Mauricio Bueno
Dec 7, 2017 · 5 min read

PESSOAS>ORGANIZAÇÕES>DIMENSÕES DO CONTEXTO

Googleplex

Sobre inovação, é inegável, como apontam alguns estudiosos sobre o tema, que trate-se de uma mudança capaz de gerar valor. Avanços tecnológicos, transformações de comportamento do consumidor, intensificação e variações no ambiente de negócio são alguns fatores geradores de necessidade dessas mudanças dentro das organizações nos dias de hoje. Organizações que inovam são aquelas capazes de responder a variação desses fatores e estão, portanto, mais aptas a mudar e melhorar os seus processos, ou diferenciar seus produtos e serviços na direção de gerar maior valor.

Nesse contexto, embora não seja um tópico recente, cresce continuamente e torna-se o centro da teoria das organizações o tema do aprendizado organizacional. Sendo considerada por alguns autores como a única vantagem competitiva sustentável “[…] o ritmo em que os indivíduos e organizações aprendem pode se tornar a única vantagem competitiva sustentável, especialmente em setores intensivos em conhecimento”.(STATA, 1997, p. 378).

Então quais seriam algumas das competências individuais capazes de estimular a busca e a geração aprendizado dentro das organizações inseridas em contexto de inovação?

Conhecemos algumas pessoas incríveis que vivem a inovação e esse contexto no seu dia a dia no Vale do Silício. Sejam profissionais dentro de grandes empresas como o Google ou Facebook, startups como Malwarebytes ou Medallia e outras instituições como a Singularity University por exemplo.

Embora ainda não estamos em tempo de tirar conclusões sobre as nossas conversas, visitas e aulas por aqui, pudemos aprender algumas coisas a partir das histórias trazidas por todos esses profissionais. Quatro competências importantes conectadas com o aprendizado em contexto de inovação, já mapeadas também por outros autores dentre eles Teresa Amabile e Joseph Tidd, se destacaram:

  1. Pessoas inteligentes que pensam grande: Pensar grande tem a ver com possuir conhecimentos e habilidades prévios e consistentes mas buscar incansavelmente novos, e combiná-los de formas impensáveis. É notável a observação de como em suas histórias os quatro profissionais trouxeram diversos casos sobre quando isso se passou em suas vidas — seja na sede de sempre querer resolver desafios, ou na maneira questionadora como trabalham em seus projetos. Samuel Goto foi um dos primeiros alunos, talvez o primeiro, do Instituto de Computação da Unicamp a vir para o Vale do Silício. Isso por si só já é um exemplo de desafiar o status quo e pensar de forma diferente, mais indo além, isso também diz muito sobre como Goto encara e vive em sua carreira, exemplificado por ele pela diferença entre genótipo (o que é dado geneticamente) e o fenótipo (o efeito do ambiente) “Igualmente importante de saber distinguir as coisas que você *não pode* mudar (por exemplo, seus genes) é saber identificar as coisas que você *pode* mudar (e.g. sua atitude)…então bola para frente”. E foi assim que Samuel abriu caminho e inspirou alguns dos seus “bixos” a partirem para cá também, como o próprio Felipe Sodré, também do Google: “Quando vi o Goto, um brasileiro da Unicamp assim como eu por aqui pensei: Ah, isso é possível então”.
  2. Engajamento Apaixonado: Nas conversas que tivemos por aqui, sentimos como se estivéssemos conversando com os fundadores dos negócios. Embora não sejam, é notável o interesse intenso, o prazer, a satisfação em sonhar, experimentar e fazer coisas que nunca tinham feito. Thiago Teodoro, ex-HP e hoje Product Strategist na Malwarebytes, uma startup de cyber security, contou com entusiasmo, orgulho e protagonismo as conquistas que a empresa já teve até agora e como olham para o futuro. “Fazer parte de uma startup que cresceu tanto em bootstrapping (rodando apenas com recursos próprios) e hoje é uma empresa que emprega mais de 600 pessoas é incrível”.
  3. Criação de redes: Aprender por aqui tem a ver com a sua habilidade de acessar pessoas e criar conexões. As organizações, nas quais as pessoas com que conversamos estão, lidam com problemas complexos e coisas novas praticamente todos os dias. Nesse ambiente de constante mudança, onde os processos e procedimentos não dão conta do recado, o conhecimento e as competências, que são os protagonistas por aqui, estão nas pessoas. Reconhecer uma necessidade de aprendizado e acessar as pessoas capazes que apoiá-lo são competências fundamentais. Uirauna Caetano, Android Strategy Manager no Google contou: “Temos alguns poucos processos por aqui para atividades muito específicas mas quando precisamos resolver algo novo, é realmente novo, então, os processos não dão conta, é preciso acessar pessoas capazes de nos ajudar. É muito comum quando você entra no Google por exemplo, agendar encontros one a one para conhecer as pessoas e aprender com elas.”
  4. Foco e determinação: Nada de voo de galinha por aqui. Quando partem para um objetivo, vão com força. O foco e a determinação são fundamentais para quem quer produzir e aprender algo novo, e o erro é um passo celebrado para o aprendizado. O sentimento que ficou a partir das histórias que ouvimos dos quatro profissionais é que além de constantemente empurrarem os seus limites, eles se dedicam com foco e determinação para superá-los, Felipe Sodré, Tech Lead Manager no Google contou: “Quando eu defini vir para o Google sabia que precisava melhorar o meu inglês, então parti para um intercâmbio onde trabalhei nas mais diferentes funções em uma estação de esqui com foco em aprimorar o idioma. Quando terminei, apliquei no processo do Google e passei”. Outro ponto importante no processo de empurrar os limites tem a ver com o erro, aqui ele é celebrado. Sodré comentou: “Estamos imersos na inovação, sabemos que vamos errar, então temos que trabalhar e aceitar essa hipótese. Em outra empresa que já trabalhei por aqui, o Facebook, eu mesmo já cometi um erro que me permitiu aprimorar um produto. Isso só é possível em um ambiente onde não há o foco na culpa e sim uma valorização do erro como processo de aprendizado”.
Malwarebytes HQ

Depois que vimos até agora, nos parece mais importante do que saber o que esses caras tem, é a reflexão sobre o que os estimula a continuar aprendendo, evoluindo e pressionando os seus próprios limites.

Ainda temos muito o que ouvir e aprender por aqui, mas a nossa missão pelo Vale do Silício nos trouxe algumas hipóteses sobre quais competências individuais são mobilizadas por aqui e nos instigou a estudar e hackear ainda mais essas pessoas e organizações inspiradoras que habitam o Vale.


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Onde empreendedores fazem acontecer.

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