Uberizai-vos

Na prática, o fenômeno da uberização é tão poderoso porque significa mudar completamente a forma como os intermediários gerenciam e exploram seus negócios.

Não mata, mas é a salvação de produtos e serviços importantes porque muda o foco das empresas para os indivíduos.


E qual a participação das empresas para a uberização das coisas?

1 — Não entendem o desenvolvimento tecnológico

Tente pensar no quanto as cooperativas de taxi investiram em desenvolver as tecnologias da categoria e influenciar positivamente a legislação que onera qualquer pessoa que se atreve a empreender. Em vez de agir, parecia mais fácil repousar sob o manto de suas licenças municipais que pareciam uma garantia eterna, mas a gente sabe que tanto para os negócios quanto pra vida, o eterno só existe enquanto dura.

Já o meio de transporte em si continua sendo vital para as pessoas. O problema nunca foi o taxista, mas o modelo de negócio desgastado que ainda conta com apoiadores bem intencionados, como o 99 taxis, mas que ainda ficam envolvidos sob um mesmo esquema de negócio.
Intermediários não são mais semi-obstáculos, mas ecossistemas amigáveis e orgânicos.

2 — Criam antipatia com as pessoas

O atual presidente da Vivo, Amos Genish, fez uma declaração durante um evento das televisões por assinatura, o ABTA de 2015: “Não tenho nada contra o WhatsApp, que é uma ferramenta muito boa, mas precisamos criar regras iguais para o mesmo jogo”. Disse também que o aplicativo é "pirataria pura" e que há outros aplicativos que também “usam os nossos números [de telefone] para mandar mensagem grátis”.

Talvez ele tenha se esquecido que com a portabilidade, o número de telefone é do titular, não mais da operadora. E se há algum custo, com certeza é ele pago pelo assinante. A antipatia acontece por que parece mais fácil colocar a sustentabilidade do negócio acima de tudo, sem considerar que as pessoas vão continuar usando este e outros serviços como opção ao SMS e outras tecnologias já superadas.

Enquanto outras operadoras aproveitam a onda para desenvolver o próprio serviço de dados.

3 — Desprezam a economia colaborativa.

É importante que as empresas entendam que há 3 forças que interagem e regulam esta grande movimentação:
- A sociedade, que considera cada vez mais o acesso em vez da posse. É uma época em que acumular muitas coisas não faz sentido em espaços cada vez menores e uma urgência no uso inteligente dos recursos;
- A tecnologia, que conecta indivíduos a intermediários cada vez mais humanos. Isso significa uma relação mais próxima e de resposta quase instantânea;
- A economia, que simpatiza com novos modelos que mostram novas formas de tornar negócios possíveis e rentáveis. É o sangue novo das start-ups.

E é esse sentimento de insegurança e ruptura que ainda vai causar protestos e resistência inútil, já que ignorar estes 3 pontos só torna o cenário favorável para os negócios que precisam de salvação.