Pimenta Baniwa fresca. Foto: Roberto Linsker/Terra Virgem

O sabor da floresta em pé

Uma das grandes tragédias do Brasil é o País não haver ainda superado a visão arcaica de que a floresta é um espaço de antagonismo com o homem. De que "mato" é para ser derrubado, de que terreno "limpo" é terreno sem uma árvore em pé. É essa visão que alimentou a destruição de mais de 90% da nossa Mata Atlântica e quase 20% da Amazônia brasileira ao longo dos últimos séculos, para ficar apenas em dois dos biomas mais ricos em biodiversidade do planeta.

O Instituto Socioambiental (ISA) pensa diferente. O ISA acredita que a floresta e suas gentes são riquezas que o Brasil precisa descobrir e valorizar. Para isso, a organização vem promovendo produtos da floresta por meio de parcerias com povos indígena, extrativistas e quilombolas na conexão com mercados e consumidores, no desenvolvimento de tecnologias para produção e no fortalecimento das diferentes formas de organização local.

Reunimos aqui uma lista de produtos da floresta que contam com cadeias de produção estruturadas e redes de distribuição em funcionamento, muitas delas em ampliação. Assim, gradualmente, o Brasil vai poder provar os diversos sabores da floresta em pé.

Cogumelo Yanomami

Povo responsável pela produção:
Sanöma, subgrupo do povo Yanomami
http://isa.to/25dAHi8
Onde encontrar: comercializado no Mercado Municipal de Pinheiros, em São Paulo, nos Boxes Amazônia/Mata Atlântica. Para outras informações acesse o site Cogumelos Yanomami e para novidades curta a página no Facebook
Foto: Claudio Tavares/ISA

Os Sanöma são parte do povo Yanomami. Habitam a região de Awaris, Terra Indígena Yanomami, nas florestas de montanha do extremo noroeste de Roraima, Brasil. Os Cogumelos são um produto do sistema agrícola Yanomami. Este mix, de mais de 10 espécies de cogumelos, é resultado de um profundo conhecimento da ecologia e do manejo do seu ambiente. Conhecimento que alimenta e mantém a floresta em pé.

O produto é o resultado de um trabalho desenvolvido nos últimos 4 anos entre nós do ISA e a Hutukara Associação Yanomami. Fruto da pesquisa liderada por jovens indígenas Yanomami, mais especificamente os Sanöma, sobre os alimentos que fazem parte da sua dieta. Os recursos provenientes da venda dos cogumelos são integralmente destinados às comunidades Yanomami produtoras.

Receita de Espaguete, cogumelos Yanomami e pimenta Baniwa, por Felipe Schaedler | Restaurante Banzeiro de Manaus
Ingredientes
200g de Espaguete
7g de pó de cogumelos
50g de manteiga gelada
60g de queijo pecorino
Pimenta Baniwa á gosto
Preparo
Cozinhe á massa até ficar “al dente”. Enquanto a massa cozinha, rale o queijo. Reserve. Passe os cogumelos por uma peneira afim de tirar alguma parte mais dura. Reserve Aqueça parte da manteiga em uma frigideira e coloque o pó de cogumelos, em seguida abaixe o fogo e adicione o queijo ralado. Para ajudar a derreter o queijo, coloque um pouco da água do cozimento da massa, a quantidade de água é apenas para ajudar a derreter o queijo e hidratar o cogumelo em pó. Ajuste o sal. Coloque a massa na mesma frigideira com pó de cogumelo e queijo e salteie, adicionando a parte restante da manteiga para emulsionar. Sirva em seguida e finalize com pimenta Baniwa á gosto
Diversidade do cogumelo Yanomami. Foto: Moreno Saraiva/ISA

Pimenta Baniwa

Povo responsável pela produção:
Baniwa do Içana e São Gabriel da Cachoeira (AM)
http://isa.to/25dAZFB
Onde encontrar: além de comercializada no Mercado Municipal de Pinheiros, em São Paulo, (Boxes Amazônia/Mata Atlântica), a Pimenta Baniwa pode ser encontrada em outros pontos. Para essas informações acesse o site e para novidades curta a página no Facebook
Foto: Claudia Ventura

Mistura de Pimentas (Capsicum spp.) cultivadas organicamente pelas mulheres Baniwa nas roças e quintais das comunidades do Rio Içana e afluentes, desidratadas e moídas com sal especial.

