Quatro Caminhos para o Subconsciente — 4° Caminho: “A Hipnose”

Arte da capa: Surreal paint by “Shichinohe Masaru”, based on Alice in Wonderland.
017 — Quatro Caminhos para o Subconsciente — 4° Caminho: “A Hipnose” | HP News — Hipnose ao pé do ouvido!

INTRODUÇÃO

Bom dia, boa tarde ou boa noite! Eu sou Samej Spenser e você está ouvindo o podcast HP News — Hipnose ao pé do ouvido! Nos episódios anteriores dei início a série Quatro Caminhos para o Subconsciente, e hoje, trago-vos o quarto caminho: a hipnose.

O conteúdo desta série é parte do livro “Hipnose Científica Moderna”, de Richard N. Shrout, publicado no Brasil em 1985 pela Editora Pensamento.

Este é o último episódio da série Quatro Caminhos para o Subconsciente, mas o HP News continua com seus episódios normalmente, então assine o feed no seu agregador favorito e habilite o download automático para receber em primeira mão os demais episódios!

4° CAMINHO: A HIPNOSE

Trecho de uma cena do seriado “O Hipnotizador”, da HBO.

O quarto caminho para o subconsciente é através da hipnose. Ora, a hipnose faz o mesmo que todos os outros “caminhos para o subconsciente” fazem — ela leva a sua mente para a “perda de consciência”, a fim de que o que seja dito fique registrado no subconsciente. A única coisa não natural é que você escolhe o tempo, o local e o propósito para o qual você induz esse estado de “perda de consciência”. Não há nada de artificial quanto ao estado de hipnose, pois você já esteve nesse estado mental muitas vezes em sua vida.

Transe que ocorre duas vezes por dia

Na verdade, você é hipnotizado duas vezes em cada dia de sua vida. Todo mundo fica em transe hipnótico duas vezes por dia! Durante toda a vida, todas as noites, quando você vai dormir, você não adormece instantaneamente. Você “cai” no sono gradativamente. Você apenas fecha os olhos e fica deitado e, logo, a sua audição desaparece e você dorme. Quando você acorda pela manhã, tudo acontece ao contrário: primeiro você ouve, depois abre os olhos e começa a se mexer. A hipnose é uma espécie de sono “intermediário”. Ela está justamente no intervalo entre o “sono profundo” e o “amplo despertar”. Trata-se de um estado hipnótico porque este é um estado de “perda de consciência” da mente, onde você está consciente, mas não de um modo total; está adormecido, mas não totalmente adormecido.

Transe negativo

De que modo atingimos esse estado de “perda de consciência” na hipnose? Bem, poderíamos fazê-lo do mesmo modo que a experiência traumatizante o faz, isto é, poderíamos estimular as suas emoções. Poderíamos aterrorizá-lo até a perda do juízo, de modo a criar um estado de “perda de consciência” e, assim, um transe hipnótico — desagradável com certeza, mas, não obstante, um transe hipnótico. Isso era o que Mesmer e Charcot faziam e o que os hipnotizadores de teatro palco, até certo ponto, ainda fazem; há um elemento assustador e intimidador envolvido. Por exemplo, se eu utilizei uma técnica autoritária para hipnotizá-lo, você poderá ter a sensação de que eu sou o símbolo de todas as figuras autoritárias que você já conheceu, sendo você apenas um pequeno e pobre ser indefeso e desamparado. Isso poderá levá-lo a uma espécie de transe hipnótico negativo que pode ser induzido pela estimulação de uma emoção negativa. É como que uma experiência traumatizante em miniatura. Obviamente, não fazemos esse tipo de coisa na moderna prática de tratamento por hipnose.

