensação de que uma música foi feita pra nós vai ser algo real? Músicas vão realmente ser feitas para nós com base em nossos gostos e histórico de audições?

Teremos espécies de testes A/B surgindo na música em alguns anos? Um músico lança um disco com diferenças em músicas e cada um dos grupos de ouvintes tem acesso a uma versão. A versão que tiver maior alcance, fizer mais sucesso, é a final do álbum.

O Netflix já produz séries usando big data. Eles analisam que tipo de conteúdo seus assinantes estão mais propensos a assistir e direciona seus esforços e investimentos em conteúdo que já nasce com um certo apelo para um determinado (grande) público. House of Cards é um dos exemplos dessa política do serviço de streaming de vídeos.

Será que no futuro vamos ter que compartilhar nossos fones para realmente mostrar algo que andamos ouvindo? Como se a música fosse efêmera e completamente pessoal, adaptada a cada um de nós quase que geneticamente.

Pra você, qual será o futuro da música?

Coisas bacanas para ler

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Synths de Lego.

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O Google Chrome Music Lab é maneiro demais.

Um curta bacana.

Para ouvir

Uma das coisas mais maneiras que vem acontecendo na música é o crescente número de minas fodas que pegam guitarras e fazem música. Elas sempre estiveram presentes, claro, mas ultimamente tem havido um número cada vez maior de mulheres carregando seu próprio nome na música que fazem ou sendo líderes de bandas fodas.

Esse é o caso da menina Lucy Dacus. Ela faz um indie-rock mais carregado do que as bandinhas alegra pista que andam aparecendo por todos os cantos (vide Catfish and The Botlemen). Os riffs e a intensidade do trabalho dela no debut, chamado No Burden, são fantásticos.

A voz da canadense também merece destaque. A temática que ela canta não foge muito do comum processo de transição da adolescência pra idade adulta e de todas as dúvidas que isso traz para a vida, mas isso não tira o brilho do primeiro disco da moça.

Ouça: Lucy Dacus — No Burden.