O cultivo de roças, entre os Baniwa, é uma prática milenar e de responsabilidade sobretudo das mulheres. Inicia-se depois que o homem derruba e queima pequenos trechos de floresta ou capoeiras antigas. Um dos seus principais traços é autonomia em relação a insumos externos, como agroquímicos e maquinário pesado, e sua rica simbologia associada ao trato com a terra, com as plantas, e com os objetos que gravitam em torno do universo das roças.

À esquerda, variações de cor e textura de jiquitaias produzidas pelas mulheres Baniwa do Içana. Foto: Rogério Assis/ISA. À direita, pimenta Baniwa fresca. Foto: Adeilson Lopes/ISA
Variedade de Pimenta (esq.) e a inauguração de mais duas Casas da Pimenta (dir.): uma localizada na Escola Pamaáli, no Rio Içana, 300 km a noroeste do município de São Gabriel da Cachoeira, e outra na comunidade Yamado, na margem direita do Rio Negro. Nesta imagem, da esq. p/ dir., os chefs Felipe Schaedler, Bela Gil e , ao centro, Alex Atala com as mulheres Baniwa da comunidade Yamado. Créditos das fotos: Adeilson Lopes/ISA e Beto Ricardo/ISA

Cerâmica Baniwa

Povo responsável pela produção:
Baniwa do alto Ayari
http://isa.to/25dAZFB
Onde encontrar: comercializada no Mercado Municipal de Pinheiros, em São Paulo, (Boxes Amazônia/Mata Atlântica)
Foto: Claudio Tavares/ISA

A cerâmica é uma arte feminina no Alto Rio Negro. Ela é utilizada como presente individual ofertado, que reúnem dois grupos ligados entre si pelo casamento entre seus membros. A cerâmica acompanha a oferta de bebida fermentada. Estes objetos constituem posses
individuais daqueles que os recebem e serão enterrados ou destruídos juntos
de seus donos quando mortos.

Dentre as principais ferramentas que garantem a qualidade da cerâmica local - marcadamente leve e de polimento refinado — estão as pedras chamadas doowhe (pronuncia-se dúfe) em Baniwa.

Elas são adquiridas por meio de redes comerciais que ligam a bacia do Rio Negro à bacia do Apaporis, de onde elas provêm.

A cerâmica é ainda um distintivo étnico na região. A cerâmica negra, de
pintura em negativo, é característica das mulheres de grupos de fala Tukano
oriental, que habitam majoritariamente as regiões do Uaupés. A cerâmica
de decoração vermelha e acabamento envernizado, é característica das
mulheres de grupos de fala Arawak.

Fotos: Andreza Andrade/ISA

Mel dos índios do Xingu

Povos responsáveis pela produção
Povos da região do Xingu
1) Kawaiwete (Kaiabi): http://isa.to/25dyenC
2) Kisêdjê:
http://isa.to/1TrJmEY
3) Yudja:
http://isa.to/25dyoLS
4) Ikpeng:
http://isa.to/25dypiO
Onde encontrar: comercializado em lojas com bandeira Pão de Açúcar pelo Programa Caras do Brasil, e também no Mercado Municipal de Pinheiros, em São Paulo, nos Boxes Amazônia/Mata Atlântica.
Foto: Claudio Tavares/ISA

Um trabalho realizado pelas comunidades xinguanas em conjunto com a Associação Terra Indígena Xingu e ISA, há quase duas décadas, consolida o Mel dos Índios do Xingu como um produto de destaque nos produtos da sociobiodiversidade, reconhecido pela sua qualidade. Atende aos critérios do Ministério da Agricultura que fiscaliza a produção e concede o selo de inspeção, recebe também o certificado de conformidade orgânica.

