Hipnose na Sala de Espera do Hospital

Foto: RiberaExpress.es | Sala de espera del Hospital Universitario de La Ribera, en Alzira

Na noite do dia 13 de outubro de 2010, meu filho mais velho, (Phillipy, então com 4 anos de idade), passou mal e tive que levá-lo ao hospital. Após preenchermos a ficha, aguardar e passar pela triagem, ficamos aguardando a chamada da senha para o atendimento com o pediatra.

No vai e vem de pessoas voltando do atendimento com o pediatra, chegou ao saguão de espera uma mãe com uma menininha no colo, (vamos chamar a menininha de Maria). Maria deveria ter algo em torno de 6, 7 anos de idade, e chorava copiosamente no colo de sua mãe, pois havia tomado uma injeção de Benzetacil. Sentaram-se do lado oposto ao nosso, e ficaram aguardando o procedimento médico. (Maria estava com suspeita de meningite).

Meu filho, em meu colo, perguntou-me: “Papai, por que a menininha está chorando, ela tomou injeção?”. Eu tenho por costume não mentir ou omitir nada ao meu filho, então afirmei para ele que ela havia tomado uma injeção que geralmente é muito dolorida. Expliquei-lhe que esta injeção é dolorida não pela agulha, mas o líquido, o remédio é que causa a dor no local da injeção. Ele compreendeu e ficou observando.

Passaram-se uns 5 minutos e o Phillipy voltou a perguntar: “Papai, por que ela não para de chorar?”. Eu respondi dizendo que provavelmente ela deveria estar sentindo muita dor. Então ele sugeriu: “Papai, e se nós usarmos o Balão Azul para ajudá-la?”. E eu: “Você quer ir até lá ajudar a mocinha, filho?”. “Quero papai!” Foi a resposta que obtive.

Levantei-me do lugar onde estava, levando o Phillipy no colo, e sentei-me na fileira da frente da Maria. Voltei-me para trás e comecei a puxar conversa com a guria, e incentivei meu filho a fazer o mesmo. Mas a menina não queria saber de conversa. Então pedi para meu filho perguntar-lhe se gostaria de parar de sentir dor. É claro que ela disse sim. Perguntei então à mãe da Maria se poderíamos ajudá-la a deixar de sentir dor. (Em nenhum momento citamos o nome e/ou palavra “hipnose” para evitar sustos e/ou rejeição, como [infelizmente] acontece ao se falar nisso). A mãe da Maria autorizou, e então começamos a brincar com a menina.

Disse ao meu filho: “Filhote, pergunta pra ela qual é a cor da dor que ela tá sentindo”. Meu filho perguntou, mas a garotinha ficou relutante em dizer, até que depois de alguns instantes ela respondeu dizendo que a dor era “preta”. O Phillipy já emendou a pergunta da cor do Balão que ela mais gostava, e a resposta foi que o balão que ela gosta tem mais de uma cor, é o “Balão da Hello Kitty”.

Foto: Google Imagens

Disse então ao meu filho: “Lindão, ajude a Maria a amarrar a dor preta no barbante do balão da Hello Kitty. Maria fechou os olhos, que estavam totalmente marejados pelas lágrimas, e disse que já havia amarrado. Então o Phillipy concluiu: “Vamos contar até 3. Quando a gente contar 3, vamos soltar o balão juntos, tá bom?!”. (Enquanto isso, a mãe de Maria apenas ria e se divertia com a “desenvoltura” do meu filho). E juntos, Phillipy, Maria e eu começamos a contar: “Um… dois… (neste momento, o painel de senhas apitou chamando o número da minha senha), três! Solta!”. A menina sinalizou com sua mão esquerda como se estivesse soltando e empurrando o balão para o alto.

Levantei-me, peguei o Phillipy no colo e comecei a dirigir-me para a sala do pediatra, mas parei, voltei-me para a mãe da Maria e disse: “Diga para ela que o balão está subindo e a cor preta está desaparecendo, conforme sobe no céu, e a dor irá embora!”. E corri para não perder a chamada. (Risos)

O mais engraçado, é que não ouvimos mais o choro de Maria enquanto estávamos na sala do pediatra, e quando voltei para o saguão de espera, olhei para o mesmo e não encontrei Maria, mas ao virar-me na direção do corredor da saída, lá estavam elas, Maria e sua mãe, caminhando normalmente para a saída, e Maria sorrindo, sem dor!


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Originalmente publicado em www.SamejSpenser.com.br.

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