Seu Bernaldo cortando a árvore da seringa para a retirada do leite. Foto: Maria Augusta Torres/ISA

Eu vivo da floresta

Indígenas, ribeirinhos e agricultores familiares se reúnem para discutir estratégias para produzir e preservar com valorização e integração da Terra do Meio, no Pará

Debates e oficinas aconteceram na escola do pólo Manelito, na Resex do Rio Iriri. Foto: Rafael Salazar

“Não só manter a floresta em pé, mas ficar em pé com ela”

Crianças Xikrin também participaram das atividades. Foto: Rafael Salazar

Eu vivo da floresta

Reginaldo Pereira Nascimento, o seu Reginho, seringueiro há mais de 50 anos na Resex Riozinho do Anfrísio. Foto: Rafael Salazar

“A floresta é de onde eu tiro meu sustento, é onde eu criei meus filhos, onde meu pai me criou. Sem a floresta nós tamo arrasado, sem ela não tem uma chuva, tudo que plantar se acaba. Com a floresta em pé, tamo feliz com a nossa vida, criamos nossos filhos, e não é só eu mas todos os meus companheiros. Se ele [madeireiro] acabar com a floresta, tá arrasado eu e ele. O que eu mais gosto de fazer? Rapaz, o que eu mais gosto de fazer é cortar seringa, botar minha roça, e tratar bem da floresta!”

Juma Xipaya, cacique da aldeia Tukamã. Foto: Rafael Salazar

“A floresta pra mim é tudo. Não tem palavras suficientes pra dizer. Muitos já falaram ‘tem que manter a floresta em pé’, mas é muito mais do que manter a floresta em pé, e sim de se manter em pé com ela. É a raiz, é a nossa mãe. O significado não tem proporção, não tem tamanho, não tem palavras que possa traduzir, é só a vivência”.

Raimunda Rodrigues, coordenadora da miniusina do Rio Novo, no rio Iriri. Foto: Rafael Salazar

“A floresta é a nossa família, é nós. Ela nos dá de tudo, a gente tem que fazer de tudo pra preservar ela, sem ela não somos nada, nasci, me criei, vivendo disso, vivendo dela”.

Produtos da floresta, povos da floresta

Da esquerda para a direita: a semente da seringueira, o leite da borracha recém extraído e o corte na árvore. Fotos: Marcelo Salazar/ISA
Seu Bernaldo mistura o leite da seringa com ácido acético em uma bandeja e depois de endurecer o excesso de água é retirado por uma prensa. Fotos: Rafael Salazar

“A cantina é uma oportunidade da gente ser livre”

Pedro Pereira na cantina do seu Do Carmo, no pólo Manelito. Foto: Rafael Salazar
Seu Carlinhos, da comunidade Boa Esperança no rio Iriri. Foto: Rafael Salazar

Miniusinas e oficinas caboclas

Raimunda coordena a entrada e saída dos produtos da floresta. Os extrativistas podem escolher se o pagamento será em dinheiro ou em produtos da cantina. Foto: Rafael Salazar
Dedéu, agricultor familiar de Uruará. Foto: Marcelo Salazar
Marlon, seu Aguinaldo, dona Chagas, Francisca e Raimunda, duas gerações que gerem a miniusina do Rio Novo. Foto: Rafael Salazar

Fortalecimento da economia da floresta

Atividade debateu a valorização da floresta. Ao centro, seu Reginho e Tekenhkarati Xikrin. Fotos: Rafael Salazar

“Como fazer para que os nossos conhecimentos cheguem lá fora?”

“Hoje a gente pode contar com um sistema que quebra esse protocolo do índio e ribeirinho serem conhecidos como preguiçosos, que não fazem nada… É uma oportunidade de transmitir o nosso conhecimento” (Ney Xipaya, professor da aldeia Tukamã)

União dos povos da floresta

Totó e Tibek Arara, da Terra Indígena Cachoeira Seca do Iriri. Foto: Rafael Salazar
Seu Assis, ribeirinho da Resex do rio Iriri é pintado por Ngrenhkarati Xikrin, da Terra Indígena Trincheira Bacajá. Foto: Maria Augusta Torres/ISA

“Nós somos a voz do nosso povo. Independente de ser indígena, ribeirinha, eu tenho orgulho de dizer que somos parentes”. (Juma Xipaya).

Rio Iriri. Foto: Rafael Salazar

Escudo contra a destruição

Expedição para a retirada do leite da seringa. Fotos: Marcelo Salazar/ISA
Fotos: Marcelo Salazar/ISA
Essa reportagem foi enviada diretamente da Resex do Rio Iriri, em uma iniciativa pioneira na Terra do Meio que utiliza o sinal de rádios amadores para envio e recebimento de arquivos. Com mais de cem rádios espalhados na região e difícil acesso à internet, esse sistema, ainda em fase de teste, será um importante instrumento para o monitoramento do território, diálogo entre as cantinas e agilidade na comunicação relativa à saúde. A 3ª Semana do Extrativismo contou com a participação do ISA, Imaflora, Funai, ICMBIO, The Nation Conservancy (TNC), Associação Floresta Protegida (AFP), BNDES e das empresas Mercur, Wickbold, Tucum e Atina. A Firmenich e Quirino não puderam estar presentes no encontro mas também firmaram o compromisso de parceria com as populações da Terra do Meio. O encontro foi apoiado pela Fundação Moore, Fundação Rainforest da Noruega, Enviromental Defense Fund (EDF, Fundo Amazônia/BNDES e Fundo Vale. 

--

--

Histórias que focam na defesa de bens e direitos sociais, coletivos e difusos relativos ao meio ambiente, ao patrimônio cultural e aos direitos dos povos!

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store
Instituto Socioambiental

O ISA tem como foco central a defesa de bens e direitos sociais, coletivos e difusos relativos ao meio ambiente, ao patrimônio cultural e aos direitos dos povos