O Mel do Xingu, assim como a Castanha-do-Pará beneficiada pelos extrativistas da Terra do Meio (PA), fazem parte da iniciativa Origens Brasil, selo criado para ajudar o consumidor a identificar empresas que valorizam e respeitam, em suas práticas, os Territórios de Diversidade Socioambiental, como é o caso do Xingu. O ISA e o Imaflora são os criadores desta iniciativa.

Vídeo sobre a iniciativa Origens Brasil
Fotos: Marcelo Martins/ISA

Óleo de Pequi

Povo responsável pela produção:
Kisêdjê, habitantes da região do Xingu (Município de Querência/MT)
http://isa.to/1TrJmEY
Onde encontrar: comercializado no Mercado Municipal de Pinheiros, em São Paulo, nos Boxes Amazônia/Mata Atlântica.
Foto: Claudio Tavares/ISA

Hwin Mbê — ou óleo de Pequi, na língua do povo Kisedjê — é produzido pelos índios do Xingu há séculos seguindo o método tradicional a frio que extrai da
fruta o perfume, o sabor, a cor e a riqueza das propriedades preservadas no óleo. Na culinária, é usado em receitas famosas como a galinhada com pequi e o arroz com pequi. Recentemente, tem sido apreciado também em frituras, massas e como azeite em saladas. Por sua consistência e altos teores de vitaminas, ferro e fósforo é também usado como hidratante para pele e cabelos. Chamado de a “roupa do índio”, o óleo de Pequi na pele proporciona um tom dourado, hidrata e nutre. A alta concentração de betacaroteno pró- vitamina A (107.000 U.I/100g.) tem a propriedade de absorver as radiações ultravioletas e atuar na neutralização de radicais livres.

Arroz de Pequi por Alex Atala
Ingredientes
250g de arroz
500ml de água
1 cebola pequena picada
1 cebola pequena cortada meia lua
25 ml de óleo de pequi
sal
Preparo
Em uma panela, refogue a cebola com um pouco de óleo. Coloque
o arroz e acrescente a água pré-aquecida. Mexa e acerte o sal.
Cozinhe com a panela tampada, em fogo brando, por aproximadamente 20 minutos ou até que esteja macio. Reserve. Em uma panela, coloque o óleo de pequi e refogue a cebola. Acrescente o arroz cozido e misture bem.
Fotos: Marcelo Martins/ISA

Utensílios da cozinha Yudja

Povo responsável pela produção:
Saiba mais sobre os Yudja, habitantes da região do Xingu
http://isa.to/25dyoLS
Onde encontrar: comercializado no Mercado Municipal de Pinheiros, em São Paulo, nos Boxes Amazônia/Mata Atlântica
Foto: Claudio Tavares/ISA

O universo da alimentação do povo Yudja existe pela complementação entre o feminino e o masculino, entre os velhos e os novos. A cadeia de produção do alimento reveza o trabalho dos homens na abertura das roças, das mulheres na seleção das sementes, da reunião de ambos no plantio e colheitas, novamente, as mulheres no trato e preparação, dos caçadores e pescadores na oferta dos complementos. A produção de objetos utilizados para produção e consumo dos alimentos não difere dessa dinâmica.

Cabaças, cerâmicas, remos, abanadores são produtos da manipulação de materiais de origem agrícola e da coleta de minerais e materiais vegetais cujo manejo visa a reprodução constante dos recursos. Em todos esses objetos da cultura do povo Yudja estão impressos grafismos, uma das expressões mais importantes da identidade do ser Yudja, que além do corpo também se reproduzem nos objetos.

A pintura é uma arte exclusivamente feminina, no mundo Yudja, traços peculiares dentro de um mesmo desenho, quase que invisíveis aos nossos olhos, identificam marcas de família que se perpetuam hereditariamente. Assim cada peça sempre será personalizada.

Matéria-prima utilizada: Argila vermelha da beira do rio; argila branca para tinta branca; carvão casca de caribé; verniz (resina de árvore e óleo de semente de algodão); urucum para tinta preta e borra de carvão para tinta preta.

