
Bicicletas, aviões e as vans escolares
No asfalto quente, ele voa com a sua bicicleta. Em outros tempos, já pensou em voos mais altos, mas acabou aterrisando nas vans escolares. Guilherme Brambila cresceu na casa que mora até hoje com os pais, na zona leste de São Paulo. Não foi um menino muito ligado à tecnologia quando criança. Gostava mesmo era de brincar na rua tranquila com sua irmã, amigos e primos. Aos 17 anos, percebeu que gostava de informática e foi trabalhar no bairro fazendo manutenção de computadores. Mas, seu maior sonho era ser piloto de avião. Antes de concluir o Ensino Médio, Guilherme fez um curso de web design e começou a trabalhar. “Meu pai disse que não conseguiria investir o suficiente para que eu me tornasse piloto. Então, resolvi escolher uma área para conseguir o dinheiro para realizar meu sonho”.
Enquanto trabalhava como web designer, ele decidiu fazer o curso de Sistemas de Informação. “Assim que entrei na FIAP, já soube que teríamos que fazer uma startup como conclusão do curso. Eu e meus colegas pensávamos em desenvolver algo que realmente ajudasse as pessoas”.
Guilherme sempre ouvia um dos colegas de turma reclamar que nunca sabia onde estava o ônibus fretado, que utilizava no transporte para sua casa em uma cidade vizinha. Então, ele teve a ideia de criar um aplicativo que rastreasse o tal do ônibus. Porém, depois de uma pesquisa de mercado, Guilherme descobriu que existe um número enorme de crianças que utilizam o transporte escolar. São cerca de 30 mil transportes escolares credenciados em São Paulo, com uma média de 17 crianças em cada. BINGO! O grupo decidiu fazer um aplicativo em que os pais pudessem acompanhar o trajeto de seus filhos da escola para casa. Assim nasceu o Escoolar!

O aplicativo foi desenvolvido por Guilherme e mais dois alunos. Eles tiveram a mentoria dos professores Magnus Arantes e Luciano Gaspar e ficaram entre os melhores grupos da competição que envolve o trabalho de todos os cursos da FIAP — o Startup One. Os outros dois integrantes do grupo não quiseram seguir com o projeto. Mas depois de se formar em 2014, Guilherme decidiu levar o Escoolar sozinho e tem dado muito certo!
“No primeiro ano, continuei trabalhando na empresa em que estava para conseguir manter o aplicativo. Disponibilizei o Escoolar gratuitamente, para que as pessoas pudessem testar. Mas eu não tinha dinheiro suficiente para divulgação e foi aí que entrou uma parceria estratégica com a FECOMESP — uma feira para transporte escolar. Lá tive a oportunidade de mostrar meu projeto para os condutores e resolvi mudar o foco do Escoolar. Inicialmente, pensei em fazer uma assinatura para os pais terem o serviço pago depois da fase de teste, porém, percebi que os condutores eram os maiores interessados em assinar o aplicativo. Com o tempo, constatei que o Escoolar seria um diferencial para os condutores. Eles deram credibilidade ao seu trabalho oferecendo aos pais o acompanhamento do trajeto de seus filhos da escola até em casa. Além disso, acrescentei outras funcionalidades que foram surgindo através do uso e, por manter um contato direto com os motoristas, percebi alguns outros serviços em potencial”.
O jovem empreendedor não sonha mais em ser piloto de avião: se encontrou no trabalho de facilitar a vida das pessoas através da tecnologia. No fim de 2014, ele saiu da empresa em quem trabalhava para se dedicar somente ao Escoolar. O alcance do aplicativo impressiona: já está presente outros estados, como Paraíba, Minas Gerais e Macapá.

Guilherme acompanha ao vivo onde o aplicativo é utilizado, através de uma ferramenta criada por ele. Também estuda formas de melhorar o desempenho do Escoolar, acompanhado pela sua gata Madalena e sua cadela, Pretinha. O empreendedor tenta manter uma rotina, anda de bicicleta todos os dias e estuda muito para conseguir crescer sozinho. “É preciso muita disciplina e às vezes sinto falta de uma pessoa para trocar ideias, discutir alguns passos a serem dados. O que me motiva bastante é quando recebo um feed back positivo, fico feliz em estar fazendo algo que está resolvendo os problemas das pessoas”.
