Quatro Caminhos para o Subconsciente: Introdução

Imagem de capa por Marcos Baptista

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INTRODUÇÃO

“De que forma podemos entrar em contato com nosso subconsciente?” 🤔
Conheça nesta série, os “Quatro Caminhos para o Subconsciente”! 😉

Bom dia, boa tarde ou boa noite! Eu sou Samej Spenser e você está ouvindo o podcast HP News — Hipnose ao pé do ouvido.

No episódio de hoje dou início a uma série de cinco episódios, sendo este a apresentação e introdução, e os outros quatro apresentando cada um, um caminho para o subconsciente.

O conteúdo é parte do livro “Hipnose Científica Moderna”, de Richard N. Shrout, publicado no Brasil em 1985 pela Editora Pensamento.

Então, sem mais delongas, segue o conteúdo! 😉


QUATRO CAMINHOS PARA O SUBCONSCIENTE

Desejo iniciar falando sobre o que chamo os “Quatro Caminhos para o Subconsciente”. Costumo apresentar esse material aos clientes como uma “sessão preliminar” antes de hipnotizá-los. Aqueles de vocês que estiverem interessados principalmente no autodesenvolvimento e no autoconhecimento acharão esta seção particularmente importante. O entendimento desses “Quatro Caminhos para o Subconsciente” os ajudará a compreender como funciona a mente, como a mente subconsciente atua sobre você mesmo e sobre os outros, e como vocês podem conseguir acesso ao seu subconsciente.

Definição de Subconsciente

De início, devemos definir o que é subconsciente. Esta não é uma tarefa fácil pelo fato de haver muitas definições “metafísicas”, bem como muitas pessoas que fazem uma ideia do subconsciente como algo fantasmagórico ou não material. Não gosto de imaginar o subconsciente em termos tais como “alma” ou “espírito”. Acredito na alma e no espírito, mas não me refiro a eles quando falo sobre hipnose por me parecer uma terminologia inadequada.

A mente subconsciente, como a compreendo no contexto da hipnose científica, é um conceito orgânico e algo materialista. Temos ciência de que não temos só o cérebro e a medula espinhal como centro de controle, mas que também podemos dividir o nosso sistema nervoso basicamente em duas seções: o sistema nervoso central (cérebro e nervos espinhais),¹ que controlam as ações voluntárias, e o sistema nervoso autônomo, que controla as ações involuntárias. Este sistema nervoso autônomo é, por sua vez, subdividido em duas partes: os sistemas simpático e parassimpático. Nosso corpo, em seu todo (músculos e órgãos), reage por intermédio de todo o sistema nervoso, sem muito pensamento consciente. Dessa forma, defino o subconsciente (no contexto da hipnose) simplesmente como “a soma total de todas as funções neurológicas e bioquímicas do organismo que operam abaixo do nível da percepção consciente”.

Vocês poderão dizer, agora, que já expliquei tudo, mas não; eu apenas apresentei o assunto de um modo correto; mantenho o subconsciente dentro do seu sistema nervoso e dentro dos limites do seu corpo. Ele é tudo o que ocorre — a soma total de todas as funções do seu sistema nervoso, do sistema endócrino, de todas as funções eletroquímicas que ocorrem abaixo do nível da sua percepção consciente. Isso é o que entendemos por “subconsciente”: simplesmente tudo o que está ocorrendo com relação àquilo a que você não está conscientemente atento. Dizendo isto, entretanto, cairei no velho hábito de falar sobre o inconsciente como se fosse algo em si mesmo.

Duas espécies de raciocínio

É importante compreender como a sua mente subconsciente “pensa”. (Se ela faz parte do seu sistema nervoso é natural referir-se a isso como “pensamento”.) Lemos, algumas vezes, que a mente subconsciente não raciocina, mas isso não é totalmente verdadeiro. Há duas espécies de raciocínio e é importante sabermos disso a fim de compreender como o subconsciente raciocina.

