#6 SXSW 2017. UX para as Cidades do Futuro

As cidades na era da experiência do usuário

UX ou user experience, é um termo muito usado em projetos de desenvolvimento de tecnologia. O UX é um processo para aumentar a satisfação de um usuário com o uso de um produto melhorando usabilidade, acesso e prazer na interação que ele tem. O SXSW mostrou que, mais do que isso, a experiência do usuário (UX) deixa de ser apenas um processo e passa a ser o objetivo principal. Produtos, serviços, negócios e porque não, até cidades, são um meio de entregar aquilo que hoje tem-se de mais valioso e relevante: a experiência do usuário.

A Tale of Future Cities

Até o ano de 2030, 8.5 bilhões de pessoas estarão na terra, e 97% vão viver em áreas urbanas em economias emergentes. Para essa demografia, seriam necessários dois planetas Terra para sustentar o estilo de vida atual.

Esse foi o assunto discutido nesse painel entre Paula Chowles Head de videos da Wired, Andrew Bolwell da VP Hp, Alex Rosson, diretor da Shinola audio e Joshua Kauffman, fundador da Wisdom.vc, uma empresa que investe em empreendedores orientados para o progresso tecnológico em direção a integração global e o desenvolvimento humano.

Por dia, o número de pessoas que migram para centros urbanos tem o tamanho de uma Manhattan. A aceleração da urbanização é um movimento histórico e impossível de ser reduzido na opinião dos participantes. Como afirmou Andrew Bolwell, é o resultado natural da movimentação dos seres humanos. Para Joshua Kauffman essa migração é fundamental porque as cidades são, na verdade, a solução para viabilizar a disponibilidade de recursos do planeta. Como afirmou Kauffman, é vital que as pessoas que se concentrem em grandes centros urbanos inteligentes para que todo o restante do planeta possa ter seus recursos naturais preservados.

Porém, na visão dos participantes, o conceito de centro urbano, que vai viabilizar a vida sustentável nesse planeta, não tem a ver com o que se conhece hoje. Das grandes cidades que existirão em 2030, 95% ainda não existem. Isso significa que serão necessários novos níveis de tecnologia, design de infraestrutura e planejamento arquitetônico para tornar mais simples e prazeirosa a vida desses residentes em centros urbanos de alta densidade.

Seja para as novas cidades, ou para as mega com mais de 10 milhões de habitantes já conhecidas, como Nova Iorque, Tóquio, Londres, Beijing entre outras, é preciso redesenhar completamente o modelo. Para Joshua, durante muito tempo os centros urbanos foram projetados em torno de grandes corporações e não sobre a ótica da experiência dos cidadãos. O resultado disso é uma desconexão entre a cidade e seus habitantes. A cidade não amplia o potencial dessas pessoas como deveria, e os cidadãos se desconectam de tal forma que não colaboram para a construção desse ecossistema. Kauffman usou São Francisco como exemplo. Um grande centro urbano, com riquezas e empresas reconhecidamente inovadoras, mas que não favorece a vida das pessoas que vivem ali. Os habitantes, grande parte de fora, vem para a São Francisco para trabalharem e terem sucesso, fazem economias e voltam para as cidades que realmente amam.

Nesse contexto, o desafio de design para a infra estrutura desses centros urbanos do futuro não são apenas empresas, avenidas e prédios. É repensar a experiência de cidade e isso tem a ver com leis, cultura, blockchain, e outros elementos que não são necessariamente físicos. Quando o output do processo são organizações, prédios e rodovias, as decisões tomadas favorecem a estrutura física e não as pessoas. Joshua trouxe o caso do prédio do Twitter em São Francisco. Enquanto a prefeitura pagou para a empresa USD 1 milhão para se instalarem no prédio no centro. Milhares de pessoas não tem acesso a uma boa qualidade de vida na cidade.

A tecnologia terá papel fundamental na construção dessa experiência também. Mas para Paula, Joshua, Alex e Andrew é preciso conectar tecnologia, humanidade e cidades sob o aspecto da experiência das pessoas também. Quando tenta-se solucionar o problema de mobilidade com carros autônomos, a visão é retrógrada. A discussão na opinião deles deveria ser: Realmente são necessárias toneladas para movimentar pessoas de um lado para outro? Os escritórios são necessários? As bicicletas podem resolver? Como será distribuída a riqueza gerada pela automação de carros e outras coisas? As tecnologias precisam existir para nos apoiar e não o contrário.

A conclusão é que para projetar os centros urbanos do futuro é preciso elevar a conversa. Para que haja relação entre cidadão e cidade é necessário pensar e centrar na experiência do usuário. Para assim, projetar cidades que completem as pessoas e aumentem o potencial dos seres humanos para se relacionar, interagir e produzir de forma saudável e prazeirosa.


O dia de hoje teve ainda alguns assuntos bem interessantes:

Beach Ball Synth
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  • A discussão entre empreendedores formados pelo MIT e Universidade do Texas sobre como o mestrado, MBA e o doutorado podem apoiar o empreendedorismo com convivência com talentos, rede de pessoas e consistência na argumentação.
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