A morte da Santa Efigênia

Como está um dos principais pólos da tecnologia do centro de São Paulo

Região central da maior cidade, do maior estado do país. O bairro é Santa Efigênia, tem como subprefeitura a Sé. O bairro foi fundado em abril de 1912 anos o nome foi dado pelo rei Dom João VI em homenagem a Ifigênia da Etiópia.

Ifigênia da Etiópia era filha de Eggipus e Eufenisa, reis da Núbia, hoje ela é considerada pela igreja católica uma santa. Ela foi responsável pela disseminação do cristianismo na Etiópia, um dos países mais antigos do mundo, localizado no nordeste da África do Sul.

Em 1809 foi construído a Paróquia Matriz Nossa Senhora da Conceição ou Basílica Santíssimo Sacramento, conhecida também como Igreja Santa Ifigênia. Foi uma homenagem feita para a santa. A igreja está localizada na esquina da avenida Cásper Líbero com a rua Rua Santa Ifigênia.

Paróquia Matriz Nossa Senhora da Conceição. Foto: Julia Sansoni

No século XX, meados dos anos 80 e 90 a Santa Ifigênia era um dos melhores polos comerciais para quem procurava por produtos eletrônicos, como, por exemplo, cabos HDMI, teclados, mouses, cabos para a época da famosa internet discada, dentre outros produtos.

Hoje não é bem isso que acontece, o bairro tem que competir com os demais polos comerciais, próximo a ele, como, por exemplo, a Rua 25 de março que se encontra dominada pelo comércio dos chineses, libaneses, turcos e coreanos. Ou ele enfrenta algo um pouco pior, as compras onlines. Apesar desse segmento ser um pouco mais caro e alguns dias de espera. É o mercado atual que mais vende, dado que as pessoas vivem correndo em suas vidas diárias e principalmente pela praticidade. “Preços baixos da internet e a concorrência desleal de chineses e libaneses, dificulta bastante as vendas.” É o que conta Ronaldo do Prado Martins, da loja Chyk fotos e vídeos.

Viaduto Santa Ifigênia cheia de vendedores ambulantes. Foto: Julia Sansoni

Além da alta competitividade dos centros comerciais, os donos e funcionários das lojas enfrentam diariamente a venda ambulante nas principais ruas da Santa Ifigênia. Em meio a esse comércio ambulante, obviamente camuflados, encontramos assaltantes andando livremente de dia nas ruas do bairro, colocando em risco a integridade dos consumidores.

“Nós não podemos nem deixar os produtos em cima do balcão que eles somem. As pessoas passam a mão. Já levaram da nossa loja várias câmeras e acessórios”, comenta o funcionário da Chyk fotos e vídeos, Vinícius Ciongoli, quando questionado sobre os furtos sofridos no bairro.

Leandro Pacheco dono da Trato Feito, que foi fundada em maio de 2008 e está localizado em uma galeria na própria Rua Santa Ifigênia sentiu que o comércio é prejudicado por conta do comércio ambulante. “existem dois tipos de pessoas nas ruas que exercem essa função de populacionar as ruas e calçadas. Os vendedores ambulantes e os “ puxadores”. Existe um forte policiamento em relação aos ambulantes pois dificultam a circulação dos pedestres nas calçadas onde montam suas barracas, dificultando inclusive o trânsito pois os populares caminham na rua pela falta de espaço. E geralmente oferecem softwares e jogos pirateados que hj tem um público mais seleto. Os “ puxadores “ direcionam clientes para determinadas lojas e dividem opiniões sobre serem ou não úteis nas ruas, porque favorecem quem paga mais e as vezes atrapalham o mercado natural de algumas lojas”, comenta Pacheco.

Loja no final do viaduto Santa Ifigênia. Foto: Julia Sansoni

Na trato feito games o forte de vendas são os consoles, artigos para videogames em geral e acessórios dos mais variados. “No nosso seguimento não houve tanta influência, apesar de serem fabricantes de praticamente tudo que vendemos, pela mão de obra barata, a vinda de lá pra cá não é tão vantajosa pelo custo e tamanha dos produtos. Não existe algo similar que concorra diretamente com nossos produtos como celulares e acessórios em geral”, esclarece Pacheco sobre o mercado chinês no Brasil.

Já para as lojas de segmentos como, por exemplo, luminárias e leds, houve sim uma queda no mercado, “Em outros segmentos como luminárias, led, lustres, houve sim uma grande influência do chinês do mercado pela grande diferença nos valores”, sinaliza Pacheco.

Loja situada na Santa Ifigênia. Foto: Julia Sansoni

Que o bairro vem passando por uma constante mudanças ao longo dos anos é bem evidente, já que querendo ou não o mercado deve se moldar conforme as preferências dos usuários. “Eu só vejo a degradação do bairro, não consigo ver melhorias em nada. Além de faltar a segurança e a limpeza pública”, conclui Martins. Já para Pacheco, “Estruturalmente falando, não mudou nada, mas em questão de segmentação mudou muito. A Rua que era conhecida por ter todos os tipos de componentes eletrônicos, hoje quase não existe mais o seguimento com a vinda da internet e dos grandes Market Place e a vinda de uma variedade imensa de novos produtos e serviços”, conclui Pacheco.

De todas as dificuldades que os comerciantes encontram todas são comprovadas com um breve visitas e andada por toda as região. A falta de segurança é um fator de muita visibilidade e falta dela por parte dos órgãos públicos, além das calçadas terem buracos obrigando os pedestres usarem as ruas, o que acaba dificultando muito assim o tráfego na região. Além de já termos falado sobre sobres os vendedores ambulantes e o os famosos puxadores.