Transe positivo

Então, como conseguimos colocá-lo em estado de “perda de consciência”? Simplesmente, o fazemos utilizando o relaxamento. Nós, literalmente, fazemos você relaxar e, ao mesmo tempo, a sua mente consciente relaxa. Ela não adormece, porque se você adormecer, a natureza poderá intervir e fechar essa porta para o subconsciente. A mente consciente não adormece na hipnose, mas podemos dizer que a resistência da mente consciente adormece. As faculdades críticas são deixadas de lado enquanto a mente consciente entra num estado de semiletargia pouco ativo e sonolento, onde ela não pode sequer perceber o que está acontecendo.

Talvez você tenha estado nesse estado mental quando estava deslocado e aborrecido numa festa ou noutra espécie de reunião social. Você fica a um canto, aborrecido com tudo, e pode facilmente adormecer. Está ficando tarde e você está esperando por alguém, enquanto ouve as pessoas rindo e falando em seu estado de “perda de consciência”. Então pensa: “Eu as conheço. Estão sempre rindo de coisas bobas…”, mas você não sabe o motivo de tais risadas. A mente consciente começa a relaxar e cria, desse modo, uma possibilidade hipnótica, embora você possa controlá-la. Se você puder controlar o relaxamento, você será capaz de experimentar a concentração da hipnose sem qualquer esforço.

Concentração sem esforço

Algumas pessoas estão interessadas na hipnose pela possibilidade de obter mais facilidade para aprender, concentrar-se, memorizar, etc. Esse processo deve se dar sem qualquer esforço, pois é dessa forma que a concentração tem de ocorrer; se não o for, não será uma concentração eficiente. A concentração verdadeiramente eficiente é obtida sem esforço.

Suponha que você se aproxima de alguém que esteja fazendo cálculos mentalmente, com as sobrancelhas franzidas, com o olhar absorto, mordendo os lábios, etc. Você lhe fala, e ele dá um salto porque você o assustou. “Ora bolas!”, exclama ele, “não viu que eu estava concentrado?”. Não, ele não estava. Ele apenas estava fazendo um grande esforço para concentrar-se mas não estava em concentração. Se estivesse, estaria facilmente absorvido no que estava fazendo. Você poderia aproximar-se dele, ficar a meio metro de distância e tossir até que, finalmente, pudesse ser percebido por ele. Ele poderia voltar-se, conversar com você, retirar você da mente e voltar diretamente ao que estava fazendo, absorvendo-se sem qualquer dificuldade. Ora, isso é concentração!

Quando você pede a alguém para se concentrar em algo, este sempre tenta efetuar alguma atividade física que nada tem a ver com isso. Você poderá dizer: “Concentre-se naquele quadro na parede. Olhe e concentre-se nele. Concentre-se firmemente nele”. Provavelmente, ele arqueará os ombros e cerrará um pouco os olhos, pensando estar se concentrando “firmemente”. Depois de alguns instantes, ele poderá dizer: “Ai, estou com torcicolo e uma dor de cabeça. Concentração é algo muito difícil!”. Bem, você sabe, se praticar uma atividade física que nada tem a ver com a concentração, esta, na verdade, se torna difícil, mas concentração não é uma atividade física — é uma atividade mental.

Quando estamos realmente concentrados, ficamos completamente relaxados e esquecidos de tudo o mais, inclusive do próprio corpo, de nossas condições físicas e assim por diante. Portanto, na hipnose (quando uma pessoa está num completo estado de relaxamento) não há ansiedade, não há tensão e, então, você tem a possibilidade de conseguir a concentração sem esforço.

