Hipnose acelera a cicatrização em cirurgias

Samej Spenser
Dec 15, 2011 · 6 min read
Foto do acervo pessoal, por Stephanie Mitchell.

Carol Ginandes derruba muitos mitos sobre a hipnose. “Na hipnose, as pessoas não perdem o controle e entram em um estado como de zumbi, onde eles podem ser induzidos à fazerem coisas contra sua vontade.”, diz ela.

1. Feridas cirúrgicas curam-se mais rápido

Marie McBrown foi convidada para testar se a hipnose poderia ou não ajudar a curar as cicatrizes de sua cirurgia de mama. Marie (nome fictício) e 17 outras mulheres foram submetidas à cirurgia para redução do seio.

É uma operação comum para as mulheres cujos seios são grandes o suficiente para causar dores e tensão nas costas e nos ombros, interferir com as tarefas de rotina, ou ainda causar problemas sociais e psicológicos. A dor e o processo de cura de tal cirurgia é bem conhecida, e uma equipe de pesquisadores liderada por Carol Ginandes da Harvard Medical School e Patricia Brooks do Union Institute de Cincinnati queriam determinar se a hipnose poderia acelerar a cicatrização e a recuperação.

“A hipnose tem sido usada na medicina ocidental por mais de 150 anos para tratar de tudo, da ansiedade à dor, de aliviar a náusea causada pela quimioterapia à melhora no desempenho esportivo”, diz Ginandes. A lista de aplicações que a hipnose oferece inclui o tratamento de fobias, pânico, baixa autoestima, insônia, disfunção sexual, estresse, tabagismo, colite, verrugas, dores de cabeça e pressão alta.

“Todos esses usos funcionais podem ajudar uma pessoa se sentir melhor”, Ginandes continua. “Eu também estou interessada em usar a hipnose para ajudar as pessoas a ficarem melhores fisicamente. Isso significa usar a mente para fazer mudanças estruturais no corpo, para acelerar a cura ao nível dos tecidos”.

Há quatro anos, Ginandes e Daniel Rosenthal, professor de radiologia da Harvard Medical School, publicaram um relatório sobre seu estudo da hipnose para acelerar a regeneração de ossos quebrados. Eles recrutaram 12 pessoas com tornozelos quebrados que não necessitavam de cirurgia e que receberam o tratamento normal no Massachusetts General Hospital, em Boston. Além disso, Ginandes hipnotizou metade deles uma vez por semana durante 12 semanas, enquanto a outra metade recebeu apenas o tratamento normal. O mesmo médico aplicou o gesso e outros cuidados, e o mesmo radiologista tirou radiografias regulares para monitorar o progresso da cura. Outro radiologista avaliou os raios-X (não sabendo quais os pacientes foram submetidos à hipnose).

O resultado destacou-se como uma lesão no tornozelo. Aqueles que foram hipnotizados se curaram mais rapidamente do que aqueles que não foram hipnotizados. Seis semanas após a fratura, aqueles no grupo de hipnose mostraram o equivalente a oito semanas e meia de cura.

2. Como hipnotizar

Nem todo mundo está convencido com os resultados. Alguns especialistas afirmam que as diferenças podem ser explicadas pela atenção extra — maior apoio psicológico — dada aos pacientes hipnotizados. Então, quando ela estava pronta para tentar novamente a hipnose em 18 pacientes de cirurgia de mama, Ginandes os separou aleatoriamente em três grupos. Todos tiveram o mesmo cuidado cirúrgico pelos mesmos médicos. Seis receberam atendimento único padrão, seis também receberam atenção e apoio de um psicólogo, e seis foram submetidos a hipnose antes e após a cirurgia.
As sessões de hipnose ocorreram uma vez por semana durante oito semanas. As sessões psicológicas ocorram no mesmo esquema.

Ginandes não colocou os pacientes para dormir com um relógio balançando como um pêndulo, enquanto os pacientes estavam num sofá. “Isso só acontece nos filmes, ela ri. “Na hipnose, as pessoas não perdem o controle e entram em um estado como de zumbi, onde elas podem ser induzidas a fazer coisas contra sua vontade. Elas não têm de se deitar, você pode entrar em um estado de hipnose em pé. Os pacientes nem sequer precisam dormir, em vez disso, eles entram em um estado de consciência alterada, não muito diferente de perder-se em um bom livro ou uma peça de música favorita”.

