Um batismo no gelo

Uma das primeiras igrejas adventistas foi fundada na cidade de Washington, New Hampshire. No entanto, em meados da década de 1860, a fé dos irmãos havia grandemente se esfriado. Um deles, chamado Joseph Smith, se opunha publicamente aos testemunhos de Ellen White, ridicularizando-a sempre que tinha a oportunidade. Além disso, já não havia reuniões de escola sabatina, e a igreja chegou a ficar fechada por semanas sem nenhum culto de sábado. Até que em 1867 o pastor J. Andrews resolveu visitá-los.

Reuniões foram organizadas, mas foi difícil enfrentar a frieza espiritual que havia se instalado. Partindo para visitar as famílias em casa, Andrews chegou ao lar de um fazendeiro – William Farnsworth. Decidiu então apelar aos membros mais jovens da família, e o Sr. Farnsworth informou que seus filhos estavam espalhados trabalhando pelo campo. Tomando uma enxada na mão ao sair da casa, Andrews logo se aproximou de um deles, Eugene, e passou a ajudá-lo a cultivar as fileiras de milho. Numa pausa para descanso, o jovem pastor (então com apenas 28 anos) olhou para o menino e questionou:

– Eugene, me diga, quais são seus planos para o futuro?

– Bem, pastor, antes de tudo eu pretendo seguir os estudos. — respondeu o garoto.

– Que ótimo, é a melhor coisa que você pode fazer. Mas, e depois?

– Aí vou estudar direito!

– Poderia ser pior. E depois?

– Eu pretendo me tornar o melhor advogado do estado!

– E depois o que?

– Espero ganhar muito dinheiro e visitar outros países.

– Aham, mas e então?

– Então acho que vou me casar e morar numa boa casa.

– E depois?

– Hm, acho que vou envelhecer e morrer como todo mundo.

Olhando o rapaz nos olhos, Andrews fez então a última pergunta:

– Eugene, mas, e depois?

Eugene não tinha resposta. Por mais curto que pudesse ter sido o diálogo, foi o suficiente para deixar nele profundas impressões. Alguns meses depois, Ellen White veio visitar a cidade. Em uma reunião no sábado à tarde, Eugene estava presente, e viu quando ela começou a discorrer sobre os erros ocultos que tinham mantido as pessoas naquele estado de mornidão espiritual. O Sr. Farnsworth havia voltado a mascar tabaco, embora estivesse escondendo isso da família. Mas Eugene o havia visto cuspindo no chão e em seguida tentar encobrir a mancha escura com neve. Ele então pensou "se a irmã White é mesmo uma profetisa verdadeira, ela vai repreender o meu pai". Para sua supresa, mal ele havia tido esse pensamento, quando Ellen se virou para seu pai e exclamou: "vejo que este irmão é um escravo do tabaco, e o pior é que tem tentado enganar seus irmãos escondendo isso deles."

Ao final da série de conferências, entre as orações e confissões dos adultos, dezessete adolescentes e jovens responderam ao apelo. Eles pediram pelo batismo. No entanto, estavam no meio do inverno, e todos os lagos e córregos estavam congelados. Foi proposto que esperassem alguns meses, até a primavera, mas mesmo assim, doze deles não estavam dispostos a esperar. Assim, foram até o meio de um lago e cortaram ali um buraco no gelo e, um a um, foram descidos nas águas geladas. Entre eles estava o jovem Farnsworth.

Mas, e depois?

A história registra que ele desistiu de seu sonho de ser advogado para se tornar um pastor adventista.

Eugene Farnsworth