Percepção

Você já experimentou essa sensação diversas vezes. Permita-me ilustrá-la deste modo: ora, percepção num dado momento pode ser explicada como círculos concêntricos. Por exemplo, no círculo interior, justamente agora (se estiver prestando atenção ao que estou dizendo), no seu círculo interior está contido o que lhe estou dizendo, enquanto você pensa no significado disso. Pode ser que você esteja formulando perguntas, ou analisando e comparando ideias, etc. Além disso, no outro círculo, ao mesmo tempo, você percebe as pessoas que estão na sala, você percebe onde está, etc. No outro círculo você tem a percepção de sua família e dos amigos; no próximo círculo sua percepção é de seu emprego, etc. Além dele, num outro círculo, você percebe os acontecimentos atuais e a situação política. Mais além, está um outro círculo de percepção que contém o nome de sua primeira professora na escola primária, etc. Está tudo “ali dentro”; mas algo parece estar “fora dele” porque sua percepção é como círculos concêntricos. Se eu disser: “Fale-me de sua escola” ou “Fale-me de sua família” não é difícil, de sua parte, ajustar o foco de sua atenção. Mas quando você o faz, isso se torna o seu “círculo interior” e todo o outro conteúdo de sua percepção geral automaticamente é recolocado em outros círculos concêntricos ao redor do seu ponto focal. A posição das coisas em sua percepção geral pode ser sempre concebida em círculos concêntricos em relação ao seu círculo interior, que é o seu foco de atenção em determinado momento.

O deslocamento da percepção

Para dar outro exemplo do que acontece quando você desloca a sua percepção para um outro ponto focal, considere a seguinte situação: talvez você estivesse num restaurante em companhia de alguém quando ouve algumas pessoas rindo ou falando numa mesa do outro lado da sala. Por alguma razão, você se interessa pelo que elas estavam dizendo. Sua atenção é atraída e você começa a se concentrar naquela conversa. Você começa a estreitar a sua percepção, ajustando-a a ela, distante da pessoa que está sentada à sua frente. Enquanto você desloca a sua percepção e escuta a conversa dos outros, depois de alguns instantes, parece que todos os barulhos do restaurante estão distantes, tornando-se indistintos e apagados. Enquanto você se concentra naquelas pessoas mais além, parece que (estou certo de que isso é principalmente uma ilusão) você está quase “sintonizado” a ponto de quase poder compreender o que elas estão dizendo. Justamente na hora em que você julga ter “conseguido”, a pessoa do outro lado da mesa diz algo e você responde: “o quê?” Você a esqueceu completamente! Isso demonstra o que quero dizer quando me refiro a que, em sua percepção, tudo está em relação mutável com algo mais.

A limitação da percepção

Em hipnose, através do processo de relaxamento total, o que fazemos é reduzir a percepção; nós limitamos a percepção. Ora, você pode fazer isso olhando fixamente para uma luz, e se continuar fazendo isso por tempo suficiente, você conseguiu limitar a sua percepção. O que você percebe além da luz? Há diversos outros modos de fazer isso mas, não importa como o façamos, nós temos de limitar essa percepção geral — temos de empurrá-la para o centro, trazendo-a para dentro, desde os círculos exteriores, condensando todo o poder e toda a percepção de sua mente num conjunto e focalizando-a em uma só coisa. Nesse caso, pode ser nas palavras que o hipnotizador esteja dizendo naquele determinado momento.

Eis por que você perde todo o senso de tempo e espaço, ou a percepção física. Quando você está nesse transe positivoinduzido pelo relaxamento, pela percepção limitada e pela concentração sem esforço, ocorre uma certa mudança em suas sensações físicas. Essa é uma alteração neurológica que, necessariamente, tem que ocorrer enquanto você se desloca para dentro desse estado mental de “perda de consciência” onde a mente subconsciente se torna susceptível a sugestões verbais. Eis por que dizemos que um transe hipnótico o torna hipersugestionável, ou mais sugestionável do que de costume.

CONCLUSÃO

Então é isso, meus amigos… este foi o último episódio da série “Quatro Caminhos para o Subconsciente”, que é um capítulo do livro “Hipnose Científica Moderna”, de Richard N. Shrout, publicado no Brasil em 1985, pela Editora Pensamento.

Você que já está habituado a consumir e ouvir podcasts em seu agregador, lembre-se de visitar o post deste episódio para conferir a transcrição e algumas notas que adicionei.

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Grande e forte abraço, e até o próximo transe! 🌀

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