Transe: Uma Explicação Científica - Parte 2

Samej Spenser
Feb 28, 2017 · 13 min read
“A maioria das pessoas percorre o mundo em transe, destituídos de poder. Nosso trabalho é transformar isso em um transe de capacitação.”
Milton H. Erickson, (1901–1980)

Sinais de hipnose

Uma pergunta que sempre é feita: “Como podemos dizer quando uma pessoa está hipnotizada?” Um hipnotizador experimentado pode dizê-lo simplesmente observando o paciente. Dependendo das características do tipo de transe (que é determinado pelo tipo de indução, positiva ou negativa), um hipnotizador aprende, através da experiência, a associar algumas mudanças na aparência do paciente com o início da hipnose.

O valor de cura do transe

Muitos dos que escrevem sobre a hipnose, especialmente nos Estados Unidos, frequentemente sentem-se obrigados a afirmar que não existe valor terapêutico no estado de transe per se, mas que esse valor está subordinado às sugestões verbais dadas sob hipnose. Devemos nos opor a essa crença até que ela seja modificada. Os hipnólogos soviéticos, de acordo com Platonov, acreditam que existe um grande benefício no prolongado “sono” hipnótico. Na União Soviética, às sessões de hipnoterapia segue-se um período de transe ou “sono sugestionado”, não perturbado por sugestões. Esse estado se prolonga até que o paciente saia dele espontaneamente, talvez após dez minutos ou até duas horas. Durante esse período, o paciente é deixado absolutamente só.

A pílula da juventude e o transe positivo

A chamada “pílula da juventude”, conhecida como KH.3 (e por outras designações), tem sido amplamente utilizada em partes da Europa. Desenvolvida pela Dra. Ana Aslan, diretora do Instituto de Geriatria de Bucareste, em 1951, a pílula reduziu drasticamente os sintomas de envelhecimento. Ela provocou o retorno do senso de humor às pessoas idosas, o crescimento do cabelo na cor natural e produziu efeitos favoráveis em algumas (então) incuráveis doenças, tais como a doença de Parkinson [2].

A profundidade do transe

O tema da “profundidade” do transe deveria ser considerado não a partir das “escalas de hipnotizabilidade” obtidas artificial e estatisticamente e que são publicadas com frequência, mas sim a partir de níveis, cientificamente demonstráveis, da intensidade das reações emocionais. Por conseguinte, esses “níveis” refletem alterações internas das funções psicológicas bioquímicas e neurológicas, bem como as causadas por simples mudanças externas no comportamento do paciente.

  1. A segunda fase de intensidade das reações emocionais corresponde à primeira fase da “profundidade” hipnótica. Nesse ponto há uma mudança definida no comportamento da pessoa e na sua atividade. Pode ser um aumento ou uma diminuição de memória, de raciocínio, etc., ou uma extraordinária variação de força e resistência e uma suscetibilidade a sugestões de várias espécies. É esta a fase de intensidade que costuma ser observada no comportamento de massa ou na “psicologia popular” e é também a fase de intensidade que a maioria das pessoas religiosas sente durante os serviços religiosos. Esse é o estado que uma pessoa experimenta ao assistir a um bom filme, quando a combinação de relaxamento muscular, relativa imobilidade, limitação do campo visual e uma identificação emocional com os atores na tela produz um estado que realmente corresponde ao estado hipnótico deliberadamente induzido durante o estágio inicial. A mesma situação é quase sempre atingida durante a psicoterapia e no aconselhamento. É a primeira fase da hipnose, algumas vezes chamada de relaxamento hipnoidal ou hipnose “acordada”.
  2. A terceira fase de intensidade de reações emocionais corresponde à segunda fase de “profundidade” hipnótica. Nessa ocasião, ocorrem substanciais mudanças no comportamento, caracterizadas por acontecimentos tais como inibição muscular, sonambulismo, catalepsia e analgesia ou anestesia.
  3. A quarta fase de intensidade de reações emocionais é a máxima intensidade que foi atingida (por emoções estabilizadoras ou perturbadoras) e resulta numa virtual paralisia das funções normais do dia a dia. isso aparece como uma “suspensão da animação” ou um estado de extrema letargia. Ela corresponde à terceira fase da hipnose que é conhecida de forma variada como “hipnose profunda”, “transe catatônico”, “estado pleno” ou “estado Esdaile”. Do ponto de vista neurológico, essa fase representa uma extrema estimulação do sistema nervoso simpático ou do parassimpático, dependendo de que tipo de emoção tenha sido intensificada, se estabilizadora ou perturbadora.
  1. Ligeira mudança do comportamento normal. Primeira fase da hipnose. Psicologia de multidão ou de massa. Aumento da imitatividade e da sugestionabilidade;
  2. Mais mudanças. Segunda fase da hipnose. Profunda inibição muscular, analgesia, alucinação, “sonambulismo”;
  3. Mudança extrema. Terceira fase da hipnose. Letargia, “suspensão da animação”, anestesia.

Classificação dos pacientes hipnóticos

Bernheim foi o primeiro a notar que os pacientes diferiam de acordo com a sua suscetibilidade à hipnose. Hipnotizadores que só trabalham com um tipo de paciente (o “fácil”) nunca se preocupam em estudar esse tópico. Por não entender a verdadeira natureza das diferenças existentes entre as pessoas, eles dispensam muitos possíveis pacientes, classificando-os como resistentes, refratários, incapazes de se concentrar, etc.

  1. sanguínea
  2. melancólica
  3. fleugmática

Pavlov e seus cães

O psicólogo russo Ivan Pavlov realizou seus famosos experimentos sobre reflexos condicionados com cães. Ele logo descobriu que alguns cães podiam ser condicionados (ou descondicionados) muito mais rapidamente que outros. Alguns cães podiam ficar “neuróticos” ou “psicóticos” mais fácil e rapidamente que outros. Desses cães, alguns podiam ser curados ou reabilitados mais depressa que outros. Isso significava que nem todos os animais sujeitos às experiências respondiam igualmente aos mesmos estímulos. Nem todos os cães nem todos os seres humanos respondem ao mesmo estímulo de maneira idêntica. Embora os mecanismos do reflexos condicionados fossem os mesmos, havia modificações de respostas devido aos diferentes tipos de sistemas nervosos.

  1. Reações de inibição
    a) Calmo, imperturbável
    b) Ligeiramente inibível

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Notas

[1]: CI·NÉ·TI·CO: adj

  1. Que produz ou modifica os movimentos.

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Brazilian; Hypnotherapist, Mental Reprogrammer, beer (and coffee) lover, podcaster and bearded. http://about.me/SamejSpenser

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