As duas espécies de raciocínio são o indutivo e o dedutivo. Tentarei explicá-las resumidamente. O raciocínio dedutivo ocorre quando partimos de uma generalização, de uma teoria ou premissa e raciocinamos em direção ao específico. O raciocínio indutivo acontece quando partimos de dados individuais e daí raciocinamos para uma espécie de teoria. Em outras palavras, quando Newton viu uma maçã cair da árvore, percebeu um fenômeno isolado e começou a raciocinar sobre ele para criar uma teoria geral. Com efeito, ele raciocinou indutivamente sobre tudo o que cai, reuniu mais alguns dados e perguntou: “O que isso demonstra?” Então, propôs a teoria da força da gravidade que atrai os corpos. Isso ilustra o processo do raciocínio indutivo; reunir dados e induzir uma teoria capaz de esclarecer todos os fatos conhecidos.

No raciocínio dedutivo, tomamos a teoria que é proposta e deduzimos a partir da mesma. Dizemos: “Ora, se essa teoria é verdadeira, então, em determinadas circunstâncias, isso será verdadeiro e, se isso for verdadeiro, o resto também o será”. (Ou, se a teoria é verdadeira, então, em certas circunstâncias, outras coisas nunca acontecerão.) Desse modo, você testa a teoria.

Nesse caso, vemos representadas duas espécies de raciocínio: um é o indutivo, onde você raciocina a partir de um número de coisas específicas para uma premissa generalizada; o outro é o dedutivo, quando você raciocina da premissa para o específico.

O subconsciente dedutivo

Então, o modo como esse processo se desenvolve em relação ao subconsciente é simplesmente este: nossa mente consciente (a mente que estamos utilizando para ler e analisar neste instante) raciocina desses dois modos. Todos nós podemos raciocinar e o fazemos tanto indutiva como dedutivamente. Entretanto, a mente subconsciente (ou a espécie de pensamento que temos quando estamos no que chamamos de estado hipnótico) é o estado mental que só raciocina dedutivamente. Portanto, podemos dizer que a mente subconsciente não pode raciocinar de forma indutiva. Você poderia perguntar: “Bem, o que significa isso?”. Significa, por exemplo, que, se eu lhe digo neste momento: “A sala está ficando mais fria. A sala está ficando cada vez mais fria. Vocês podem sentir que ela está se tornando mais fria”, e você pensa nisso por um momento e diz: “Espere um pouco. Eu não estou sentindo a sala se tornar mais fria. O que é isso? É uma peça que nos está pregando? Não está de fato se tornando mais fria, está? Há alguém que sente que está ficando mais frio? Pode ser que esteja mais frio onde ele está sentado. Pode ser que ele esteja sentindo calafrios e, essa, talvez, seja a causa de haver dito isso. Vamos olhar para o termômetro e ver se está realmente ficando mais frio”. Esse é um raciocínio indutivo. Você pensa: “Vamos examinar os dados e ver se eles confirmam essa teoria de que a sala está se tomando mais fria”.

Entretanto, se em estado hipnótico dissermos ao seu subconsciente exatamente o mesmo, isto é, “A sala está se tornando mais fria. A sala está se tornando cada vez mais fria. Você pode sentir que ela está se tornando mais fria”, algo totalmente diferente vai ocorrer porque a sua mente subconsciente aceita a minha premissa de que a sala está se tomando mais fria. Este é um fato, na medida em que a mente subconsciente entra em questão. O subconsciente não tem a capacidade de questionar a validade daquela afirmação — pode não aceitá-la totalmente, mas não irá raciocinar indutivamente sobre ela; será aceita total ou parcialmente. Ele não vai procurar uma evidência à parte. A mente subconsciente aceita a ideia de que “a sala está se tornando mais fria” e, então, sendo essa afirmação aceita como verdadeira, tudo o que, pela lógica, poderá advir dedutivamente dessa premissa será também verdadeiro, e você sentirá mais frio. Todo o seu ser reagirá psicológica e fisiologicamente como se estivesse numa sala fria. Você sentirá mais frio e agirá como se estivesse com mais frio; todos os outros que não estivessem em estado de hipnose (que estivessem ainda raciocinando indutivamente) veriam você tremendo e exclamariam: “Por Deus, isso não é interessante?”.

O que ocorre é que a sua capacidade crítica foi temporariamente desviada ou interrompida, para que você pudesse raciocinar apenas de modo dedutivo. A partir de estudos sobre a hipnose, podemos asseverar que a mente subconsciente só raciocina por dedução e nunca por indução. Eis por que a mente subconsciente é capaz de acreditar em muitas, muitas coisas que, afinal, não são necessariamente verdadeiras.

