Do céu às silhuetas; mérito aos fazedores.

As ideias andam pelo céu como os peixes andam no mar. Umas, as mais evidentes passeiam-se à superfície, outras mais valiosas e difíceis de encontrar, nadam por partes mais profundas. A criatividade é o processo que leva as ideais deste lago no céu ate à existência aqui, onde vivemos. Neste processo, de tornar real uma ideia estão envolvidos vários trabalhos. Continuando a fazer uso da nossa analogia, do lago das ideias até ao prato da existência tem que haver pescadores, mercadores de lota e cozinheiros ou grelhadores para podermos usufruir dos frutos (ou pescado) da criatividade.

Luísa Villar do atelier louana — um dos passos da execução da nossa tira.

Estranhamente no que toca à criação de moda, a divisão do mérito entre estas funções na cadeia da criatividade é muito desbalanciada. Os pescadores de ideias de moda, que conhecemos como desenhadores ou autores de moda recebem uma fatia enorme da nossa apreciação. Merecem, mas nós achamos que o bolo deveria ser maior, porque como são as coisas hoje, a fatia dos designers é merecida, mas quando a damos sobra de menos para darmos aos modistas, costureiros e demais executantes das peças.

A criatividade não é só o desenhar de uma peça, porque tem tanto de mérito e trabalho passá-la da cabeça para o papel como depois passa-la do papel para a existência, o único espaço onde podemos usufruir inteiramente do seu valor.

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