Cerâmica Waujá

Povo responsável pela produção:
Saiba mais sobre os Waujá, habitantes da região do Xingu
http://isa.to/25dzSWl
Onde encontrar: comercializado no Mercado Municipal de Pinheiros, em São Paulo, nos Boxes Amazônia/Mata Atlântica
Foto: Marcelo Martins/ISA

A Cerâmica Waujá destaca-se no Sistema Cultural do Alto Xingu como objeto de refinada elaboração. Seus tipos variam desde minúsculas panelinhas até panelas com 115 cm de diâmetro. Recobertas com pinturas quando se destinam aos rituais.

A fabricação e pintura da cerâmica entre os Waujá são ofícios que demandam um número pequeno de matérias-primas submetidas a processos técnicos bastante especializados, resultando numa cerâmica de alto padrão técnico. A argila escura (kamalu yalaki) e o espongiário lacustre akukutai são as matérias-primas que compõem a pasta de modelagem. A coleta desses dois materiais ocorre no período da baixa máxima dos rios e lagoas, que corresponde aos meses de agosto e setembro. O período de maior produção cerâmica é entre os meses de novembro e março, os quais marcam a estação das chuvas. (Aristóteles Barcelos Neto)
Fotos: Marcelo Martins/ISA
Fotos: Marcelo Martins/ISA (esq.) e Harold Schultz, década de 1950 (dir.)

Castanha-do-Pará

Responsável pela produção:
Extrativistas da Reserva Extrativista do Rio Iriri
Onde encontrar: comercializado no Mercado Municipal de Pinheiros, em São Paulo, nos Boxes Amazônia/Mata Atlântica. A Castanha-do-Pará beneficiada na Reserva Extrativista também está presente no pão da Wickbold que leva o selo Origens Brasil
Foto: Claudio Tavares/ISA

A Castanha-do-Pará (Bertholletia excelsa) é uma semente rica em óleos e minerais importantes para a saúde, como o selênio. O consumo da Castanha-do-Pará é essencial para saúde do corpo, pois atua como antioxidante, anticoagulante, combate os radicais livres e seus danos. É uma semente típica da região Norte do Brasil, da floresta Amazônica. A extração da Castanha-do- Pará é uma atividade tradicional de ribeirinhos, quilombolas e indígenas realizada entre os meses de dezembro e maio em suas florestas. A castanha é utilizada como alimento e em diferentes pratos típicos regionais como caldeiradas de peixe, sucos com leite de castanha, saladas e carnes.

O manejo das castanheiras na floresta é realizado a gerações por populações indígenas e de seringueiros que aprenderam realizar o manejo adequado da espécie. A castanha do Pará é um dos principais produtos florestais não madeireiros extraídos pelas famílias das Reservas Extrativistas (Resex) da Terra do Meio. Atualmente, além do seu estado in natura com casca, a castanha também é comercializada sem casca, desidratada, o que permite a
armazenagem por mais tempo e uma melhoria na renda dos extrativistas.

O processamento da Castanha desidratada é realizado na Miniusina de beneficiamento de produtos florestais não madeireiros da comunidade Rio Novo na Resex do Rio Iriri. As Miniusina combinam o conhecimento tradicional com outras tecnologias para o beneficiamento de produtos
de alta qualidade.

Ouriço de Castanha na Terra do Meio (PA). Foto: Marcelo Salazar/ISA (esq.) e Anna Maria Andrade/ISA (dir.)
À esquerda, equipamento descascador de Castanha. À direita, processo de embalagem de castanha na Miniusina de Produtos Florestais Não Madeireiros, na Reserva Extrativista do Rio Iriri. Foto: Rafael Salazar/Poltrona Filme

Azeite de Castanha-do-Pará

Responsável pela produção:
Extrativistas da Reserva Extrativista do Rio Iriri (Rio Novo)
Onde encontrar: comercializado no Mercado Municipal de Pinheiros, em São Paulo, nos Boxes Amazônia/Mata Atlântica. 
Foto: Claudio Tavares/ISA

O azeite de Castanha-do-Pará (Bertholletia excelsa) é extraído tradicionalmente pelas populações extrativistas da Terra do Meio das amêndoas da semente da castanheira. A castanha e seus derivados
como o azeite e o leite da castanha são utilizados no preparo de diferentes pratos típicos regionais como caldeiradas de peixe no leite da castanha ou em sucos com frutas típicas como o cupuaçu com leite de castanha. O azeite pode ser utilizado, por exemplo, no preparo de arroz, saladas, carnes, bolos.
O manejo das castanheiras é um conhecimento tradicional de indígenas e seringueiros.