Enquanto neste estado, Ginandes ofereceu-lhes sugestões que foram feitas sob medida para diferentes estágios da cirurgia e cura. Antes da cirurgia, as sugestões enfatizaram diminuir a dor e ansiedade. “Você pode até mesmo sugerir a um paciente que ele pode reduzir o sangramento durante a cirurgia, controlando o seu fluxo sanguíneo”, observa Ginandes. No geral, as sugestões foram focadas em coisas como a expectativa de conforto, diminuição da inflamação, a diminuição do tecido da cicatriz, cicatrização acelerada, retornar às atividades normais, e os ajustes para a autoimagem.

As mulheres receberam fitas de áudio dessas sessões para que elas possam praticar em casa.

Entre uma e sete semanas após a cirurgia, enfermeiras e médicos que participaram do estudo avaliaram visivelmente as medidas das feridas de todos os três grupos, sem saber que o grupo de mulheres estava ali incluso. Eles tiraram fotografias digitais para três médicos avaliarem. Cada paciente teve também avaliado o seu progresso próprio de cura e quanto a dor que sentiam em escalas de zero a dez.

O resultado foi claro. Marie McBrown e as mulheres que haviam sido submetidas à hipnose curaram-se significativamente mais rápido que as outras. Aqueles que receberam a atenção de suporte psicológico ficaram em segundo lugar.

3. Da “besteira” ao “viva!”

Os investigadores relataram esses resultados na edição de abril do American Journal of Clinical Hypnosis. Este relatório, é claro, não prova conclusivamente que a hipnose vai acelerar a cicatrização de feridas. A maior limitação do estudo envolve o pequeno número de pacientes, o que torna difícil generalizar os resultados para outros tipos de feridas. Depois, há o possível efeito da expectativa, a crença de alguns pacientes que o hipnotismo vai funcionar. É o mesmo efeito visto quando as pessoas tomam uma pílula de açúcar para aliviar uma dor nas costas, bem como em pessoas que tomam remédios. Vai exigir mais estudos envolvendo muitas pessoas, para obtermos a maioria dos médicos a gritar “viva!” em vez de “besteira”.

Ginandes concorda. “Nosso estudo ressalta a necessidade de mais testes científicos da hipnose”, diz ela. “Estudos posteriores poderão esclarecer as especulações não resolvidas sobre os mecanismos pelos quais a sugestão hipnótica pode desencadear os efeitos físicos e psicológicos que vemos”.

Ela e seus colegas sugerem futuros experimentos para comparar os efeitos do “relaxamento hipnótico simples” versus “sugestões específicas para cicatrização do tecido”. Eles também gostariam de ver mais trabalhos utilizando hipnose para pessoas que sofrem de outros tipos de feridas, como úlceras nos pés causadas por diabetes.

No entanto, Ginandes acredita que o estudo da cicatrização após a cirurgia de mama “quebra o terreno para estudar uma ampla gama de novos e excitantes tratamentos coadjuvantes. Uma vez que a hipnose clínica é um tratamento não invasivo e sem drogas, achando que ela pode acelerar a cicatrização de feridas e outras condições, poderiam levar ao menos visitas aos consultórios médicos e retorno mais rápido às atividades normais. Além disso, uma investigação mais aprofundada poderia confirmar a nossa suposição de que a mente pode influenciar a cura do corpo”.

Por: William J. Cromie
Fonte: Gazeta de Harvard
Tradução: Samej Spenser


Eu, Samej Spenser, costumo utilizar sugestões hipnóticas para acelerar alguns ferimentos, — c̶o̶r̶t̶e̶s̶ ̶n̶o̶ ̶p̶e̶s̶c̶o̶ç̶o̶ ̶a̶o̶ ̶f̶a̶z̶e̶r̶ ̶a̶ ̶b̶a̶r̶b̶a̶ (já não faço a barba desde 2013), cravos e espinhas que inflamam, e até mesmo no processo de cicatrização das minhas tatuagens, piercings e alargadores — , e tenho obtido excelentes resultados! 😉

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Originalmente publicado em www.SamejSpenser.com.br.

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Samej Spenser

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Brazilian; Hypnotherapist, Mental Reprogrammer, beer (and coffee) lover, podcaster and bearded. http://about.me/SamejSpenser

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