
#Opinião
Give Greece a Chance
por Eduardo Hiroshi parceiro weme
Cinco anos atrás o berço da civilização ocidental pedia uma chance. Depois de nos oferecer a sabedoria de Sócrates, Aristóteles e Platão, a dramaticidade de seu teatro, e formatar nosso senso estético (padrão áureo, arquitetura, escultura etc.), restou aos gregos passar o pires e pedir uma chance.
Dramático, infantil, imbecil e humilhante. Em um mundo globalizado, pequenas decisões locais têm impactos globais. Pagar ou não pagar deixou de ser apenas um problema dos gregos. Hoje é um problema para investidores, empresas, governos, sistema financeiro e finalmente, para cada um de nós em qualquer lugar do mundo.

Aí o presente de grego foi dado ao Brasil! O país, que em 2009 parecia um foguete aos olhos da “The Economist”, hoje está atolado em um mar de corrupção e desgovernança. Pior, com o Levy batendo as portas das agências de risco, dizendo que a Petrobras e o Brasil são sérios e comprometidos com a boa governança e com os bons fundamentos econômicos. Quase um “Give Brazil a Chance”.
Talvez agora gregos e troianos, ou melhor, brasileiros, possam aprender algo mais interessante do que a simples perspectiva de que o devedor tem que honrar suas dívidas. Cada vez mais a perenidade e a credibilidade de uma marca (seja de produto, empresa, país ou pessoa) são resultados de experiências e entregas concretas e consistentes, junto a seus públicos de relacionamento.

Isto ocorre porque, em um mundo cheio de opções e informações, as pessoas buscam coerência entre discurso, atitudes e práticas para relacionar-se com uma marca. Pode ser a marca preferida de tênis, de banco, de candidato a vereador ou de país. Dizer que é sério não basta. Hoje as experiências é que dizem algo por e sobre você. Houve um tempo que um bom relações públicas e uma boa agência eram capazes de fazer milagres por uma marca. Hoje, qualquer vídeo no YouTube com o depoimento de um cliente descontente é capaz de derrubar o CEO em poucos dias.
No mundo complexo e imprevisível que vivemos, não adianta uma empresa como a Petrobras querer controlar a comunicação de sua marca dizendo que “o desafio é outro”, ou que é “líder em águas profundas”. Na prática as pessoas são bombardeadas com notícias de corrupção e acabam formando uma percepção sobre ela. Pessoas buscam nexo e coerência entre discurso, atitudes e práticas. Pode até ser uma empresa tecnologicamente capacitada, mas faltam atitudes e práticas éticas.
A mesma lógica se aplica ao Brasil. Não adianta o governo dizer que somos um país sério. O fato é que os investidores criaram a percepção, ao longo dos últimos anos, que estávamos olhando apenas para os resultados de curto prazo, abusando da contabilidade criativa e da frouxidão fiscal para atingir alguns objetivos. Agora nos resta uma recessão para recuperar a credibilidade. Eis o grande desafio das marcas: construir experiências que entreguem relevância e confiança de forma perene e consistente todos os dias, e para todos os seus públicos. Mas este é um assunto para um próximo post.