O estado de perda de consciência

Ora, para simplificar isso (e devemos simplificar ao máximo um assunto tão complexo como este), consideremos as mentes consciente e subconsciente como as extremidades de um mesmo bastão: uma mente, em seu todo. Porém, ainda assim, duas funções e dois modos de agir. Os dois aspectos de uma mente estão em constante equilíbrio entre si, como uma gangorra. Com isso quero dizer que, quando um está “em cima” (por assim dizer) ou quando uma extremidade está no comando, a outra está “embaixo”. As duas extremidades não podem estar “em cima”, ao mesmo tempo. Quando você está em estado de total consciência durante o dia, sua mente consciente está no alto. Quando você vai dormir, a natureza tem uma maneira de bloquear a mente subconsciente, como um artifício protetor, para evitar que alguém mal-intencionado possa influenciá-la enquanto você está dormindo. Assim, quando você dorme, a natureza intervém e “fecha a porta” de sua mente subconsciente. Entretanto, há ocasiões em nossa vida em que atingimos certo grau de “perda de consciência” por uma razão qualquer, e nossa mente consciente pode ser descrita como se estivesse um pouco “embaixo”, daí resultando que a mente subconsciente surge ou fica um pouco “em cima”. Nesse instante, o que quer que seja que nós ou os outros digamos poderá afetar a mente subconsciente.

A analogia com o computador

Continuemos a simplificar ao máximo este assunto e usemos a abordagem “cibernética” ou do “computador” para compreender a mente subconsciente.² Julgo que é muito útil observar o seu subconsciente como um mecanismo, tal como um computador. Vejamos, um computador é tão útil quanto a informação que nele está programada. Existem computadores extraordinários, usados em programas espaciais, que podem calcular órbitas intrincadas, o consumo de combustível necessário a uma viagem de ida e volta à Lua, etc. Mas estou certo de que esses mesmos computadores não poderiam nos dizer qual a capital da França se lhes fosse perguntado! Por que não? Porque os computadores só fazem aquilo que são programados para fazer. A mente subconsciente é idêntica a um computador e ela também é programada. Por conseguinte, quando me refiro aos “Quatro Caminhos para o Subconsciente” estou falando dos quatro modos pelos quais a mente subconsciente é programada.

Penso que é importante aceitar este conceito porque a mente subconsciente de todas as pessoas é normal, no sentido de que ela faz exatamente o que foi instruída para fazer. Uma pessoa pode ter um comportamento anormal e ideias muito bizarras, mas não há nada de errado com o mecanismo do subconsciente. Sua mente subconsciente está fazendo exatamente aquilo a que se destina — ela está sendo programada e, baseada num input, ela fornece um output. Há um ditado no ramo da computação que diz: “Entra lixo, sai lixo”. Isso significa que, não importa quão excelente seja o computador, ele deve ser programado adequadamente. Assim, a mente subconsciente é semelhante a um computador e nós estamos programados para a saúde, a felicidade, o sucesso, etc., ou podemos estar programados para a doença, o pessimismo, a infelicidade e o fracasso. Embora a nossa mente subconsciente, em ambos os casos, esteja fazendo simplesmente o que deve fazer, ela está agindo dedutivamente de acordo com o que foi nela programado.


CONCLUSÃO

Então é isso, meus amigos… no próximo episódio vou lhes apresentar o primeiro caminho para o subconsciente: programação da infância! 😉

Você que já está habituado a consumir e ouvir podcasts em seu agregador, lembre-se de visitar o post deste episódio para conferir a transcrição e algumas notas que adicionei.

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Grande e forte abraço e, até o próximo transe! 🌀


CRÉDITOS



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NOTAS

  1. Recomendo aos interessados em aprender e/ou conhecer mais sobre o SNC, que ouçam os dois episódios publicados no SciCast:
     1. SciCast #213: Sistema Nervoso Central 1;
     2. SciCast #223: Sistema Nervoso Central 2. | [Nota de Samej Spenser]
  2. Vamos manter em mente que este livro foi escrito há mais de trinta anos, logo, a terminologia utilizada nesta analogia era relativamente inovadora, porém, independente do tempo, tal analogia ainda permanece aceitável! 😉 | [N. de S.S.]