O manejo e a “quebra” da castanha são realizados normalmente entre os meses de dezembro e abril. O óleo de castanha é extraído de forma artesanal ou em Miniusina de produtos florestais não madeireiros. As
Miniusina combinam o conhecimento tradicional com outras tecnologias para o processamento de produtos de alta qualidade.

Receita de Salada de folhas verdes com castanha e óleo de castanha
Ingredientes 
Rúcula
Alface
Endívia
Tomate cereja
Limão
Óleo de castanha do Pará
Sal
Preparo
Pique as folhas verdes com as mãos, acrescente tomate cereja e tempere com óleo de castanha do Pará, limão espremido e sal. Sirva em seguida.
(Fonte: Aromas e Sabores

Farinha de Castanha-do-Pará

Responsável pela produção:
Extrativistas da Reserva Extrativista do Rio Iriri (Rio Novo)
Onde encontrar: comercializado no Mercado Municipal de Pinheiros, em São Paulo, nos Boxes Amazônia/Mata Atlântica. 
Foto: Claudio Tavares/ISA

A Castanha-do-Pará (Bertholletia excelsa) é uma semente rica em óleo e minerais importantes para a saúde, como selênio por exemplo. O consumo da Castanha-do-Pará é importante para saúde, pois atua como antioxidante, anticoagulante e no combate os radicais livres. É uma semente típica da
floresta Amazônica.

A coleta da Castanha-do-Pará é realizada tradicionalmente por extrativistas, quilombolas e indígenas entre os meses de dezembro e maio em suas florestas. É utilizada de diferentes maneiras na alimentação: nas caldeiradas de peixe, na preparação de sucos com o leite de castanha, em saladas e no preparo de carnes.

O manejo das castanheiras é realizado a gerações por populações indígenas e de seringueiros que aprenderam a realizar o manejo adequado da espécie. A castanha do Pará é um dos principais produtos florestais não madeireiros extraídos pelas famílias extrativistas da Resex Riozinho do Anfrísio e Resex do Rio Iriri. Atualmente, além do seu estado in natura com casca, a castanha também é comercializada sem casca e desidratada, o que permite a armazenagem por mais tempo e uma renda melhor para as famílias.

A farinha de Castanha-do-Pará é um dos produtos resultantes do processo de beneficiamento da amêndoa da castanha realizado na Miniusina do Rio novo, na Resex do Rio Iriri. As Miniusina combinam o conhecimento tradicional com outras tecnologias para o beneficiamento de produtos de alta qualidade.

Processamento para transformar sementes em óleos. Foto: Raquel Santos/ISA

Farinha de Mesocarpo de Babaçu

Responsável pela produção:
Extrativistas da Reserva Extrativista do Rio Iriri (Rio Novo)
Onde encontrar: comercializado no Mercado Municipal de Pinheiros, em São Paulo, nos Boxes Amazônia/Mata Atlântica. 
Foto: Claudio Tavares/ISA

A Farinha de Babaçu (Orbignya phalerata) é produzida a partir do mesocarpo (entrecasca) do côco babaçu. A Palmeira do Babaçu é amplamente utilizada pelos moradores da região da Terra do Meio. A palha da palmeira é aproveitada para a confecção da cobertura das casas e fabricação de utensílios domésticos; a farinha do mesocarpo para a produção de mingaus, bolos e uso medicinal; e o óleo da amêndoa do babaçu para uso culinário, especialmente em grelhados e cozidos.

