Sobre formatos e qualidade da música

Você consegue identificar a qualidade da música que está ouvindo? Não estou falando da qualidade no sentido indireto da coisa, mas sim na qualidade do arquivo que está tocando. Geralmente ouvimos música de baixa qualidade, afinal quase tudo que tem pela internet é um arquivo comprimido para ocupar menos espaço e consumir menos banda.

Existem pessoas que ainda dizem que o vinil soa melhor que um arquivo digital, mas isso bobagem. Inclusive boa parte dos relançamentos que andam acontecendo em vinil são gravados a partir de CDs, como se você gravasse o vinil direto do CD — num exemplo beeeem tosco. Tudo bem que o ritual em torno do vinil pode ser mais bacana — pra pessoas com dinheiro e saco suficiente pra bancar de legalzonas e participantes do clubinho do vinil — até porque discos custam caro, nem todo mundo tem oportunidade de comprar e, fala a verdade, quem não gosta de fazer parte de um clubinho quase exclusivo?

Enfim. Levando tudo isso em consideração ainda temos o fato de que, geralmente, ouvimos música enquanto fazemos outras coisas. Poucas pessoas notam a qualidade do que se está ouvindo o tempo todo. A busca pela qualidade do arquivo musical é algo muito mais para especialistas, artistas e fetichistas do que qualquer outra coisa. Ninguém que está ouvindo músicas pop no rádio está muito preocupado com todas as camadas e texturas que a música possa ter.

A questão da semana é:
Você consegue identificar a qualidade da música que está ouvindo? Faça o teste aqui.

Dica: se você usa o Spotify pode optar por ouvir as músicas em alta qualidade. Não é bem certo o que a plataforma quer dizer com isso, mas é uma opção que pode ser feita por assinantes premium. Vá nas suas configurações, lá existe a opção pra essa escolha.

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Para ouvir

Uma banda de post-punk nunca vai soar tão pop e tão pouco pop, tudo ao mesmo tempo, quanto o Fat White Family.

A banda londrina já surgiu polêmica fazendo shows que assustavam os mais sensíveis e impressionavam os mais resistentes, os caras fizeram shows em que se masturbaram no palco e atiraram uma cabeça de porco em um fã que era vegan. Em Songs For Our Mothers, o grupo tenta ir além, mas de uma forma levemente dançante, nas polêmicas e sucesso.

Quase todas as músicas do disco, que é o segundo da banda, são extremamente pesadas, densas, mas com um toque de bom humor, mais ou menos como um pai extremamente rígido e severo, mas que sempre dá um presente pro filho depois dos sermões. O álbum é dúbio.

As músicas sempre apresentam dois contrapontos de seriedade e de leveza, ou bom humor. O maior exemplo é “Hits Hits Hits”, já uma das canções do ano para quem vos escreve. Ela tem uma temática séria. O grupo canta os abusos do relacionamento entre Tina Turner e Ike, porém a composição brinca com imitar uma balada romântica oitentista, do tipo que Tina e Ike — possivelmente, cantariam. Dúbio.

Até a escolha do tema, Tina e Ike, tem dois lados opostos. A história trata de um relacionamento problemático e violento, mas para o vocalista Lias Saudi o tema da música é a situação de parceria de um casal que cria junto após viver essa experiência de violência. Uma relação de amor e ódio.

Essa relação de leveza e peso está presente em todo o disco. Um tom zombatório de uma banda que tem aparência e discursos sérios, mas se tornam uma espécie de tragicomédia gore no palco. Eles até fazem uma espécie de pequena contra-homenagem, que envolve sexo & holocausto, em “Satisfied”, aos Rolling Stones, e canta a felicidade de se satisfazer, digamos, facilmente. Um baita disco que vai divertir crianças e adultos adúlteros.

Fat White Family — Songs For Ours Mothers
Ouça AQUI.