Conexão Stanford: A “Economia Gig” e as transformações no mercado de trabalho

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Aug 23, 2017 · 3 min read

por Wagner Foschini

“I am sorry things seem so messy and unclear. You’ve got to embrace it. All we can do is to keep trying to clean it up the best we can and keep muddling forward the best we can no matter what.” — David Kelley, founder IDEO & Stanford d.school

Assim como o Professor Kelley e todos nós sentimos uma tremenda transformação na economia, na sociedade, na relação entre as pessoas, o professor Paul Oyer, economista e professor da Graduate Stanford Business School, dedica sua pesquisa em entender como essas mudanças afetam o mercado de trabalho. A transição dos paradigmas tecno-econômicos “fordista”, para “acumulação flexível”, nos coloca como protagonistas num momento único na nossa história e na relação do capital com o trabalho.

Um dos sinais dessa transformação é a chamada “Gig economy”, ou “Freelance Economy“, “Economia sob demanda”, “1099 Economy”… enfim, é o ambiente de trabalho marcado pelo trabalho temporário, sem vínculo empregatício. São os freelancers, os empregos sob demanda, os trabalhadores de aplicativos, sendo uma massa crescente de trabalhadores que têm essa modalidade de trabalho com seu emprego primário, ou como uma forma de complementar sua renda.

Sob a perspectiva das empresas, as grandes oscilações econômicas que passaram a ocorrer após o choque do petróleo na década de 1970, as levou a adotar novos arranjos para lidar com tais flutuações. Além disso, torna-se conveniente, sob alguns aspectos, bem como possibilita uma rápida e ou internacional expansão. Sob a perspectiva das pessoas, a busca pela flexibilidade e a autonomia são os principais motivadores da adoção deste tipo de relação.

A avanço da tecnologia é um fator decisivo para o grande crescimento dessas relações de trabalho, que já respondem por 0,5% do PIB da economia americana. Os meios mais famosos que conhecemos são os aplicativos, como uber, que contam com uma massa de mais de 500.000 motoristas nos EUA, mas já existem aplicativos dos mais variados desde atividades de reparos e manutenções caseiras, até aquelas mais especializadas como serviços de freelancers de tecnologia.

Esse fenômeno está acontecendo e crescendo e ganhando proporção no mundo todo, mas existem diversos desafios e reflexões nessas relações. Sem buscar ser exaustivo, vamos a uma delas. Para as organizações, se sob uma ótica econômica de curto prazo faz sentido, devemos atentar para impacto dessas relações para sua marca no longo prazo. Muitos empreendedores sustentam que o vínculo com as pessoas que são centrais na sua estratégia devem ser muito profundos, pois elas carregam o valor na relação com o cliente.

É possível entregar o valor de forma coerente e sustentável nesses tipos de relação? Nesse sentido, a reflexão é, estas relações podem sustentar sua vantagem competitiva no longo prazo? Alguns estudos apontam que quanto mais comoditizado o mercado, mais simples e entendível é a entrega, maior a facilidade dessa modalidade decolar neste mercado. No entanto, sabemos que a comoditização não fideliza, temos o exemplo do Uber, e por aí vai..

Por fim, o professor Oyer sustentar que um dos grandes efeitos da economia gig para as organizações é seu efeito de “densidade nos mercados”. A tecnologia tende a acelerar a criação de pools de excelência e especialização numa perspectiva sem fronteiras, e as organizações passam “arbitrar sobre o trabalho”. Esta é uma oportunidade não só para as organizações mas para todo o ecossistema.

Enfim, temos diversas outras reflexões sob os mais diversos pontos de vistas. Esse movimento é bom para as pessoas e para o mercado de trabalho? Ele aumenta ou diminui as desigualdades? Qual o efeito geral no longo prazo? Bastantes temas para refletirmos e trazermos as nossas organizações e nossas próprias vidas sob uma nova perspectiva que parece ser irreversível.

fonte imagem: www.rashmee.com

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