O Grande Desapontamento

Alguns já estão cansados de ouvir sobre esse assunto. Talvez soe simplesmente como um cálculo profético que mal conseguimos acompanhar durante o sermão, ou uma história remota, distante, a qual ouvimos com bastante indiferença. É difícil para nós realmente sentirmos a profunda dor que causou o desapontamento. No entanto, para aquela geração que o experimentou, tenha sido talvez a mais marcante experiência de suas vidas.

Os nossos pioneiros viveram na pele a esperança do breve Advento, para eles (e ao contrário de nós) não era somente uma doutrina. Eles viviam e respiravam essa esperança, sobre isso conversavam, cantavam, estudavam e refletiam a cada instante de seus dias. Tão intensa era, que toda a sua vida cristã passou a revolver em torno deste único ponto — a iminente volta de Jesus. Crianças deixaram de ir às escolas, fazendeiros deixaram de colher suas plantações, comerciantes fecharam seus estabelecimentos.

Contudo, tão grande expectativa trouxe igualmente grande desapontamento. Aliás, esta palavra — desapontamento — não chega perto de descrever o que realmente sentiram quando o relógio badalou à meia-noite do dia 22 de outubro.

Hiram Edson descreve:

Tal espírito de choro sobreveio sobre nós como nunca havíamos experimentado antes. Parecia que a perda de todos os nossos amigos terrenos não poderia servir de comparação. Nós choramos e choramos até o dia raiar.

Corações despedaçados, olhos inchados de lágrimas. Como se repentinamente o chão lhes houvesse sumido de baixo dos pés, os primeiros adventistas caíram no mais profundo desespero, sem saber o que pensar, fazer ou para onde ir. Edson continua:

Refleti em meu coração, dizendo, ‘a experiência do advento foi a mais rica e brilhante de toda a minha vida cristã. Mas, se foi um erro, então para que serviu todo o resto da minha experiência como cristão? Seria a Bíblia um erro? Não há nenhum Deus, céu, nenhuma cidade dourada ou Paraíso? Seria tudo isso uma fábula astuciosamente elaborada?’

Jesus não veio, e isso lhes doeu tanto na alma que chegaram a duvidar mesmo da existência de Deus. E ainda assim, aqui estamos nós hoje, mais de 170 anos se passaram, e ainda nutrimos a mesma esperança. Me pergunto, no entanto, se com aquela mesma intensidade e sinceridade.

Após 1844, questionaram Miller se ele havia calculado outra data para o Advento. Ele respondeu que, de fato, tinha fixado sua mente em um dia específico, “esse dia” disse ele, “é hoje, hoje, e hoje”.