O mesocarpo é uma massa rica em fibras, cálcio, ferro, minerais e nutrientes com propriedades medicinais sendo utilizado pelas famílias que vivem na floresta principalmente como base de um mingau para crianças e como fonte de vitamina para os adultos e idosos. O mesocarpo é extraído das sementes frescas da palheira do babaçu e é composto por 60% de amido. O mesocarpo é beneficiado nas Miniusina comunitárias de produtos florestais não madeireiros das Resex da Terra do Meio, que combinam o conhecimento tradicional com outras tecnologias de beneficiamento para processamento de produtos de alta qualidade.

Receita de Bolo de Babaçu
Ingredientes
3 ovos em neve
3 colheres de manteiga ou metade
de 0,5 copo de óleo
3 xícaras de farinha de trigo
1 xícara de farinha de mesocarpo de babaçu
1 colher de fermento
Preparo
Bata o óleo com a gema, vai colocando farinha, o
babaçu e o fermento. Misture e acabe de amassar
com leite ou água. Coloque na forma e asse.

À esquerda, secagem da amêndoa de babaçu na Miniusina de beneficiamento da Resex do Iriri. Foto: Marcelo Salazar/ISA. À direita, coco babaçú descascado para retirada do mesocarpo para fabricação de farinha. Foto: Daniela de Paula/ISA

Óleo de Babaçu

Responsável pela produção:
Extrativistas da Reserva Extrativista do Rio Iriri (Rio Novo)
Onde encontrar: comercializado no Mercado Municipal de Pinheiros, em São Paulo, nos Boxes Amazônia/Mata Atlântica. 
Foto: Claudio Tavares/ISA

O óleo de babaçu é produzido tradicionalmente pelos extrativistas das Resex da Terra do Meio para uso alimentar e utilizado por diferentes povos indígenas do Xingu no cabelo e em pinturas corporais. A Palmeira do Babaçu (Orbignya phalerata) é muito utilizada pelos moradores da região
de diferentes formas.

A palha da palmeira é aproveitada para a confecção da cobertura das casas e para a fabricação de utensílios domésticos; com a farinha do mesocarpo as famílias fazem mingaus e bolos; o côco, invólucro da amêndoa, é utilizado para a fabricação de carvão e quando queimado sua fumaça repele insetos; por fim, o óleo da amêndoa do babaçu tem amplo uso culinário especialmente em grelhados.

O óleo de babaçu pode ser extraído de forma artesanal ou pelos equipamentos de Miniusina comunitárias. As práticas de manejo dominadas pelos extrativistas em conjunto com as tecnologias de beneficiamento garantem a qualidade e pureza do óleo e a reprodução do babaçu na região do Xingu.

Receita de Bolo de Puba com Azeite de Coco Babaçu
Ingredientes
6 ovos
1kg de puba fresca
1 colher (sopa) de erva doce
1 colher (sopa) de sal ou açúcar,
conforme gosto
1 colher (sopa) de azeite de coco babaçu
Preparo
1. Bata os ovos
2. Misture a massa de puba com a erva doce e o sal ou açúcar
a gosto. Junte aos ovos
3. Aos poucos, acrescente o azeite para a massa ficar bem úmida
4. Coloque a massa em uma assadeira untada com azeite
de coco babaçu
5. Leve ao forno, em fogo médio (220°C), até assar.
Fonte: http://www.apato.org.br/

Farinha de mandioca

Responsável pela produção:
Quilombolas das comunidades Porto Velho e Morro Seco (Vale do Ribeira/SP)
Onde encontrar: comercializado no Mercado Municipal de Pinheiros, em São Paulo, nos Boxes Amazônia/Mata Atlântica
Foto: Claudio Tavares/ISA

A farinha de mandioca é a base da alimentação das comunidades quilombolas do Vale do Ribeira. É um produto fabricado com mandioca plantada na comunidade, por uma ou mais famílias, e mantém a maior parte do processamento artesanal nas casas de farinha.

A importância da farinha é tamanha para os quilombolas que eles possuem mais de 23 variedades tradicionais de mandioca que servem também para a elaboração de outros pratos tradicionais da sua culinária. A comercialização deste produto ocorre por venda direta para o consumidor ou com apoio da Cooperativa dos Agricultores Quilombolas do Vale do Ribeira — Cooperquivale.

Banana Chips

Responsável pela produção:
Unidade Artesanal do Quilombo Nhunguara/ Iporanga/SP
Onde encontrar: comercializado no Mercado Municipal de Pinheiros, em São Paulo, nos Boxes Amazônia/Mata Atlântica
Foto: Claudio Tavares/ISA

Produzida por um grupo de mulheres da comunidade do Quilombo Nhunguara, a banana verde é a base deste produto que se tornou mais uma opção de processamento desta fruta, abundante nas comunidades
quilombolas do Vale do Ribeira. A comercialização deste produto ocorre de duas maneiras: diretamente pelo grupo de mulheres que faz a gestão da
fábrica artesanal ou por meio da Cooperativa dos Agricultores Quilombolas
do Vale do Ribeira — Cooperquivale.

À esquerda, Benedito Silva trabalha em seu bananal no Quilombo Ivaporunduva, em Eldorado/SP. Foto: Anna Maria Andrade/ISA. À direita, cacho de bana que acabou de ser colhido. Foto: Cláudio Tavares/ISA

Taiada

Responsável pela produção:
Quilombo Porto Velho (Vale do Ribeira/SP)
Onde encontrar: comercializado no Mercado Municipal de Pinheiros, em São Paulo, nos Boxes Amazônia/Mata Atlântica
Foto: Claudio Tavares/ISA

Produto tradicional das Comunidades Quilombolas do Vale do Ribeira feito da cana de açúcar, plantado tradicionalmente nas roças de coivara e nos quintais das casas. Este produto, junto com outros, fazia parte da alimentação cotidiana das comunidades quilombolas, utilizado no café com garapa.

A taiada é um produto com produção muito similar a rapadura, a diferença aparece quando a garapa chega no ponto de rapadura e se mistura farinha de mandioca, produzida na própria comunidade quilombola, muitas vezes por outra família, e gengibre e este caldo é mexido por mais um tempo e na sequência colocado nas formas de madeira da rapadura. Do mesmo modo a taiada serve tanto para o consumo da família como para venda. A comercialização deste produto ocorre por venda direta para o consumidor ou com apoio da Cooperativa dos Agricultores Quilombolas do Vale do Ribeira — Cooperquivale

Rapadura

Responsável pela produção:
Quilombo Porto Velho (Vale do Ribeira/SP)
Onde encontrar: comercializado no Mercado Municipal de Pinheiros, em São Paulo, nos Boxes Amazônia/Mata Atlântica
Foto: Claudio Tavares/ISA

Produto tradicional das Comunidades Quilombolas do Vale do Ribeira feito
da cana de açúcar, plantado tradicionalmente nas roças de coivara e nos
quintais das casas. Este produto, junto com outros, fazia parte da alimentação cotidiana das comunidades quilombolas, utilizado no café com garapa.

Para a elaboração da rapadura é necessária a extração da garapa da cana de açúcar em moendas, tradicionalmente com tração animal ou manual e atualmente foi incorporado o motor elétrico. Na sequência é colocado no tacho de cobre onde se ferve até chegar no ponto de rapadura, e depois despejado em formas de madeira próprias, para ser desenformado após esfriar.

O processo de fabricação da rapadura é uma atividade desenvolvida pela família de forma artesanal, podendo ser embalado na palha de milho, tradicionalmente, ou no filme plástico. Atualmente, além do consumo da família, a rapadura é comercializada por venda direta para o consumidor ou com apoio da Cooperativa dos Agricultores Quilombolas do Vale do Ribeira — Cooperquivale.

Mercado de Pinheiros
Rua Pedro Cristi, 89, Pinheiros | Boxe Amazônia/Mata Atlântica
Segunda a sábado, das 8h às 18h. Fecha aos domingos.
Telefone dos boxes: 3032–0875